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Ceará usa estratégia adotada em Brumadinho para conter expansão do óleo

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As medidas preventivas começaram a ser usadas para evitar que outras praias e rios sejam alcançadas pelo vazamento de óleo que atinge o Nordeste

Nordeste: praias do litoral brasileiro foram tomadas por óleo de vazamento (Adriano Machado/Reuters)

Fortaleza — Medidas preventivas começaram a ser adotadas para evitar que outras praias e rios do Ceará sejam alcançadas pelo vazamento de óleo que atinge o Nordeste. A exemplo de outros Estados, como Pernambuco e Sergipe, o governo cearense iniciou a instalação de barreiras para contenção da substância.

O titular da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) do Ceará, Artur Bruno, explicou que óleo que atinge Nordeste é denso e penetra até meio metro de profundidade na água e, portanto, as contenções utilizadas para barrar a substância até o momento não estão sendo eficazes. Após um estudo realizado com apoio da Marinha, da Universidade Federal do Ceará (UFC) e de empresas privadas, chegou-se a esse novo método, já utilizado em Brumadinho (MG).

“Colocamos uma barreira comum em cima, fixamos uma aba especial de rede no fundo do mar e adicionamos correntes em baixo para que funcionasse como uma espécie de âncora. Dessa forma, a mantra que tem de três a quatro metros de profundidade segura o óleo”, disse o titular da pasta.

Inicialmente, as redes estão sendo colocadas na foz do Rio Jaguaribe, em Fortim, município distante cerca de 132,8 quilômetros de Fortaleza. Serão três equipamentos em pontos específicos do local. Duas delas já foram posicionadas e a terceira tem conclusão prevista para este domingo, 10.

Segundo o governo do Ceará, o equipamento possui 1,2 mil metros de extensão. O secretário da Sema afirmou que as barreira foram posicionada nas duas margens e em outro ponto mapeado. Com isso, caso as manchas de óleo ultrapassem uma das barreiras, ficariam presas nas contenções seguintes.

A opção por subdividir o material em três partes acontece para não bloquear a navegabilidade da área, que possui tráfego intenso devido à pesca e ao turismo. A ação foi realizada em comum acordo com a Colônia de Pescadores e a Secretaria de Meio Ambiente de Fortim.

Caso a experiência com a medida obtenha êxito, elas serão aplicadas em outros locais do Estado. “Nós acreditamos que é eficiente. Há monitoramento do equipamento 24 horas por dia por uma empresa, em alto mar, com auxílio de barcos”, destacou Bruno.

Segundo balanço do Ibama de quinta-feira, 7, 409 localidades do Nordeste foram afetadas pelo óleo. Do total, 28 pontos ficam no Ceará, dos quais 11 ainda apresentam manchas ou fragmentos de petróleo.

Aproximadamente 11 toneladas da substância foram retiradas do Ceará. Nesta semana, sete toneladas foram removidas de praias do município de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza.

Limpeza

O Consórcio do Nordeste, que conta com participação dos chefes dos executivos estaduais da região, colocou o assunto em pauta. Conforme Bruno, há a cobrança de medidas mais incisivas do Governo Federal, pois os Estados têm arcado com despesas de limpeza dos rios, por exemplo, e a compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), que, segundo o secretário, tem alto custo. O colegiado vai requerer ainda uma reunião com ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para tratar do assunto.

 

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Instituições de ensino têm até dia 25 para aderirem ao ProUni

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ProUni oferece bolsas de estudos integrais e parciais em instituições particulares, com base no desempenho no Enem e em critérios de renda

No primeiro semestre deste ano foram ofertadas cerca de 244 mil bolsas de estudo
(foto: Agência Brasil)

Instituições de ensino superior privadas têm até a próxima segunda-feira (25) para manifestar interesse em participar do Programa Universidade Para Todos (ProUni) do primeiro semestre de 2020. Todos os procedimentos operacionais serão efetuados exclusivamente por meio do Sistema Informatizado do Prouni (Sisprouni).

O edital que torna público o cronograma e os procedimentos para emissões de termos de adesão e aditivo ao processo seletivo do primeiro semestre de 2020 está disponível na página do programa.

O ProUni oferece bolsas de estudos integrais e parciais (50%) em instituições particulares de ensino superior, com base no desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e em critérios de renda. Cerca de 1,1 mil instituições em todo país oferecem vagas pelo programa e, em contrapartida, são isentas de tributos pelo governo federal.

No primeiro semestre deste ano foram ofertadas cerca de 244 mil bolsas de estudo em 1,2 mil instituições particulares de ensino. No segundo semestre, o total de bolsas foi 169 mil, em 1,1 mil instituições em todo o país.

O prazo para a adesão das instituições começou em 7 de novembro. Para as universidades que ainda não participaram do programa o prazo foi mais curto e terminou no dia 14.

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Chega a 643 número de localidades afetadas por óleo no Nordeste e no ES

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Ao todo, ao menos 116 municípios de todos os nove Estados do Nordeste e do Espírito Santo foram afetados

(foto: Leandro de Santana/Esp. DP)

O número de praias, rios, ilhas e mangues atingidos por óleo chegou a 643, segundo balanço divulgado, no domingo (17/11), pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ao todo, ao menos 116 municípios de todos os nove Estados do Nordeste e do Espírito Santo foram afetados por fragmentos ou manchas de petróleo cru desde 30 de agosto.

