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Como o CBLoL ajudou a levantar o esporte eletrônico no Brasil

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Nona edição do Campeonato Brasileiro de League of Legends, que deu início a uma nova era de torneios oficiais de jogos no país, começou em janeiro deste ano

League of Legends: CBLoL 2020 acontece em São Paulo, do dia 25 de janeiro até o dia 2 de maio (Riot Games/Divulgação)

Em 2012, a Riot Games abria o primeiro servidor de League of Legends no Brasil. Com a chegada do game, vinha também o primeiro Campeonato Brasileiro de League of Legends no país, visto que a comunidade local já existia mesmo antes da abertura do servidor. Com cerca de 100 milhões de jogadores ativos no mundo hoje, o jogo logo virou uma febre local. A equipe vencedora do primeiro torneio, chamada vTi Ignis – hoje extinta -, recebeu o prêmio que, inicialmente, era de 25 mil dólares.

Com partidas que costumam durar de 30 a 50 minutos, o jogo consiste em fazer com que duas equipes distintas, de cinco campeões – como são chamados os personagens – cada, se enfrentem para destruir a base, ou Nexus, do time inimigo. Para alcançar a base do outro time, os adversários devem escolher uma das cinco rotas disponíveis e derrubar as três torres espalhadas pelo caminho. Para crescer no jogo, é necessário coletar ouro abatendo torres e inimigos e aprimorar habilidades por meio da experiência na partida.

O jogo já era familiar para a comunidade brasileira, mas o CBLoL fez com que o game do gênero multiplayer online battle arena – conhecido pela sigla “Moba” – entrasse rapidamente para a lista dos mais games populares a nível nacional. O campeonato serviu de base para outras competições de League of Legends, como o Circuito Desafiante e o Circuito Brasileiro. Hoje, o CBLoL tornou-se um dos responsáveis pelo alcance e audiência do game entre o público brasileiro. O torneio é transmitido pela  emissora SporTV e as finais já foram realizadas em locais como a Jeunesse Arena, no Rio de Janeiro, e o estádio Allianz Parque, em São Paulo.

Para Carlos Antunes, diretor de eSports na Riot Brasil, a fama do jogo entre o público brasileiro é graças ao modo pelo qual a Riot lançou o game no Brasil. “Nós ajustamos o LoL ao jogador brasileiro, com localização, dublagem, história e campeões traduzidos para a língua portuguesa, de forma que envolveu a comunidade rapidamente e de um jeito profundo, além de ter incentivado criadores de conteúdo para o YouTube a falarem mais sobre o jogo para seus seguidores”, disse Antunes, durante o primeiro dia de CBLoL deste ano.

Neste ano, a primeira etapa do campeonato – chamada de split – durará 11 semanas, com 21 rodadas e partidas que acontecem aos sábados e aos domingos, com transmissão e comentários pelo E-SporTV, divisão de eSports do canal. As 8 equipes – Flamengo eSports, Prodigy Esports, FURIA Uppercut, Redemption eSports POA, paiN Gaming, Vivo Keyd, INTZ e-Sports e KaBuM! e-Sports – se enfrentarão três vezes cada. Na reta final, o terceiro lugar disputará a vaga para a final com o segundo lugar, enquanto o time na quarta posição enfrentará o time que terminou as rodadas em primeiro lugar.

Antes e depois do League of Legends

Mas o LoL não foi o primeiro jogo online a envolver brasileiros com o esporte eletrônico. Em 2006, seis anos antes do lançamento do servidor brasileiro de LoL, uma equipe inteiramente brasileira, a Made in Brazil, já havia vencido o torneio mundial de Counter-Strike 1.6, um dos jogos da série Counter-Strike – jogo multiplayer de tiro em primeira pessoa. Apesar do destaque dos brasileiros no cenário internacional, a equipe acabou se desfazendo em 2012 e só retornou em 2018, quando venceu o torneio Zotac Cup Masters, em Hong Kong, e garantiu 200 mil dólares como prêmio.

