LUIS EDUARDO DE SOUSA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Muitas ideias erradas circulam sobre como ajudar uma pessoa que está tendo uma convulsão, como o que aconteceu com o ator Henri Castelli, 47 anos, durante uma prova no BBB 26.
Um erro comum é achar que é preciso colocar algo na boca da pessoa para impedir que ela engula a língua – o que é impossível.
Outro engano é pensar que a pessoa sente dor na crise ou que é necessário segurar o corpo dela com firmeza.
Especialistas alertam que essas atitudes podem machucar tanto a pessoa que está tendo a convulsão quanto quem tenta ajudar.
Reconheça a convulsão
Os sinais são claros: a pessoa perde a consciência e começa a ter movimentos musculares involuntários e fortes. É comum que haja salivação excessiva e liberação involuntária de urina ou fezes, conforme explica o neurologista William Souza Martins Ferreira.
Mantenha a calma
A calma é essencial para agir corretamente, diz a neurologista Letícia Sampaio. A pessoa não vai morrer; seu cérebro está apenas passando por um curto circuito elétrico, explica o neurocirurgião Wellingson Paiva.
Embora mortes por convulsão sejam raras, elas podem ocorrer devido a causas mais graves, não só pela convulsão em si.
Proteja a cabeça
Durante a crise, os músculos se contraem descontroladamente por causa da atividade elétrica irregular no cérebro, explica a neurocirurgiã Adriana Libório. É importante proteger a cabeça para evitar machucados, por exemplo, usando uma almofada ou algo macio para elevar levemente a cabeça do chão.
Não coloque a mão na boca
Muitas pessoas pensam que é preciso impedir que a pessoa morda a língua, mas tentar colocar a mão na boca pode causar mordidas nos dedos. É preferível deixar a boca livre e observar.
Cuide das vias aéreas
Deitar a pessoa de lado ajuda a manter suas vias respiratórias limpas, evitando engasgos com saliva ou vômitos, explica Adriana Libório.
Procure atendimento médico
A convulsão pode indicar problemas sérios, como tumores, epilepsia, desidratação ou baixos níveis de açúcar no sangue, alerta Adriana. Fatores como calor, falta de sono ou estresse também podem desencadear convulsões.
Esclarecimento de mitos
O neurologista Paiva desmente o mito de que ajudar uma pessoa em convulsão pode transmitir doenças. Em geral, a convulsão dura de um a dois minutos; se durar mais, é preciso ajuda médica urgente.
Seguindo essas orientações simples, a pessoa pode passar pela convulsão com segurança e depois buscar um médico para entender a causa.
