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sábado, 28/02/2026

Chuvas em Minas Gerais causam mais mortes em 20 anos

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Dados recentes da Defesa Civil de Minas Gerais mostram que o atual período chuvoso, iniciado em 1º de outubro de 2025 e com previsão para terminar no final de março, é o mais letal dos últimos 20 anos no estado. A chuva intensa desta semana na Zona da Mata atingiu principalmente as cidades de Juiz de Fora e Ubá.

Até a tarde de sexta-feira, 27, foram registradas 65 mortes entre essas duas cidades, sendo 59 em Juiz de Fora e 6 em Ubá, segundo o Corpo de Bombeiros. Além disso, quatro pessoas estão desaparecidas e muitas famílias ficaram sem casa devido a deslizamentos, enchentes e queda de edifícios.

No total, Minas Gerais registrou 81 mortes neste período chuvoso, ultrapassando as 74 mortes do período de 2019-2020, quando as chuvas intensas ocorreram em várias regiões do estado. Naquele ano, cidades como Belo Horizonte, Florestal, Ibirité, Viçosa e Diamantina tiveram volumes de chuva acima do esperado para o ano todo.

Desta vez, as mortes se concentram nas cidades mais afetadas pelos fortes temporais recentes, e o número pode aumentar, pois ainda há pessoas desaparecidas e as chuvas devem continuar em março.

De acordo com a Defesa Civil, das mortes registradas desde outubro, 62 foram em Juiz de Fora, 6 em Ubá, 4 em Eugenópolis, e outras cidades como Muriaé, Sabará, São Thomé das Letras, Pouso Alegre, João Pinheiro, Porteirinha, Santana do Riacho e Santa Rita de Caldas tiveram uma morte cada.

Um óbito registrado na tarde de sexta-feira ainda não constava nos boletins oficiais, elevando o total para 81 vítimas.

Gestão dos recursos

O governo de Romeu Zema (Novo) reduziu em 95% os gastos com o Programa de Suporte às Ações de Combate e Resposta aos Danos Causados pelas Chuvas, passando de R$ 134,8 milhões em 2023 para R$ 5,8 milhões em 2025, segundo dados do Portal da Transparência do Estado.

O governo ressalta que esses números não incluem investimentos em grandes obras de prevenção, como piscinões na Região Metropolitana de Belo Horizonte, estimados em R$ 200 milhões, nem a compra de kits para a Defesa Civil que atendem mais de 600 municípios, com custo de cerca de R$ 70 milhões.

Em Juiz de Fora, onde cerca de 25% da população vive em áreas de risco, apenas 16,5% da verba federal destinada para obras de contenção de encostas via Programa de Aceleração do Crescimento foi utilizada. Dos R$ 70,2 milhões previstos para três contratos, a prefeitura aplicou R$ 11,56 milhões.

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Juiz de Fora tem a 9ª maior população do país vivendo em áreas de risco. Na última quarta-feira, 25, a Defesa Civil informou a 800 famílias que deveriam deixar suas casas por segurança.

A prefeitura explicou que obras federais de grande porte seguem um rigoroso processo técnico e de fiscalização. Desde 2023, já foram investidos quase R$ 22,1 milhões em intervenções em áreas de risco mapeadas pela Defesa Civil.

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