Apesar da ausência da MIBR por alguns anos no cenário, a presença brasileira no jogo Counter-Strike: Global Offensive permaneceu forte: em 2016, a seleção brasileira do time SK Gaming venceu a ESL One Colônia, uma das 10 maiores competições de CS:GO do mundo. Outro game que também contou com brasileiros em torneios internacionais é o Moba chamado Dota 2, onde a equipe paiN Gaming foi classificada para o The International – considerado o maior campeonato mundial do jogo -, mas acabou perdendo para o europeu OG.

Embora os destaques brasileiros em torneios internacionais aconteçam desde a década passada – e o Brasil tenha tido inúmeras competições em menor escala -, o país começou a criar suas próprias competições oficiais com a chegada da Twitch, plataforma de streaming de games, que popularizou as partidas e também o League of Legends. Com uma audiência que manteve a média de 130 milhões de telespectadores por mês desde 2016, não é de surpreender que o CBLoL tenha se tornado o campeonato mais estável em um curto período de tempo – o torneio garantiu um crescimento linear ao longo dos anos que culminou em um recorde de 600 mil espectadores únicos na final de 2019, segundo a assessoria da Riot, com transmissão ao vivo pelas plataformas YouTube e Twitch. Segundo a consultoria holandesa Newzoo, a audiência de eSports chegou a 443 milhões em 2019, um crescimento de 12,3% em relação ao ano de 2018. Para este ano, a expectativa da consultoria é de que o ritmo acelerado continue, fazendo a audiência do esporte eletrônico atingir 495 milhões.

Outra empresa que, seguindo os moldes da Riot, aproveitou o momento para criar um campeonato de um jogo próprio foi a Ubisoft: em 2017, a companhia anunciou o Brasileirão do jogo Rainbow Six Siege, que já encaminha para a sua quarta edição neste ano. A Garena, publicadora do battle royale Garena Free Fire, também anunciou o próprio torneio oficial do jogo, chamado Liga Brasileira de Free Fire, que teve início no último fim de semana – dias 1 e 2 de fevereiro – em um novo estúdio criado para a competição.

Segundo a Newzoo, a receita do mercado de eSports no mundo foi de 1,1 bilhão de dólares em 2019, que mostra um aumento de 26,7% em relação ao ano anterior. A maior parte da receita vem de patrocínios (34,3%). Com o apoio de grandes marcas, como Coca-Cola, Mastercard, Banco do Brasil e Nike, o esporte eletrônico, embora ainda pouco reconhecido, ganha cada vez mais a atenção do público e evolui para se tornar tão relevante quanto um esporte tradicional.

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Twitter terá doação por Bitcoin e novas medidas de segurança em conversas

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Rede social fez anúncio nesta terça sobre futuro e novas ferramentas de rentabilização da plataforma

Twitter: rede social se coloca cada vez mais como ferramenta para produtores de conteúdo (Leon Neal/Getty Images)

O Twitter anunciou uma série de mudanças na plataforma nesta quinta-feira, 23. A empresa irá ampliar medidas que já havia anunciado anteriormente e também expandir alguns produtos e formas de pagamento: há novidades de segurança e controle de conversas para usuários, bem como a possibilidade de doações utilizando bitcoin.

Entre as novidades estão atualização dos Espaços, ferramenta do Twitter para salas de conversa por áudio que funcionam no modelo do Clubhouse, app que viralizou no início do ano com conversas ao vivo.

A função contará com armazenamento dos Espaços para serem ouvidos posteriormente e também a possibilidade de vender ingressos para conversas e aumentar a capacidade de criadores de conteúdo de faturarem sobre audiência e conteúdo.

A partir desta quinta-feira, o Twitter também expande o Bonificações, sistema que permite gorjetas, aos usuários de todo o mundo. Essa função permite doação de quantias financeiras para pessoas e organizações. No Brasil, o parceiro será a PicPay para envio de fundos.

O Twitter também afirmou que será possível enviar Bonificações por bitcoin através da carteira Strike, da rede Lightning. Já havia rumores de que uma funcionalidade desse tipo seria disponibilizada.

Os SuperFollows, um serviço de assinatura, está sendo testado nos EUA com um grupo de criadores de conteúdo. A função já havia sido anunciada no passado, e pretende transformar o Twitter em uma rede mais apropriada para criar conteúdo, com a possibilidade de newsletters, por exemplo.

