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segunda-feira, 09/03/2026




Colheita de arroz para por falta de diesel

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PEDRO LOVISI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Os agricultores que colhem arroz no Rio Grande do Sul pararam o trabalho desde quinta-feira (5) porque não estão recebendo diesel para suas máquinas, segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). O estado produz 70% do arroz do país e está na época da colheita.

O diesel é essencial para ligar os tratores e outros equipamentos usados na colheita. Sem ele, o trabalho para.

“Os agricultores estão comprando diesel em postos, mas isso só dura um dia; não dá para continuar assim”, disse Domingos Velho Lopes, presidente da Farsul. “Normalmente, eles têm combustível para até uma semana, mas o problema será grave se não receberem até o meio da semana. Se a colheita atrasar mais de três dias, o arroz pode estragar.”

As dificuldades começaram com os conflitos entre os Estados Unidos e o Irã, e a redução da produção de petróleo no Oriente Médio. O preço do barril de petróleo Brent subiu 14,65% nos últimos cinco dias, causando instabilidade no mercado.

Atualmente, cerca de 70% do petróleo no Brasil vem da Petrobras, e o resto de refinarias privadas e importações. O preço do diesel no Brasil ainda não refletiu totalmente a alta internacional, mas pode subir no médio prazo.

A causa da falta de diesel no Rio Grande do Sul não está clara. Normalmente, o combustível é distribuído por empresas chamadas TRR (Transportador Revendedor Retalhista), que compram grandes quantidades e vendem no varejo.

Domingos Lopes explicou que as distribuidoras de combustível estão reduzindo a entrega e estão se culpando mutuamente com os transportadores. Há suspeita de que algum grupo esteja segurando o combustível esperando um aumento maior no preço.

O barril de petróleo Brent pode chegar perto de US$ 100, atualmente está a US$ 87,44.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) declarou que o Rio Grande do Sul tem estoque suficiente para garantir o fornecimento de diesel. A produção e entrega pelo principal fornecedor local, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), continuam normais.

A agência vai notificar as distribuidoras para esclarecer o volume de diesel em estoque e os pedidos recebidos. Se necessário, a ANP tomará medidas para garantir que o diesel continue disponível.

A Petrobras informou que não houve mudança nas entregas de diesel e que elas estão conforme o planejado. A empresa é responsável pela refinaria que abastece o Rio Grande do Sul.

Francisco Neves, diretor-executivo da Associação Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis, disse que a guerra no Irã afeta o mercado nacional, mas não significa falta de diesel. “Existe uma pressão nos preços, que devem se ajustar com o tempo”, afirmou.




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