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segunda-feira, 09/03/2026




Como Vorcaro usava o banco Master para beneficiar sua família

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CAROLINA MANDL E DIEGO FELIX
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Daniel Vorcaro transformou o Banco Master, que foi fechado pelo Banco Central em novembro, em um meio para ganhar dinheiro para si, sua família e sócios. Segundo as investigações da Polícia Federal, ele teria movimentado recursos do banco para benefício próprio.

O esquema envolvia a venda de CDBs (títulos de depósito bancário) com promessas de altos rendimentos, captando mais de R$ 50 bilhões. Esse dinheiro era direcionado para fundos de crédito cujo único investidor era o próprio Master, que depois emprestava esse dinheiro para empresas ligadas a Vorcaro e seus familiares, mesmo sem que esse dinheiro fosse usado para investimentos reais nas empresas.

As apurações mostram que R$ 1,8 bilhão dos mais de R$ 3,5 bilhões investidos em fundos controlados pelo Master foram destinados a empresas associadas aos sócios do banco. Um exemplo é a Clínica Mais Médico, que recebeu cerca de R$ 361,1 milhões, mas era administrada por um laranja vinculado à família do dono do banco.

Além disso, fundos usados para desviar o dinheiro também aplicavam recursos em CDBs do Master, fazendo com que o dinheiro retornasse ao banco por meio de uma complexa rede de transações, de onde parte dos recursos era desviada ao longo do caminho.

Contas bancárias ligadas à família, como a do pai de Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, chegaram a apresentar saldos superiores a R$ 2,2 bilhões, segundo decisão judicial que autorizou as operações da Polícia Federal.

A movimentação desses recursos indicam uma operação coordenada entre o Banco Master e a administradora Reag DTVM, que tinha como objetivo desviar dinheiro do banco para veículos externos, contrariando os interesses da instituição.

A manipulação dos ativos

O Master também inflava artificialmente o valor de seus bens e ativos, como imóveis e carteira de crédito. Essa valorização falsa permitia a emissão de mais CDBs, atraindo mais dinheiro de investidores.

Os empréstimos fictícios eram repassados a fundos controlados pela Reag, que compravam papéis praticamente sem valor, valorizando-os artificialmente, beneficiando o banco com ativos sobrevalorizados.

De acordo com o advogado Adilson Bolico, a conduta configura gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, crimes que podem resultar em penas de 3 a 12 anos de prisão, além de multas, e podem sofrer aumento se cometidos reiteradamente ou por organização criminosa.




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