Novas medidas de segurança e controle

A rede social afirma que pretende dar mais contexto sobre contas e conversas, a fim de impedir que usuários percam o controle de suas publicações e entendam como e com quem dialogam.

No passado, o Twitter já havia introduzido um recurso para segmentar quem pode responder a uma publicação.

A partir de agora a rede contará com uma função para remover seguidores sem ter que bloqueá-los. Também haverá maneiras de deixar uma conversa que tenha tomado outro rumo e filtros de palavras e frases, que, segundo o Twitter, permitirá que usuários tenham controle em tempo real do que querem ou não acompanhar em suas linhas do tempo.

Outra novidade para segmentar conversas e conteúdo é a criação de comunidades, uma funcionalidade que permitirá designar tuítes a um grupo específico de pessoas e participantes.

Esse experimento propõe também uma maneira de descentralizar a moderação de conteúdo, já que as comunidades contarão com regras próprias. A empresa cita o exemplo de uma comunidade de cuidados com a pele, em que não seria permitido participar sendo representante comercial de uma empresa do setor ou mesmo recomendar produtos não utilizados pelo usuário.

 

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Novos iPhones 13 começam a ser vendidos, sob resenhas mistas

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De acordo com análises iniciais, melhoras na bateria e câmera são incrementais em relação ao ano passado, mas grandes se comparadas a gerações mais antigas

iPhone 13: melhoras na bateria e câmera são incrementais em relação ao ano passado, mas grandes em relação a gerações mais antigas (Apple/Reprodução)

Os novos iPhone 13 chegam ao mercado internacional nesta sexta-feira, 24, com muito pouco do oba-oba que esses aparelhos já tiveram no passado. O Brasil ainda deve aguardar mais algumas semanas antes de o smartphone desembarcar por aqui.

Nas primeiras gerações de iPhone, a novidade era tão grande e imperdível que levava fãs às filas para comprar os aparelhos, uma cena que ficou para trás com novidades incrementais e o e-commerce.

A Apple anunciou os aparelhos na última semana e manteve o design do ano anterior. Não se pode negar que os incrementos são muito bons para quem tem um telefone de gerações anteriores: os novos modelos têm tempo de bateria consideravelmente maior e software e hardware de câmera melhorados, segundo as resenhas publicadas até agora na mídia norte-americana.

Apesar disso, não é uma obrigação para quem já está nas últimas gerações do aparelho.

A Apple, no entanto, há quase 15 anos fabricando e tendo os smartphones como uma de suas principais fontes de receita, já entende as trocas periódicas dos usuários. Na China e na Índia, por exemplo, a demanda pelos novos aparelhos é maior que aquela dos iPhone 12, segundo reportagens locais.

No segundo trimestre deste ano, a Apple vendeu 39,5 bilhões de dólares em iPhones, o que corresponde a quase metade do faturamento da empresa no período. O volume demonstra a importância do aparelho para empresa, embora outras áreas, como serviços aos clientes e acessório, tenham altas significativas.

O novo iPhone 13 pode ter poucos avanços em relação ao ano passado, mas ainda deve ser boa parte do faturamento da Apple.

 

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Nubank anuncia função que permitirá mais de um cartão virtual por cliente

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Possibilidade de criar mais de um cartão virtual permite gerenciar vida digital melhor e traz mais segurança a clientes

Cartão do Nubank: múltiplos cartões virtuais compartilham a mesma fatura e limite de crédito do cartão físico (Nubank/Divulgação).

O Nubank anuncia nesta quarta-feira, 22, uma novidade que deve trazer mais segurança aos clientes do banco: a possibilidade de ter mais de um cartão virtual ativo.Atualmente, os clientes do banco têm acesso a apenas um cartão de crédito virtual, que é utilizado para compras online. Com a possibilidade de mais de um cartão desse tipo, o banco permite a organização dos cartões em diferentes tipos de categorias, lojas e outros critérios.Além disso, será possível criar um cartão virtual para compras únicas, sem comprometer o funcionamento de contas recorrentes, como assinaturas de serviço de streaming, jornais, delivery ou apps de transporte. Nesse caso, se o cartão utilizado para uma compra única for comprometido em um vazamento, o restante da vida financeira ficaria resguardada.

