Pular para o conteúdo
Dólar R$ 5,08 ▼ 0,57% Euro R$ 5,87 ▼ 0,00% Libra R$ 6,84 ▼ 0,18% Bitcoin R$ 333.134 ▲ 0,34%
Publicidade
Política

Centrão fecha acordo para votar nova regra eleitoral em novembro

Um grupo de dez partidos do centrão está preocupado com a força do PL e por isso fecharam um acordo para votar uma reforma eleitoral na primeira semana de novembro, antes da posse dos novos deputados.

O objetivo é reduzir o poder dos puxadores de votos como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), garantindo que os partidos do centro mantenham sua influência no Congresso.

Ainda não há consenso entre os deputados sobre qual modelo de voto usar. Uma reunião marcada para o dia 28 vai decidir entre o sistema distrital misto, que divide as vagas entre regiões e listas partidárias, ou o distritão, onde os mais votados são eleitos diretamente.

O sistema usado hoje é a eleição proporcional com lista aberta, em que votos dados aos candidatos somam para definir quantas vagas cada partido terá, e depois as cadeiras vão para os candidatos com mais votos, desde que eles tenham pelo menos 10% do quociente eleitoral. Esse método fez com que candidatos bolsonaristas ganhassem espaço às custas do centrão. Nikolas e Pavanato foram eleitos com mais de três milhões de votos cada, ajudando a aumentar as cadeiras do PL de Minas Gerais e de São Paulo.

Publicidade

O PL terá a maior bancada desde 1990, com 121 deputados federais, crescendo em comparação com os 99 eleitos anteriormente. Enquanto isso, o centrão perdeu mais de 20 cadeiras. A federação União Brasil-PP, o maior grupo do bloco, deve cair de 97 para 87 deputados.

O centrão entende que, sem agir, perderá ainda mais força nas próximas eleições, já que estratégias tradicionais de ocupar cargos e distribuir emendas não foram suficientes. Por isso, quer aprovar a mudança no sistema eleitoral antes que os novos eleitos assumam.

A decisão foi discutida em reunião na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), onde dez partidos declararam apoio à reeleição dele e afirmaram que vão atuar juntos no próximo mandato. Os líderes do PSD, Republicanos, MDB, Podemos e de federações como União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade participaram.

Atualmente, esses partidos têm 271 votos na Câmara, mas deverão cair para 252, abaixo da maioria de 257 deputados.

O grupo ainda discute qual modelo adotar. O distritão, que elege diretamente os mais votados, enfrenta resistência de partidos maiores como o PT e de deputados que dependem dos votos dos colegas para se eleger.

Além disso, o distritão exige uma mudança na Constituição que precisa de pelo menos 308 votos na Câmara para ser aprovada. Uma proposta similar foi rejeitada em 2015 por 267 a 210 votos.

Por isso, alguns, como o PSD, preferem o distrital misto, que pode ser aprovado por projeto de lei e já está sendo negociado por deputados do partido.

Nesse sistema, metade das cadeiras é preenchida por votação estadual em listas partidárias, e a outra metade por eleição majoritária em distritos, onde vence quem recebe mais votos. Os defensores acreditam que isso aproxima eleitores e deputados, mas os críticos dizem que pode favorecer interesses regionais e governadores, o que preocupa parte do centrão.

Até novembro, os partidos do centrão tentarão resolver essas diferenças e buscar apoio de siglas de esquerda e centro-esquerda para garantir a aprovação da reforma antes da posse dos novos parlamentares.

Publicidade
Boletim Imprensa Pública

Comece o dia bem informado

O essencial do DF, do Entorno e do Brasil, de graça, no seu e-mail.