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Brasil

Cobrança de R$ 200 em Ituberá causa descontentamento em festival

Foto: Reprodução

Uma taxa de R$ 200 está causando insatisfação entre os participantes do Universo Paralello, um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, que acontece na Praia de Pratigi, em Ituberá, na Bahia. Nas redes sociais, os visitantes criticam o valor e dizem que isso pode aumentar os custos da viagem e desmotivar o turismo local.

A prefeitura informou na última quinta-feira (16) que a Taxa por Uso do Patrimônio de Ituberá (TUPI) será cobrada de turistas e visitantes que não moram na cidade. Esse valor é maior do que em outras cidades que adotam taxas similares. Apenas Fernando de Noronha (PE) tem uma taxa ambiental maior, de R$ 100 por dia.

Em comparação, em Morro de São Paulo (BA) a taxa é de R$ 50 por visitante; em Jericoacoara (CE) é R$ 41,50; e em Santo Amaro (MA) apenas R$ 10. Em Bombinhas (SC), Ubatuba (SP) e Ilhabela (SP), a cobrança é feita por veículo e geralmente fica abaixo de R$ 50.

A prefeitura explica que o dinheiro arrecadado será usado para proteger o meio ambiente, manter as belezas naturais, melhorar a infraestrutura da Praia de Pratigi e reduzir os impactos causados pelo grande número de turistas. A taxa foi criada pela Lei Municipal nº 1.898/2025 e será cobrada por meio de um voucher de R$ 200, válido para todo o período do festival, que vai de 27 de dezembro de 2026 a 4 de janeiro de 2027.

Quem frequenta o Universo Paralello aponta que o festival já exige gastos altos com ingressos, transporte e hospedagem, e que os R$ 200 representam um custo extra importante. Muitos questionam nas redes sociais como essa taxa pode afetar o turismo e pedem mais clareza sobre como o dinheiro será usado.

Guilherme Mariano, desenvolvedor de software que planejava participar do festival pela primeira vez, disse que a taxa pode afetar negativamente o comércio local.

“É um valor que poderia ser gasto em uma refeição ou bebida, algo que agora pode deixar o visitante com vontade, sem consumir. Esse dinheiro poderia ajudar os comerciantes daqui”, comentou.

Ele também afirmou que, se quiser voltar, precisará planejar melhor os gastos.

“Quero ir ao festival há muitos anos, mas pela taxa, da próxima vez preciso pensar melhor se poderei ir”, acrescentou.

Arrecadação

O Universo Paralello não divulga números oficiais de público, mas estima-se que receba entre 20 e 30 mil pessoas por edição.

O evento dura 8 dias, conta com cerca de 1.000 artistas, uma equipe de 2 mil pessoas e ocupa uma área de aproximadamente 500 mil m² na Praia de Pratigi.

Com a cobrança da TUPI de R$ 200, a arrecadação potencial seria:

  • Com 20 mil visitantes, R$ 4 milhões;
  • Com 25 mil visitantes, cerca de R$ 5 milhões;
  • Com 30 mil visitantes, aproximadamente R$ 6 milhões.

No entanto, a organização do festival também comentou nas redes sociais que, se a taxa continuar, o evento pode mudar de local.

Especialistas em economia do turismo dizem que taxas de preservação são importantes para financiar infraestrutura e compensar os impactos ambientais de um grande fluxo de pessoas. Mas eles alertam que valores muito altos, se comparados a outros destinos, podem desagradar os visitantes e prejudicar o turismo no futuro.

O Universo Paralello já tem um público consolidado que ajuda a movimentar a economia local, como hotéis, restaurantes, mercados e postos de combustível. Para alguns críticos, uma taxa mais próxima da média nacional poderia garantir a arrecadação necessária para ações ambientais sem causar tanta resistência dos turistas.

A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Ituberá, mas ainda não recebeu resposta. O espaço está aberto para declarações.

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