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segunda-feira, 23/02/2026

Como se proteger da mpox: casos no Brasil em 2026

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Em Brasília

GIULIA PERUZZO
FOLHAPRESS

O Brasil registrou 57 casos de mpox desde o começo de 2026. A maioria está em São Paulo, com 50 casos, conforme dados do Nies (Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde). Os outros casos foram confirmados no Rio de Janeiro (3), Distrito Federal, Rondônia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, cada um com um caso, segundo o Ministério da Saúde.

Dois casos em São Paulo são de uma subvariante mais agressiva, chamada clado 1b, menos comum no Brasil. Recentemente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) detectou uma nova variante em dois casos, um na Índia e outro no Reino Unido, que mistura características dos clados 1b e 2b.

A OMS aponta que os sintomas dessa nova variante são parecidos com os demais clados e que, até agora, nenhum paciente apresentou gravidade. A organização mantém a avaliação de risco como moderada para homens que fazem sexo com outros homens de parceiros novos ou múltiplos, trabalhadores do sexo e pessoas com parceiros casuais, e baixa para a população geral sem fatores de risco.

Embora São Paulo tenha mais casos, o número não é alarmante se comparado a 2025, quando foram notificados 79 casos em janeiro e 47 em fevereiro, totalizando 126 nos dois primeiros meses daquele ano.

O Ministério da Saúde acompanha o monitoramento e afirma que o SUS (Sistema Único de Saúde) está preparado para identificar precocemente, tratar e acompanhar os pacientes.

O que é a mpox?

A mpox, antes chamada de varíola dos macacos, é uma infecção causada pelo vírus Mpox, que pertence ao mesmo grupo dos vírus da varíola. Flávia Falci, infectologista do Grupo Santa Joana, explica que os sintomas iniciais incluem febre, dor no corpo, dor de cabeça, cansaço e aumento dos gânglios linfáticos.

Quando a doença avança, surgem lesões na pele, que podem aparecer no rosto, região genital, ao redor do ânus, nas palmas das mãos, plantas dos pés e mucosas. Casos mais graves podem afetar o sistema nervoso e os olhos.

O vírus se divide em dois grupos principais, chamados clados, que possuem subgrupos. O clado 1a circula principalmente na África Central e o clado 2b foi detectado inicialmente na Nigéria. O clado 1b pode causar sintomas mais fortes, especialmente em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, segundo o infectologista Dyemison Pinheiro, mestre em saúde coletiva.

Como a doença é transmitida?

A transmissão ocorre principalmente entre pessoas, através do contato próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e objetos contaminados, diz o infectologista Juvencio Furtado, do Hospital Heliópolis.

O vírus entra no corpo através de pequenas lesões na pele, que podem ser invisíveis, além das mucosas dos olhos, boca e nariz. A transmissão pode acontecer também durante a gravidez, pela via placentária, embora isso esteja em estudo.

A transmissão sexual tem sido mais frequente entre homens que fazem sexo com homens, mas pode ocorrer com qualquer pessoa que tenha contato com lesões ou mucosas contaminadas. A doença pode ser transmitida mesmo antes dos sintomas aparecerem, ou por pessoas que não apresentam sintomas.

Como se proteger?

Para prevenir, a principal recomendação é evitar contato direto de pele com pele. Pessoas com sintomas devem se afastar dos outros enquanto as lesões estiverem ativas.

Outra medida importante é a vacinação, voltada para pessoas vivendo com HIV/Aids com baixa imunidade, usuários de PrEP e profissionais de saúde que lidam com o vírus, conforme o Ministério da Saúde.

Dyemison Pinheiro alerta para o aumento de casos recentemente, especialmente considerando eventos com contato físico intenso, como o Carnaval.

Flávia Falci indica mudanças no comportamento sexual e o uso de equipamentos de proteção para profissionais de saúde, além da limpeza rigorosa de ambientes onde o paciente foi atendido.

O Ministério da Saúde reforça a importância da higiene, como lavar as mãos frequentemente, e orienta que pessoas com sintomas ou que tiveram contato próximo com casos suspeitos busquem atendimento médico e fiquem isoladas até avaliação.

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