O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), desenvolveu o OpEn, uma mistura enzimática criada depois de 15 anos de pesquisas e testes em planta piloto.
Essa tecnologia ajuda a decompor a biomassa vegetal, facilitando a transformação de resíduos agrícolas em produtos valiosos, como etanol de segunda geração, biocombustíveis avançados e matérias-primas para a indústria. Segundo Mario Murakami, diretor do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) do CNPEM, o OpEn é uma solução biotecnológica feita sob medida para as biorrefinarias brasileiras, que pode diminuir em até 50% a emissão de gases causadores do efeito estufa ao usar resíduos industriais como o melaço, assegurando baixo custo e sustentabilidade.
Murakami destaca que foram testadas mais de 80 variações, mostrando a capacidade do Brasil em transformar biomassa em biocombustíveis avançados, produtos químicos e alimentos para animais com eficiência maior do que as enzimas importadas. Atualmente, o país depende totalmente dessas enzimas de fora, e o lançamento do OpEn pretende diminuir essa dependência.
Além de anunciar o produto, o CNPEM lançou uma chamada pública para oferecer o OpEn gratuitamente a pesquisadores, universidades, centros de pesquisa e empresas, visando acelerar a inovação em biotecnologia industrial e fortalecer a cadeia de produção a partir da biomassa no Brasil. O objetivo é colocar o Brasil como líder na bioeconomia mundial, promovendo autonomia tecnológica e criando soluções para bioprodutos, combustíveis para aviação e alimentação animal.
O CNPEM é uma organização social que abriga pesquisas em saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Ele é responsável pelo Sirius, o maior equipamento científico do país, e opera diversos laboratórios nacionais, como o de Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além da Diretoria Adjunta de Tecnologia e da Ilum Escola de Ciência.

