GABRIELA CECCHIN
FOLHAPRESS
O Grupo Casas Bahia reduziu quase 12 mil vagas de emprego desde 2023, em um esforço para diminuir custos e tornar as operações mais eficazes.
Essa redução aconteceu junto com o fechamento de lojas e menor investimento. Mesmo depois de melhorias nos resultados operacionais em 2025, a empresa voltou a diminuir seu quadro de funcionários neste ano, antes de entrar com pedido de recuperação judicial no domingo, dia 16.
Uma nova rodada de demissões, que atingiu cerca de 3.000 trabalhadores e incluiu o fechamento de 298 lojas, foi suspensa pela Justiça na terça-feira, dia 18, mas ainda pode ser contestada.
A Casas Bahia explicou que a reorganização envolve várias etapas e períodos diferentes, e que as informações sobre desligamentos estão detalhadas no pedido de recuperação judicial. A empresa afirmou que as medidas foram necessárias para ajustar a estrutura ao tamanho atual da operação.
O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região ordenou que os vínculos de trabalho fossem mantidos provisoriamente e proibiu novas demissões coletivas sem negociação com os sindicatos. Essa decisão, entretanto, não exigiu a reabertura das lojas fechadas.
Desde 2023, quando foi lançado o Plano de Transformação para cortar custos e melhorar a rentabilidade, a Casas Bahia vem reduzindo sua estrutura. Em junho de 2023, o grupo tinha 41.866 funcionários; no final do ano, eram 37.958.
O número continuou caindo em 2024, para 31.739, e em 2025, para cerca de 30.300. No primeiro trimestre de 2026, eram 30.306 empregados, e depois caiu para 30.117. Ao todo, cerca de 11.749 empregos foram eliminados, o que representa 28% do total de funcionários.
O fechamento de lojas também seguiu essa tendência. Em 2023, a rede tinha 1.127 unidades, que caíram para 1.078. Em 2025, outras 34 lojas fecharam, reduzindo o número para 1.042. Nessa época, foram cortados 4.576 postos de trabalho, para aumentar a eficiência e eliminar estruturas que não agregavam valor.
Melhora nos resultados operacionais
As reduções foram acompanhadas por uma melhora nos resultados financeiros da empresa. A margem EBITDA ajustada subiu de 6,1% no primeiro trimestre de 2024 para 9,8% no último trimestre de 2025.
A empresa também aumentou seu fluxo de caixa livre em 2025, chegando a R$ 2,2 bilhões, um acréscimo de R$ 1,2 bilhão em relação ao ano anterior.
Porém, mesmo com a melhora operacional, os desafios financeiros continuaram. Os juros cresceram, afetando os resultados, e a concorrência também pressionou a empresa. Em 2025, o CDI médio subiu de 10,8% para 14,3%, aumentando o custo financeiro.
No primeiro trimestre de 2026, a empresa teve EBITDA ajustado de R$ 597 milhões e fluxo de caixa livre de R$ 852 milhões, mas ainda registrou prejuízo de R$ 1,06 bilhão, principalmente por causa do resultado financeiro.
No segundo trimestre, a situação piorou. Seguradoras limitaram o crédito para fornecedores e uma tentativa de captar recursos no exterior não teve sucesso. Com menos dinheiro disponível, a compra de mercadorias diminuiu.
O estoque caiu de R$ 5,39 bilhões para R$ 4,23 bilhões entre o primeiro e o segundo trimestre, uma redução de R$ 1,16 bilhão.
Nesse momento, a empresa começou a seguir a Fase 2 do Plano de Transformação, para ajustar a estrutura ao volume menor de negócios, incluindo mais cortes de funcionários e lojas. A companhia reservou R$ 502 milhões para custos de reestruturação, incluindo demissões.
Os cerca de 3.000 cortes anunciados em agosto não aparecem nos balanços porque ocorreram depois do segundo trimestre, junto com o fechamento das 298 lojas e o pedido de recuperação judicial, que envolve uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões.