Os cartões virtuais compartilham o mesmo limite de crédito do cartão físico e todas as compras são adicionadas à mesma fatura. Para criar novos cartões virtuais é preciso acessar a área “meus cartões”, em seguida clicar em “criar cartão virtual”. Os cartões virtuais podem também ser deletados pelo app do banco.Outros bancos já contam com a possibilidade de múltiplos cartões e alguns têm códigos verificadores que mudam conforme a solicitação de uso, garantindo que, mesmo que aconteça um vazamento, o cartão teria menos chance de ser utilizado por criminosos.

De acordo com o Nubank, a função de cartões virtuais múltiplos começa a ser disponibilizada hoje e estará disponível de maneira gradativa a todos os clientes.

 

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5G na América , acorrida pela tecnologia

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Adotar a tecnologia vai permitir que os países da região se modernizem, evitem atrasos econômicos e ganhem impulso no desenvolvimento

Torre de celular em São Paulo: adoção do 5G é essencial para atrair e reter setores de alta intensidade tecnológica, como as indústrias automobilística, aeroespacial, biotecnológica e de bens eletrônicos (Germano Lüders/Exame).

 

A China encerrou o primeiro semestre deste ano com a marca de 500 milhões de assinaturas do 5G, acompanhadas por mais de 1,4 milhões de estações-base instaladas em todo o país pelas três grandes operadoras: China Mobile, China Unicom e China Telecom. Enquanto isso, os Estados Unidos contam com serviço 5G para cerca de 50 milhões de assinantes, em 280 cidades, oferecido por empresas como Verizon, T-Mobile e AT&T. A Europa segue um pouco atrás nessa tecnologia, e espera chegar à marca de 40 milhões de assinaturas até o fim de 2021, tendo à frente operadoras como Vodafone, Deustche Telekom, Telefónica, TIM e outras.

Por trás dos números citados acima está a guerra tecnológica entre Estados Unidos e aliados, de um lado, e a China emergente de Ji Xinping, do outro. A maioria dos países europeus deu as costas para a Huawei, companhia chinesa campeã em equipamentos de telecomunicações. Essas nações priorizaram produtos de líderes locais do setor de telefonia, como Ericsson e Nokia — mesmo cientes de que ambas essas companhias perdem para os chineses em tecnologia e preço. Da mesma maneira, países como o Reino Unido fizeram valer as boas relações com os irmãos norte-americanos (honrando, também, os estreitos laços mantidos entre as duas regiões no que diz respeito a segurança e inteligência). Essa decisão veio a custo de perder muito dinheiro ao expulsar a Huawei das ilhas britânicas: calcula-se que a rescisão de contratos com o gigante de Shenzhen tenha representado um prejuízo de mais de 33 bilhões de dólares para um país que estava pronto para liderar a troca de tecnologia – e, consequentemente, obter uma importante vantagem competitiva.

O que está acontecendo na América Latina? Do ponto de vista comercial, o panorama latino-americano é bem menos atraente para a adoção do 5G. As nações da região estão diante de outros problemas, bem mais urgentes do que essa mudança tecnológica. Mesmo assim, estados industrialmente mais desenvolvidos não devem descuidar da transição para o novo modelo, pois isso poderia custar caro a médio prazo. É extremamente importante que países como Brasil, México e Argentina adotem o 5G o mais rápido possível, para continuar sendo opções competitivas nas cadeias globais de produção: a Internet das Coisas está logo ali na esquina, e vai exigir o 5G.

Por que as economias latino-americanas deveriam avançar para o 5G — e rápido? A mudança tecnológica imposta pela Quinta Geração da comunicação móvel é uma ótima oportunidade para que indústrias regionais se posicionem de forma estratégica no quebra-cabeças competitivo resultante da localização (e da recolocação e reconsideração) de atividades produtivas de maior valor agregado. Ou seja: atrair e reter setores de alta intensidade tecnológica, como as indústrias automobilística, aeroespacial, biotecnológica e de bens eletrônicos de consumo, é uma corrida disputada pelas economias mais desenvolvidas – que, em muitos casos, querem reverter os deslocamentos de setores para outras regiões, ocorridos no início do século 20. O movimento de atração inclui ainda países em desenvolvimento, com grande capacidade de absorção tecnológica. E, na América Latina, quem desponta nesse xadrez são Brasil, México e Argentina.

