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Colapso da saúde em Belém contrasta com número oficial de casos

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Para especialistas, subnotificação explica colapso em hospitais da capital do Estado, que oficialmente tem pouco mais de 2 mil casos confirmados da covid-19

Coronavírus Pará (Agência Pará/Divulgação)

Na quinta-feira passada, os funcionários do Hospital de Campanha de Belém (PA) foram forçados a abrir as portas diante da gritaria de familiares e pessoas que aguardavam notícias de parentes na entrada. A unidade, que recebe apenas pacientes triados em outras unidades, foi obrigada a atender a paciente desmaiada, motivo da aflição dos que estavam à frente do Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, o Hangar, no bairro do Marco, uma casa de eventos e shows convertida em hospital de atendimento para pacientes graves da Covid-19.

Não foi a única cena de desespero diante de um hospital. O sistema de saúde de Belém já entrou em colapso, segundo profissionais da linha de frente de combate ao coronavírus ouvidos no fim da semana passada pela Agência Pública.

“O número de leitos de UTI e de leitos para internação no Norte no geral é muito abaixo da média nacional. E a gente tem a situação que tem hoje”, aponta a epidemiologista Naiza Sá, coordenadora do programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Sociedade na Amazônia, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

De acordo com informe da Secretaria Municipal de Saúde (Saúde) à imprensa, os apenas 125 leitos de UTI já estavam 100% ocupados na semana passada; 80% com pacientes de Covid-19. Conforme o Datasus, o município possui outros 282 leitos de gestão estadual, mas a Secretaria estadual não fornece os dados de ocupação dessas vagas, informando apenas que em todo Pará a taxa de ocupação é de 79% (a maior concentração de casos é em Belém). Ao todo a região Norte tem 2.334 leitos desse tipo, a menor rede no comparativo com outras regiões.

Grupos de familiares e amigos amontoados em frente ao Hospital de Campanha em busca de notícias de pacientes se tornaram rotina nos últimos dias. “Não tem informação”, contou Nashara Costa Silva, de 33 anos, uma das pessoas que ali estavam na tarde da quinta-feira passada. O grupo vinha de diferentes bairros e municípios da região metropolitana da capital paraense.

Para evitar ainda mais contaminações, eles deveria“Não tem remédio. Ninguém sabe o que está acontecendo lá dentro”, diz ela. Além da jovem que desmaiou na entrada do hospital, ainda naquela tarde, outro paciente caiu na portaria antes de conseguir atendimento.

“Pacientes que estão lá dentro conseguem telefones, pedem ajuda à família. Não tem lençol, não tem equipamento”, relatou Nashara, cabeleireira do bairro de Sacramenta. Ela aguardava notícias do irmão, eletricista de 46 anos, que foi encaminhado ao Hangar depois de ter passado quatro dias no Pronto Socorro Mário Pinotti, o PS da travessa 14 de março.

“Eu consegui que ele viesse pra cá por conta própria. No PS da 14, passou quatro dias sem medicação, precisando de respirador, mas não tinha”, contou Nashara, que estavam ser informados sobre o quadro dos pacientes por mensagens, mas não há esse tipo de serviço. na portaria do Hangar já havia cinco horas sem conseguir notícias do irmão. Os relatos de desmaios, falta de equipamentos e informações se espalham por toda a cidade, da rede municipal à estadual.

Escalada em Belém

O primeiro caso registrado no Pará foi anunciado pelo governo do estado no dia 18 de março. Até o fim daquele mês, foi notificado um total de 34 pessoas com Covid-19. O primeiro óbito foi no dia 1º de abril, mas em apenas sete dias os casos chegaram a 154, com seis mortes confirmadas. E o gráfico do novo coronavírus no Pará disparou.

No dia 17 de março, o governador Helder Barbalho (MDB), que havia dito que o governo possuía um plano de contingência, informou, por meio de sua conta no Twitter, que o Pará tinha “23 leitos de UTI à disposição para o coronavírus, o que demonstra claramente que nós estamos estruturados, preparados, planejados”, finalizando: “Nós estamos preparados para enfrentar o desafio”. No boletim epidemiológico desde domingo, 27, o Pará chegou a 2070 casos e 114 mortes, sendo 48 delas nas últimas 48 horas.

