DANIELE MADUREIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O nome científico do cacau, Theobroma cacao, que significa “alimento dos deuses”, foi dado pelo botânico suíço Carl Linnaeus em 1753, em homenagem à origem amazônica da planta.
Acredita-se que o cultivo do cacau tenha começado há mais de 5 mil anos na área do Equador, expandindo-se posteriormente pela Mesoamérica, onde civilizações como os olmecas, maias e astecas utilizavam o cacau em rituais religiosos e para produzir uma bebida amarga chamada “xocolatl”.
Com a colonização espanhola, o cacau e sua bebida foram introduzidos na Europa, onde o chocolate era visto como um produto nutritivo, medicinal e afrodisíaco. Inicialmente, seu consumo era restrito à nobreza e às classes mais abastadas. Nesta segunda-feira (7), comemora-se o Dia Mundial do Chocolate, marcando o ano de 1550, quando o produto teria chegado à Europa.
Hoje, cerca de cinco séculos depois e com intensa industrialização, o chocolate movimenta um mercado global de US$ 133,5 bilhões (R$ 722 bilhões), com uma comercialização anual estimada em 7,4 milhões de toneladas, conforme dados da Euromonitor. Enquanto o consumo global está em declínio desde 2022, projetando uma queda de 1,2% em volume para este ano, no Brasil observa-se crescimento, com previsão de aumento de 2,9% até 2025, atingindo 385,8 mil toneladas.
Mesmo com o acréscimo no volume consumido, os preços subiram significativamente: de 2020 a 2025, o faturamento das vendas de chocolates no varejo brasileiro aumentou 128%, enquanto mundialmente o crescimento foi de 39,5%.
Essa combinação indica que o brasileiro consome um pouco mais chocolate, porém paga preços muito mais elevados, destaca Adriana Murasaki, analista da Euromonitor International. Para o consumidor local, o chocolate permanece uma indulgência, um produto do tipo “eu mereço”.
Para sustentar o avanço nas vendas apesar dos preços altos, a indústria aposta em porções reduzidas, como bombons e tabletes em torno de 90g, inclusive nas marcas premium.
O Brasil figura como o quinto maior mercado mundial em volume, atrás de Estados Unidos, Rússia, Alemanha e Reino Unido, e sexto em valor, ficando atrás da França.
Nos Estados Unidos, maior consumidor global, o volume de compras diminuiu, com queda de 6,1% nas vendas unitárias de snacks doces em 2023, influenciado pelo aumento dos preços e outras tendências de consumo.
No Brasil, o valor dos chocolates acompanhou uma escalada, subindo 15,6% entre janeiro e maio de 2024 comparado ao mesmo período de 2023, segundo Gabriel Fagundes, da NielsenIQ. A indústria tem investido em chocolates com biscoito e recheios para reduzir a quantidade de cacau necessária, amenizando o impacto do custo da commodity.
O preço do cacau atingiu picos recordes recentemente, chegando a US$ 11.675 por tonelada, o que elevou o custo do chocolate no Brasil em 12%, superando a inflação oficial.
Embora o fornecimento global tenha se estabilizado, contratos recentes de proteção cambial fixam atualmente o preço da tonelada em torno de US$ 8.100, ainda substancialmente maior que os US$ 3.500 pagos há dois anos.
Apesar desses altos valores, o cacau mantém seu status de produto nobre, quase destinado à elite. Um novo acordo comercial entre Mercosul e Efta pode permitir a importação de chocolates suíços ao Brasil sem tarifas, fortalecendo o mercado premium.
Atualmente, o volume de chocolates importados corresponde a cerca de 5% do consumo nacional, totalizando 8.700 toneladas no primeiro semestre de 2024, segundo a Abicab.
A fabricante suíça Lindt & Sprüngli, uma das líderes globais no segmento premium, mantém forte presença no país desde 1969. O Brasil foi destaque de crescimento para a marca, com aumento de vendas de 17,7% em 2023, superando o crescimento global de 4,9%.
Desde 2014, a Lindt tem operação direta no Brasil, com 91 lojas em 15 estados e cerca de 600 colaboradores.