O balanço também indica que 18 localidades ainda estão com manchas de óleo, outras 363 têm fragmentos da substância e 262 são consideradas “limpas”. Os pontos com mais de 10% de contaminação estão exclusivamente em Alagoas (3), na Bahia (10), no Rio Grande do Norte (2) e no Sergipe (3). Dentre os locais em que o óleo foi avistado em monitoramento do Ibama nas últimas 48 horas, estão a Praia de Três Coqueiros, na Bahia, e os manguezais da Ilha do Caju, no Maranhão.

 

 

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Desmatamento na Amazônia nos 12 meses até julho foi o maior em 11 anos

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Entre julho de 2018 e agosto de 2019, o sistema Prodes de monitoramento anual registrou 9.762 quilômetros quadrados de desmatamento

Desmatamento/Incêndios na Amazônia (Gustavo Basso/Getty Images)

São Paulo — Entre 1º de agosto de 2018 e 31 de julho deste ano, o desmatamento na floresta amazônica brasileira cresceu 29,5% sobre o período imediatamente anterior.

Os dados são do Prodes, sistema de satélites que faz o monitoramento anual do desmatamento por corte raso na região, e foram divulgados nesta segunda-feira (18) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O saldo de 9.762 quilômetros quadrados de área desmatada é o maior nos últimos 11 anos, superado pelo período 2007-2008, quando foram registrados 12.911 quilômetros quadrados de área desmatada.

Havia uma grande expectativa em torno desse dados devido aos alertas do Deter, outro sistema do Inpe de análise de imagens de satélite que fornece dados preliminares em tempo real a fim de orientar a fiscalização. O Deter havia indicado uma alta de quase 50% no desmatamento no mesmo período, também na comparação com os 12 meses anteriores.

Os alertas do Deter, que por serem diários são considerados menos precisos, mostram uma perda de 6.840 quilômetros quadrados de floresta entre agosto de 2018 e julho de 2019, ante 4.571 quilômetros quadrados em comparação com o mesmo período 2017-2018.

Crise com governo

O monitoramento do desmatamento na Amazônia esteve no centro de uma das principais crises do governo de Jair Bolsonaro, que adota desde a campanha uma retórica antiambiental.

O estopim foi a divulgação de dados que mostraram que a taxa de desmatamento disparou na primeira metade de julho e superou toda a taxa registrada no mesmo mês no ano passado.

Os dados preliminares dos satélites registraram desmatamento de mais de mil quilômetros quadrados de floresta — 68% a mais do que em todo o mês de julho de 2018.

O presidente Jair Bolsonaro disse que os dados do Inpe eram “mentirosos” e que o presidente do instituto, o cientista Ricardo Galvão, estaria “a serviço de alguma ONG”. Galvão disse que ficou escandalizado com as declarações e acabou sendo exonerado.

Em agosto, Galvão afirmou que o embate entre o governo, principalmente com o Ministério do Meio Ambiente, era uma questão ideológica, mas que ele não poderia deixar de se posicionar.

“Já tivemos, no governo militar, cientistas que honraram seus nomes em defesa da ciência e foram perseguidos também. Eu sabia que minha resposta [sobre ficar escandalizado com o governo] culminaria na minha exoneração, mas era necessário colocar um marco bem claro de resistência, porque não é possível que esse cenário obscurantista esteja retornando ao país”, disse.

Logo depois, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegou a convocar uma entrevista no Palácio do Planalto para apontar falhas no trabalho do Inpe e disse que os números “não refletiam a realidade”, mas acabou por admitir que havia aumento.

Também foi revelado na época que houve um aumento vertiginoso no número de queimadas em agosto, também relacionado ao desmatamento. Foram 30.901 focos no mês, aumento de 196,5% em relação a agosto de 2018.

As informações e imagens sobre a devastação da floresta amazônica correram o mundo e provocaram uma crise internacional sobre a política ambiental adotada pelo governo, colocando em cheque fontes de financiamento para projetos de conservação e a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia.

O governo mudou o tom e tomou medidas como colocar o Exército para combater o problema. Em outubro, a Amazônia registrou o número mais baixo de queimadas para o mês desde o início da série histórica iniciada em 1998.

No acumulado de 2019, no entanto, a quantidade de focos de incêndio na Amazônia ainda é superior a 2018, com 74.605 ocorrências notificadas entre janeiro e outubro, ou 29,4% a mais do que mesmo intervalo do ano anterior.

Cientistas deixam de assinar estudo

Com as represálias do governo em torno das questões ambientais, cientistas de institutos federais do Brasil decidiram não assinar um estudo publicado no periódico Global Challenge Biology, na sexta-feira (15), que analisou as causas e os números da crise das queimadas na Amazônia este ano.

“Alguns colaboradores recusaram a coautoria neste trabalho para manterem-se no anonimato. Lamentamos que isso fosse necessário e gostaríamos de agradecê-los por sua importante contribuição”, diz o estudo na parte dos agradecimentos.

Segundo os autores, que usaram dados do Deter para fazer a estimativa, “pela primeira vez em dez anos o desmatamento pode chegar a dez mil quilômetros quadrados”.

(Com Reuters)

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