Mas as filas em frente a hospitais, os relatos de profissionais e o elevado índice de mortes por insuficiência respiratória e pneumonia contrariam os números oficiais da Covid-19. Apesar do anúncio do número de casos, as autoridades estaduais não informam o tamanho da fila no Laboratório Central (Lacen), onde foram centralizadas as testagens.

Além disso, o governo não anunciou quantos testes foram adquiridos pela Secretaria de Estado de Saúde (Sespa). Fatores que diminuem o número de infectados nos boletins, colocando o Pará como oitavo estado com mais casos, com os sinais de saturação da rede na capital.

Os dados apontam também para a subnotificação. Enquanto em todo o ano passado foram registradas 643 mortes por insuficiência respiratória, já são 618 óbitos registrados este ano, de 1º de janeiro a 25 de abril. Se essa média mensal se mantivesse, seriam registrados 1.854 óbitos até o fim deste ano, 189% acima de 2019.

Já nos registros de óbitos por pneumonia, foram 516 mortes até 23 de abril, o que já se aproxima dos 643 óbitos registrados nos 12 meses do ano passado. Os dados são do Portal da Transparência da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen), que computa o número de registros de óbitos em cartórios do país.

“Só temos notificações dos casos graves, ou suspeita de Covid-19 ou caso confirmado, que são apenas os casos que chegam às UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] ou aos hospitais. Na porta da UPA ou hospital, mesmo com todos os sintomas, pacientes não são nem atendidos. E aí é uma limitação tamanha no sistema de notificação que nem os casos graves a gente está computando”, avalia a epidemiologista Naiza Sá. “Nem a totalidade dos casos graves suspeitos está no levantamento, o que é muito grave. Uma coisa é não ter testes, mas outra é não ter dados sequer de casos suspeitos.”

Profissionais de saúde são quase a metade dos casos confirmados

Do lado de dentro do Hospital de Campanha, o Hangar, a situação é “exaustiva e assustadora”, resumiu o médico que chamaremos de Romualdo, para proteger a identidade do profissional. “A gente já entra no plantão sabendo que vários pacientes devem morrer nas próximas horas”, contou.

“Muitos médicos são grupos de risco, estão afastados da linha de frente. Muitos profissionais também estão afastados por motivos de saúde, com sintomas de Covid-19”, lamentou. “E, além disso, tem o receio de o pessoal vir a adoecer, se contaminar em ambiente de trabalho e levar pra casa”, disse, ecoando um receio unânime entre os profissionais de saúde.

A debandada das escalas de serviço por causa da doença atingiu níveis alarmantes: 42% dos doentes de Covid-19 nos registros oficiais são profissionais da saúde, segundo o Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa). “As condições de trabalho dos médicos não são boas, a começar pela questão dos equipamentos de proteção individual, por exemplo”, diz o diretor de imprensa do Sindmepa, Wilson Machado, repetindo o relato de um cenário que ocorre em todo o Brasil.

“Esse material vai chegando com muita dificuldade para profissionais de saúde. E, quando chega, não está na quantidade suficiente e na especificidade certa.” Com isso, segundo o diretor do sindicato, “as coisas ficam cada vez mais graves, porque diminui muito a quantidade de médicos por afastamento de questão de saúde”.

Os afastamentos agravam a má distribuição de médicos, uma vez que o Pará tem o segundo pior índice de médicos em relação à população no país, ficando à frente apenas do Maranhão. Segundo a Demografia Médica no Brasil, organizada pelo Conselho Federal de Medicina em 2018, a razão de médicos pela população paraense é de 0,97, enquanto a mais elevada é a do Distrito Federal, com 4,35. No comparativo regional, o Norte também fica na última posição, com índice de 1,16.

Somam-se a isso, na avaliação do Sindmepa, os vínculos empregatícios precários entre médicos e instituições públicas e privadas. “Não existe vínculo pela CLT [Consolidação das Leis Trabalhistas] ou por contrato formal que preveja uma segurança mínima ao profissional”, diz Machado.

“Aquele médico que está ali, trabalhando, está muito mais sujeito à contaminação e ao risco de morrer.” Esses profissionais ganham por produtividade, o que significa que, “se ele se afasta e deixa de produzir, ele deixa de ter renda, não tem segurança”, completa o diretor. “E, se ele morrer, não deixa absolutamente nada para garantir o futuro de sua família.”