Por que, para as operadoras, é menos atraente fazer avançar o 5G na América Latina? Nessa região, a realidade mostra que ainda é possível progredir muito nos serviços 4G, que ainda não alcançam toda a população e podem melhorar bastante. As operadoras hesitam em realizar os enormes investimentos exigidos pela rede 5G, e querem enxergar as perspectivas comerciais com clareza. Por serem mercados sobretudo de varejo, onde a receita se encontra em agregar cada vez mais indivíduos, esses países têm o Brasil como o local mais interessante para as “telcos” (devido ao tamanho da população), acompanhado pelo México e, bem à distância, pelas demais nações. Além disso, esses são mercados de renda média ou média-baixa, o que contribui para o atraso na adoção.

Para além do panorama geral, o Brasil apresenta nichos para a chegada do 5G, sobretudo em setores como agronegócio e manufatura, seguidos pelo varejo em regiões de maior poder aquisitivo (as cidades de São Paulo e Rio, por exemplo).

As operadoras ainda aguardam o leilão do 5G no Brasil. Enquanto isso, prestam um serviço virtual chamado “5G DSS”. A Claro já está usando espectros de radiofrequência existentes e tecnologia da Ericsson para levar adiante esse serviço virtual – ainda em escala limitada e em poucas áreas do Rio e de São Paulo. Enquanto isso, a TIM avança nesse mesmo sentido em cidades como Bento Gonçalves (Rio Grande do Sul), Itajubá (Minas Gerais) e Três Lagoas (Mato Grosso do Sul), com equipamentos de Nokia, Ericsson e Huawei. A Vivo, por sua vez, utilizaria o 5G DSS por meio da Huawei. O caso da Oi no 5G, ao lado de Nokia e Huawei, é bem particular: a despeito da recuperação judicial da empresa, ela avança em sua rede de fibra, a mais importante do Brasil.

Para além das vontades nacionais de desenvolvimento e adoção de novas tecnologias, os países da região fazem parte do tabuleiro internacional do 5G. Nesse jogo, o Brasil é a peça mais valiosa do Cone Sul, e deve apostar na tênue linha de manobra envolvendo suas relações tanto com Estados Unidos quanto com a China. Brasília mantém uma estreita aliança com Washington na área de segurança – e, por outro lado, tem fortes laços com Pequim, evidentes nos números do comércio bilateral: como destino comercial, o mercado chinês representa mais que o dobro do americano, e responde por mais de 40% da exportação de soja.

O governo brasileiro está, portanto, numa encruzilhada entre os dois adversários nessa guerra tecnológica. Nesse cenário, o governo chinês induziu o Planalto a não se manifestar contra a livre concorrência da Huawei em futuros leilões locais de fornecimento de equipamento para o 5G. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR) já agiu nesse sentido, e publicou um protocolo de segurança cibernética que deve ser cumprido por qualquer possível provedor ou concessionária participante do certame. O texto não cita qualquer proibição ou restrição a empresas específicas. Após a recente visita ao Brasil do assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, enviado pela Casa Branca, a pressão aumentou. Agora, Brasília se vê diante da possibilidade de limitar a participação da Huawei em redes do governo — o que seria uma forma elegante de manter equidistância nessa disputa.

Mesmo com essa espécie de “apoio” à Huawei, a estreita relação entre Brasília e Washington sugere que a decisão sobre os provedores que serão definitivamente responsáveis pelos equipamentos do 5G continuará sendo adiada. O atraso nos leilões das frequências para operar a nova tecnologia joga a favor do desenvolvimento da arquitetura alternativa OpenRAN, na qual trabalham os Estados Unidos. O OpenRAN poderia substituir a tecnologia RAN (arquitetura proprietária), dominada pelas chinesas Huawei e ZTE. Vale lembrar que o OpenRAN seria uma opção de padrão aberto, permitindo concorrência entre diversos provedores. Nesse caso, não se espera que o desempenho seja tão bom quanto o de tecnologias proprietárias – ao menos não no curto prazo.

