A Confederação Nacional da Indústria (CNI) confirmou que o crescimento da economia brasileira deve ser de 2% em 2026, mantendo a previsão anterior para o Produto Interno Bruto (PIB).
Por outro lado, a CNI revisou para cima a expectativa de inflação para este ano, citando pressões no preço de alimentos, combustíveis e serviços.
A economia brasileira deve continuar crescendo de forma moderada, impulsionada principalmente pelos setores de mineração, agricultura e serviços que têm demonstrado resistência.
Segundo Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI, o crescimento continuará apoiado nos setores relacionados às commodities e no estímulo à demanda, mas juros altos e a política fiscal limitada dificultam uma expansão maior.
A indústria teve sua previsão elevada, especialmente no setor extrativo, beneficiado pelo aumento da produção de petróleo. No entanto, a indústria de transformação enfrenta desafios como o avanço das importações, juros altos e os efeitos da guerra no Oriente Médio, que elevaram custos.
Sete dos 24 segmentos industriais mostram crescimento, indicando uma recuperação seletiva no setor.
O setor da construção civil deve receber incentivo com medidas do governo focadas em crédito para habitação e investimentos em infraestrutura. No campo, a expectativa é de uma safra recorde, principalmente de soja, e aumento da produção animal, o que levou à revisão positiva para a agropecuária.
Os serviços terão crescimento inferior ao previsto anteriormente, suportado pelo mercado de trabalho e vendas no varejo, mas afetado pelo aumento da inadimplência, endividamento das famílias e juros altos.
Devido à inflação persistente e ao cenário fiscal desafiador, a CNI reduziu a projeção para a queda da taxa básica de juros, esperando apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual durante 2026.
Externamente, a guerra no Oriente Médio ainda representa o maior risco para a economia brasileira, elevando os custos de combustíveis, energia e fertilizantes. A CNI acredita que essa pressão tende a diminuir com o aumento esperado da oferta global de petróleo ao longo do ano.
A entidade também alerta para o avanço das importações de bens de consumo, consequência da desaceleração da indústria nacional, além do risco da possível ampliação das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o que pode prejudicar as exportações em 2026.