“Não tem atendimento”

A cabeleireira Susiane Brito, de 25 anos, peregrinou com o sogro de 50, que é diabético, procurando atendimento em Belém. Na UPA do bairro da Terra Firme, de portas fechadas, ainda na segunda-feira, dia 20, um segurança informou: “Não tem atendimento”.

A UPA estava lotada. “Ele estava com todos os sintomas. Até vômito ele teve. Ficava mal, depois passava. Aí levamos à UPA, mas só conseguimos atendimento na Policlínica”, contou Susiane.

De lá, ele foi transferido para o Hangar. Na tarde da quinta-feira, ela também estava junto ao grupo de familiares no aguardo de boas notícias. “Não estão falando nada. Passamos 12 horas sem informação. A única informação veio de uma assistente social, que disse que ele estava bem.”

Para a epidemiologista Naiza Sá, é exatamente o baixo índice de cobertura em atenção básica que agrava o colapso da rede em Belém. “A atenção primária à saúde já estava operando no limite porque a cobertura é baixíssima; a taxa de cobertura de dezembro de 2019 não chega a 38% da população”, diz ela.

“Os casos mais leves não estão sendo tratados. E esse cenário tem a ver com o subfinanciamento da saúde, consolidado com a Emenda Constitucional 95, de 2016. Simplesmente a população aumenta, se modifica, mas o investimento para o SUS é o mesmo”, completa.

Apesar do aumento no fluxo de pacientes, há apenas cinco UPAs e outras duas unidades de pronto-socorro, uma realidade comum às demais capitais do Norte. A região tem a menor d

istribuição de unidades de pronto atendimento na rede pública em comparação com o restante do país e até mesmo com a região Centro-Oeste, que tem menos habitantes e extensão territorial muito inferior.

A região possui 77 unidades para cerca de 18 milhões de habitantes, enquanto o Centro-Oeste dispõe de 100 unidades para aproximadamente 16 milhões de pessoas.

Na sequência, está o Nordeste, com 217 estabelecimentos de pronto atendimento, o Sul, com 252, e o Sudeste, com 582, de acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Sensação de impotência

“Todo dia o noticiário diz que o sistema da região metropolitana de Belém está quase em colapso. É isso mesmo na linha de frente.” A avaliação é de um médico cuja identidade será resguardada, que atua em uma unidade básica de saúde pelo programa Mais Médicos, além de prestar plantões em UPAs de Belém e municípios metropolitanos. “A sensação é de impotência total”, diz ele. “As UPAs não têm EPI, falta material de assistência, como fornecimento de oxigênio.”

Entre os dias 15 e 16 deste mês, ocorreu um ponto de inflexão na rede de atendimento. E o gargalo está situado justamente na atenção básica, ele confirma.

“Os pacientes com suspeitas clínicas, com sintomas sugestivos, precisariam ser triados. Aqueles com sintomas leves podem ficar em casa; moderados ou potencialmente graves precisam de atendimento. Essa triagem seria feita na Unidade Básica de Saúde e, em último caso, na UPA. Mas a nossa atenção básica é péssima. A gente não consegue fazer a triagem”, avalia o profissional.

Isolamento social

Em live transmitida na noite de quinta-feira, dia 23, o governador Helder Barbalho disse que o índice de isolamento do estado estava em 50,9%, o que colocava o Pará em sétimo lugar no ranking nacional. Mas, assim como em outras cidades brasileiras, zonas de comércio popular e periferias da cidade ainda têm grande circulação de pessoas.

Um comportamento que, em grande medida, tem raízes no índice de informalidade, que no Brasil chega a 41,1%, cerca de 38,4 milhões de trabalhadores, mas que no Pará alcança 62,4% deles, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua).

Na informalidade, não há segurança contratual, tampouco acesso a direitos como licenças saúde ou seguro desemprego. Em bairros pobres como o Guamá e no mercado do Ver-o-Peso, a circulação é intensa.

“A questão do isolamento social no estado, a gente não teve muita adesão. E a gente percebe que a adesão é maior na classe média. A população com menor renda não tem como, precisa estar trabalhando, não tem segurança financeira”, observa a epidemiologista Naiza Sá, elencando outros índices, como o atendimento total de esgoto, que em Belém é de apenas 13,56%, semelhante ao de Manaus (AM), 12,43%, e Macapá (AP), 11,13%.