De todo modo, as decisões que precisam ser tomadas têm impactos consideráveis, tanto para as relações internacionais como para a indústria. Adotar a nova tecnologia o quanto antes vai permitir que os países da região se modernizem, evitem atrasos para suas economias e ganhem impulso no caminho de um desenvolvimento que é necessário. O cálculo, porém, precisa ser o mais preciso possível: os ganhos obtidos de um lado podem ter consequências negativas do outro. Será um trabalho árduo para legisladores.

Gabriel Balbo é analista de relações internacionais econômicas, tecnologia e geopolítica, diretor da ESPADE e autor do livro “5G, La Guerra Tecnológica del Siglo” (5G, A Guerra Tecnológica do Século).

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Home office, Facebook renova linha Portal, de videochamada

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O aparelho que aglomera funcionalidades do iPad e Alexa ganhou atualizações para tentar a sorte, mais uma vez, no mercado de assistentes virtuais e tablets

Exposição de dispositivo de video chamadas Portal, do Facebook. (Foto/Reuters)

O Facebook anunciou nesta terça-feira, 21, dois novos modelos do combalido aparelho de videochamadas Portal, incluindo uma versão portátil da primeira versão do dispositivo.

Apesar de companhia demonstrar que o foco do dispositivo é o mundo corporativo, o Facebook já não teve sucesso na primeira investida do produto em 2018, e agora tenta retornar à tarefa de convencer os compradores de que eles precisam de um modelo do tipo.

O desafio é competir com o fato de que tablets têm os mesmos recursos de um Portal, e já existe uma certa hegemonia de assistentes virtuais de outras marcas nos lares dos consumidores em potencial.

As atualizações anunciadas nesta terça-feira incluem um “modo doméstico”, que permite compartilhar tela e controlar o acesso aos contatos e apps. A empresa também introduziu um recurso que permite ao usuário assistir à TV por meio do aparelho com outros que não estejam usando o Portal.

O Facebook afirmou que o portátil Portal Go vai custar 199 dólares e a versão de tela maior, Portal+, a mais recente geração do aparelho, vai custar 349 dólares.

A rede social também afirmou que vai começar a incluir suporte ao Microsoft Teams no Portal em dezembro.

O Facebook lançou em agosto o teste de um aplicativo remoto de realidade virtual em que usuários do óculos Quest 2 podem realizar reuniões adotando a forma de avatares de si mesmos.

(Com Reuters)

 

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Adeus, home office? Google compra escritório em Nova York por R$10 bilhões

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Compra é vista como um plano de retorno aos escritórios, ainda que no longo prazo

St. Johns Terminal: edifício é a mais cara aquisição nos EUA de um prédio empresarial desde o início da pandemia (COOKFOX Architects/Divulgação)

O Google anunciou nesta terça-feira, 21 que irá comprar um edifício empresarial em Nova York por 2,1 bilhões de dólares, o equivalente a mais de 10 bilhões de reais.

É a maior aquisição de um prédio do tipo desde o início da pandemia, de acordo com o jornal americano The Wall Street Journal, o que pode significar que empresas gigantes, incluindo aquelas que foram as primeiras a adotar o modelo de trabalho remoto, ainda tenham apetite por espaços de convivência e trabalho.

O prédio ainda está em construção na parte oeste de Manhattan, às margens do Rio Hudson. O projeto é chamado de St. John’s Terminal, em referência a um antigo terminal de cargas que ficava no local. O Google já aluga o espaço, mas afirmou planejar exercer uma opção de compra a partir no ano que vem.

Nova York é a segunda maior concentração de trabalhadores do Google nos EUA, atrás apenas da Califórnia.

O movimento do Google vem sendo interpretado como um retorno ao trabalho presencial, ainda que no longo prazo. No passado, o Google já afirmou que pretende exigir que funcionários da empresa se vacinem contra a covid-19 e protelou planos de retorno por conta do avanço da variante Delta nos EUA.

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