“Na capital só 70% têm acesso a água encanada. É um grande complicador. A principal forma de contenção é o isolamento social e a higienização. Com saneamento baixo, esses casos explodem.”

Apenas uma assistente social faz informes sobre as condições de saúde dos pacientes no Hangar, informam os familiares. “Ela vai de um por um, paciente por paciente, pra saber como ele está. Ontem [quarta-feira, 22], ela entrou às 10 horas e só voltou 7 da noite pra falar com os parentes”, lamenta a cabeleireira Maria Lucicleia Serra, de 48 anos.

Ela aguardava notícias de sua mãe, de 81 anos, que está com sintomas há uma semana. “As pessoas aqui não sabem o que está sendo feito, quais os exames, quais os remédios. Só sabem quando o corpo vai para o IML [Instituto Médico Legal].” A irmã de Lucicleia também está com sintomas leves e acompanha a evolução do quadro em casa.

“O nosso questionamento é o mesmo: há chamada para médicos e enfermeiros, mas e os demais profissionais da saúde?”, indaga a assistente social Luiza Helena, do Conselho Regional de Serviço Social (Cress) do Pará.

“Pelo número de pacientes, há poucos profissionais do serviço social.” Segundo ela, são assistentes sociais que orientam familiares quanto aos procedimentos de prevenção, como lidar com os familiares, e, junto com psicólogos, prestam apoio emocional a pacientes e a outros profissionais da saúde, como auxiliares de limpeza e motoristas de ambulâncias, que também estão superexpostos ao coronavírus.

“Os fluxos e protocolos de até então agora estão defasados, precisamos humanizar o atendimento. É uma forma de minimizar o sofrimento desse momento”, diz Luiza.

Com base nos boletins epidemiológicos, pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) publicaram artigo no qual estimam que o pico da epidemia de Covid-19 no Pará, com número máximo de infectados por dia, será por volta de 6 de maio.

Entre as últimas medidas, além de colocar em funcionamento outros três hospitais de campanha no interior do estado e habilitar leitos de UTI nos hospitais já existentes, a Sespa informou que convocaria 86 médicos cubanos residentes no Pará para trabalharem durante a epidemia. Com o fim do Mais Médicos, para que pudessem atuar no Brasil, o governo federal proibiu que retornassem a seu país.

O governador anunciou, ainda, que uma parte desses profissionais poderá ser cedida à rede municipal, sem custo, caso a prefeitura de Belém tenha interesse. Perguntamos à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) se a oferta seria acolhida e pedimos dados sobre a habilitação de novos leitos, mas não recebemos resposta.

No Índice de Transparência sobre a Covid-19, estabelecido pela ONG Open Knowledge, o estado do Pará aparece entre as últimas posições do ranking nacional com “baixo nível” de transparência. Nossa reportagem solicitou ao governo do Pará informações sobre equipamentos adquiridos e dados do combate à Covid-19.

Perguntamos também qual o plano de contingência para a epidemia, uma vez que o sistema colapsou pelo menos duas semanas antes do pico. Não obtivemos resposta até o fechamento desta reportagem.

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A um mês do Enem, professores falam sobre uso de redes sociais

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E dão dicas de como aproveitar essas ferramentas para fixar conteúdo

© Álvaro Henrique / Secretaria de Educação do DF

Ao som de gritos, a professora de história Natasha Piedras entra correndo em um quarto. Acima da cena, aparece a legenda: “Dom João VI fugindo de Portugal”. Logo em seguida, a professora aparece novamente entrando pela mesma porta, agora com um chapéu preto e uma vareta simulando uma espada, com a legenda: “Napoleão Bonaparte”. Em um vídeo de cinco segundos, Natasha fala sobre a vinda da família real portuguesa para o Brasil em 1808, em meio à ameaça do imperador francês de invadir o reino de Portugal.

O vídeo recebeu mais de 7,7 mil curtidas no Instagram e mais de 24 mil no Tik Tok. De forma descontraída, escolas, cursinhos e professores têm usado as redes sociais para tratar de conteúdos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A um mês das provas, que serão realizadas nos dias 21 e 28 de novembro, eles dão dicas de como aproveitar essas ferramentas para fixar o conteúdo e também fazem alertas sobre os cuidados necessários para não perder o foco dos estudos e não acessar conteúdos com informações erradas.

“Um mês para o exame, a gente diz que é a reta final. Um momento de foco total. A internet pode ser uma aliada, claro, mas não é o momento de ficar horas nas redes sociais. Embora a internet ajude, ela pode ser uma distração. É bom focar nas aulas e ter a internet como algo complementar”, diz Natasha, que é professora do Descomplica, ambiente virtual que oferece cursos preparatórios para o Enem.

As aulas, segundo a professora, são importantes, até mesmo para que o estudante entenda as piadas nas redes. “Quando estou pensando para o Tik Tok um vídeo sobre processo de Independência do Brasil, claro que quero que o aluno tire daquele vídeo alguma coisa mas, para isso, ele precisa de um conhecimento prévio sobre a Independência, precisa ter assistido uma aula sobre o assunto. Assistiu a aula, entendeu minimamente o assunto, um vídeozinho desse no Tiktok vai fazer com que ele, de repente, absorva um pouco mais, mas de maneira leve”.

Redes sociais na pandemia

O estudo Digital 2021: Global Overview Report, da Hootsuite e We are Social, mostra que somente no último ano as redes sociais ganharam meio milhão de novos usuários em todo o mundo, o que representou um crescimento de mais de 13%. Agora, são 4,2 bilhões de pessoas conectadas, o que representa 53% de toda a população mundial.

O Brasil está entre os países que mais usam redes sociais no mundo, ocupando o terceiro lugar no ranking, depois das Filipinas e da Colômbia. Os usuários brasileiros passam, em média, 3 horas e 42 minutos nas redes sociais por dia – tempo acima da média mundial de 2 horas e 25 minutos.

“Não é um fenômeno de agora, mas com a pandemia o uso das redes sociais foi potencializado por causa desse período remoto, que fez com que muitos alunos, que não tinham o hábito de navegar na rede passassem a buscar mais informações e a acessar mais. Os professores que antes não postavam passaram a postar”, diz o professor de química dos colégios Santo Agostinho e São Bento, no Rio de Janeiro, e também criador do canal Química Nota Dez, Silvio Predis.

Mais conteúdo na rede exige, no entanto, mais cuidado. Segundo o professor, é preciso buscar informações sobre quem está divulgando esse conteúdo, se é algum professor, se tem boa formação e, se possível, perguntar na escola ou no cursinho, a professores de confiança, se determinado perfil é indicado. “Há conteúdos com uma qualidade muito alta e conteúdos com vários erros”, diz.

Maior alcance

As redes sociais ajudaram a professora de redação e fundadora do Marka Texto Redação e Linguagens, Letícia Lima, a chegar a diversas partes do Brasil. Os vídeos que posta no Instagram e Tiktok, com dicas para a redação do Enem, correção de provas e mesmo com erros cometidos pelos estudantes, têm centenas de milhares de reproduções e curtidas.

“Para segurar o jovem hoje em dia tem que ser rápido. Tudo é distração para eles. Tem que ter humor, estar antenado com memes, com o que está em alta, o que é engraçado. A gente se baseia muito nisso”, afirma.

Porém, além de divertir e informar, as redes sociais podem também ser ambientes muito tóxicos, de acordo com a professora. “Existem muitos perfis que projetam uma ideia de rotina de estudo que é impraticável e inalcançável. Essa comparação [com outras pessoas] pode minar a saúde mental do estudante”, diz. Ela aconselha os alunos a focarem, nesta reta final, na resolução de questões de provas anteriores, na revisão de conteúdos. A familiaridade com a prova, segundo ela, conta muito no Enem.

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Justiça: Duque de Caxias volta a cumprir medidas contra covid-19

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Município liberou uso de máscaras no início do mês

© Divulgação/MP-RJ

Uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro obriga o município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a cumprir as medidas necessárias para o enfrentamento da covid-19. A decisão de ontem (20) foi dada em resposta a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Defensoria Pública.

Desde o ano passado, o MPRJ tem movido ações cobrando que Duque de Caxias cumpra várias medidas, como obedecer a ordem de vacinação dos grupos prioritários do Plano Nacional de Imunização (PNI) contra a covid-19; observar o prazo para aplicação da segunda dose da vacina; e suspender o decreto que liberava o uso de máscaras, até que os dados epidemiológicos locais demonstrassem segurança nesta medida.

De acordo com o MPRJ, todas as ações tiveram decisões favoráveis do Tribunal de Justiça e agora o acórdão da 10ª Câmara Cível negou o recurso da prefeitura contra todas as decisões anteriores. No início do mês, a prefeitura da cidade liberou o uso de máscaras de proteção, decreto que também foi alvo da ação.

Na ação ajuizada pela Defensoria Pública e Ministério Público, os desembargadores acataram somente o recurso da prefeitura para afastar a condenação do município ao pagamento das taxas judiciários e os honorários dos advogados. De acordo com o voto da relatora, desembargadora Patrícia Serra, foi mantida a sentença do juízo da 3ª Vara Cível de Caxias.

A prefeitura de Duque de Caxias foi procurada para se manifestar sobre a decisão judicial, mas não retornou o contato da Agência Brasil.

 

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Rio retoma aplicação de dose de reforço da vacina contra a covid-19

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Calendário por idade estava suspenso por falta de doses da Pfizer

© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O município do Rio de Janeiro retoma hoje (21) o calendário por idade da dose de reforço da vacina contra a covid-19, que estava paralisado desde sexta-feira (15). Podem comparecer aos postos mulheres de 67 anos ou mais e, amanhã, é a vez dos homens. No sábado ocorre a repescagem para todos os idosos a partir dessa idade.

A aplicação havia sido suspensa por causa do atraso na entrega das doses pela Pfizer, única fabricante que está sendo usada no reforço.

Na próxima semana, serão vacinadas as pessoas de 66 e 65 anos, sempre seguindo o calendário por gênero, com um dia para as mulheres, outro para os homens e o terceiro para repescagem. Para os trabalhadores da saúde, o reforço desta semana é para quem tomou a segunda dose em março e na semana que vem devem comparecer aos postos os que completaram o esquema vacinal em abril.

Os adolescentes a partir de 12 anos que ainda não tenham tomado a primeira dose devem comparecer aos postos até o final de outubro. O calendário de aplicação da segunda dose segue conforme a data marcada no comprovante de vacinação.

Painel da vacinação

Até o momento, o painel da vacinação da Secretaria Municipal de Saúde indica que 465 mil idosos a partir dos 65 anos já receberam a dose de reforço. Porém, na faixa a partir de 70 anos, 176 mil pessoas que completaram o esquema com as duas doses da vacina contra a covid-19 ainda não retornaram aos postos para receber a dose de reforço.

Da população total do município, 89,6% já receberam a primeira dose e 61,8% estão com o esquema completo, de duas doses da Pfizer, CoronaVac ou AstraZeneca ou a dose única da Janssen. Considerando o público-alvo da campanha, a partir de 12 anos, 99,4% da população do município recebeu a primeira dose e 72,1% completou o esquema vacinal. Ainda há 45 mil adolescentes de 12 a 17 anos que não tomaram a primeira dose da vacina. Agência Brasil

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Inscrições para o Exame Nacional de Residência começam hoje

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Candidatos poderão se inscrever até o dia 8 de novembro

© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Começam hoje (20) e vão até o dia 8 de novembro as inscrições para a edição 2021 do Exame Nacional de Residência (Enare). As provas estão marcadas para o dia 12 de dezembro deste ano. Tanto o acesso ao edital como as inscrições podem ser feitas por meio do site do Enare. Para acessar o endereço eletrônico, clique aqui.

O Enare foi criado em 2020 para otimizar a forma de seleção dos residentes. Mais de 3,2 mil vagas de residência das áreas médica, multi e uniprofissional serão ofertadas em 81 instituições distribuídas em todo o país.

De acordo com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal responsável pelo edital, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), esta edição apresentou um crescimento de aproximadamente 800% no número de vagas e de 900% no número de instituições participantes, na comparação com o último certame.

Na edição deste ano, as provas serão realizadas em todas as capitais e em mais 23 cidades: Feira de Santana (BA), Ilhéus (BA), Imperatriz (MA), Uberlândia (MG), Caratinga (MG), Juiz de Fora (MG), Montes Claros (MG), Dourados (MS), Sinop (MT), Campina Grande (PB), Cascavel (PR), Guarapuava (PR), Londrina (PR), Nova Iguaçu (RJ), Passo Fundo (RS), Pelotas (RS), Bauru (SP), São Carlos (SP), São José do Rio Preto (SP), Campinas (SP), Araguaína (TO), Petrolina (PE) e Joinville (SC).

Classificação

A Ebserh explica que o sistema de classificação é semelhante ao do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para seleção de estudantes da graduação em universidade federais. Depois das provas, o candidato terá a nota alcançada na especialidade escolhida e poderá utilizá-la para indicar onde pretende atuar. O sistema fica aberto por um tempo determinado para que cada candidato registre o local de sua preferência. As melhores notas se sobrepõem às menores, determinando, no fechamento do sistema, quem ocupará as vagas. Em seguida, ele é aberto novamente para preencher as vagas ociosas e para a formação de cadastro reserva.

Em 2020, houve a oferta de 405 vagas para oito hospitais da Rede Ebserh/MEC e um hospital militar. Foram 304 para 41 especialidades de residência médica, oito para a residência uniprofissional (entre enfermagem e física médica) e 93 para a residência multiprofissional, que incluiu enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, odontólogos, nutricionistas e profissionais de educação física. Com o aumento de vagas deste ano, a Ebserh espera uma maior diversificação nas especialidades profissionais.

A Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.

 

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Capital paulista adota intervalo de 21 dias para doses da Pfizer

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O intervalo para a AstraZeneca continua sendo de 12 semanas

vacina Pfizer© Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

A partir de hoje (20) a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS) adotará o intervalo de 21 dias entre a primeira e a segunda dose do imunizante contra a covid-19 da Pfizer para pessoas acima de 18 anos de idade. O público estimado a ser beneficiado com essa redução no intervalo é de 82.804 pessoas. A redução do prazo de 56 para 21 dias não é válida para adolescentes. Para os jovens de 12 a 17 anos de idade, o intervalo entre as doses permanece de oito semanas.

Segundo informações da secretaria, a redução do intervalo foi possível porque a prefeitura recebeu ontem (19) 357.354 doses da vacina.

O intervalo para a segunda dose da AstraZeneca continua sendo de 12 semanas e para a Coronavac, de 28 dias, de acordo com a orientação dos programas Nacional e Estadual de Imunizações (PNI e PEI). A intercambialidade com o imunizante da Pfizer nos eventuais períodos em que a vacina da AstraZeneca estiver indisponível na rede está permitida.

“A SMS reforça a importância de completar o esquema vacinal, inclusive, com a dose adicional. Também é recomendada à população que acompanhe a disponibilidade de segundas doses dos imunizantes por meio da plataforma De Olho na Fila”, disse a secretaria em nota. Agência Brasil

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Máscara contra covid-19 deixará de ser obrigatória no Rio

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No início da semana, a prefeitura do Rio já havia ampliado a flexibilização na cidade

A capacidade de público em estádios de futebol na cidade foi ampliada 50% da lotação máxima. Boates e danceterias, no entanto seguem sem poder funcionar (Christian Adams/Getty Images)

 

A prefeitura do Rio deverá autorizar a circulação de pessoas sem o uso de máscaras em locais abertos a partir da próxima terça-feira, 26. O motivo é o avanço da cobertura vacinal contra a covid-19 na cidade. Os números de internações e mortes pela doença seguem em queda.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a prefeitura planeja que a reabertura da cidade se intensifique quando 65% da população carioca tiver o esquema vacinal completo (com duas doses ou dose única, dependendo o imunizante). Esse processo incluirá a liberação de circulação sem máscaras em locais abertos. Pelo ritmo da vacinação atual, a prefeitura estima que o índice será atingido no início da semana que vem.

No início da semana, a prefeitura do Rio já havia ampliado a flexibilização na cidade. Um decreto publicado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) na segunda-feira autorizou que cinemas, teatros, shoppings, centros comerciais, museus e outros locais de eventos passassem a funcionar com 100% de sua capacidade.

A capacidade de público em estádios de futebol na cidade foi ampliada 50% da lotação máxima. Boates e danceterias, no entanto seguem sem poder funcionar.

Especialistas ouvidos pelo Estadão apontam que o fim do uso obrigatório de máscaras é uma questão que deve considerar planejamento, dados sobre o avanço da pandemia e cautela dos gestores. A discussão ocorre em um momento em que já é possível ver uma parcela da população abdicando do uso da proteção facial nas ruas. A eficácia da máscara na proteção já foi comprovada em estudos.

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