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quarta-feira, 14/01/2026

Canetas para emagrecer podem atrasar efeito de remédios como anticoncepcionais

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O uso de medicamentos que imitam a ação do GLP-1, como semaglutida (Ozempic, Wegovy), liraglutida (Saxenda) e tirzepatida (Mounjaro), pode causar um atraso na absorção de remédios tomados por via oral, incluindo anticoncepcionais, analgésicos e anticoagulantes. Isso não significa que esses remédios perdem totalmente seu efeito, mas que o início da ação deles pode demorar mais, devido ao estômago esvaziar mais devagar.

Esse assunto ganhou atenção nas redes sociais depois que Laís Caldas, ex-BBB, revelou que engravidou enquanto usava Mounjaro e anticoncepcional oral. Esse caso mostrou que esses canetas para emagrecer podem influenciar diversos medicamentos em comprimidos, não apenas os anticoncepcionais.

O principal efeito desses medicamentos é desacelerar o esvaziamento do estômago. Ao usar liraglutida, semaglutida ou tirzepatida, o corpo age como se a pessoa tivesse acabado de comer. Isso aumenta a sensação de saciedade, reduz a fome e faz o estômago liberar seu conteúdo, incluindo os comprimidos, mais lentamente.

Eduardo Lima, professor da Faculdade de Medicina da USP e cardiologista, explica que esse atraso pode interferir na rapidez com que os comprimidos começam a fazer efeito, mas não na quantidade total absorvida.

Para remédios que precisam agir rapidamente, esse atraso pode ser importante, pois pode deixar o paciente temporariamente sem a proteção ou o efeito esperado. Já para medicamentos usados continuamente, como antidepressivos ou remédios para pressão, o impacto é geralmente menor.

Os estudos mais concretos vêm da tirzepatida, presente no Mounjaro. Uma pesquisa usou paracetamol para testar a absorção e mostrou que a concentração máxima do analgésico caiu pela metade e o efeito demorou cerca de uma hora a mais para começar.

Eduardo Lima afirma que isso não significa que o remédio perdeu o efeito total, mas que o pico de efeito foi menor e atrasado.

Sobre a semaglutida, usada no Ozempic e Wegovy, não há evidências fortes de um efeito relevante. Segundo o endocrinologista André Camara de Oliveira, apesar de possível, não foi comprovado nenhum impacto clínico até agora.

Com relação aos anticoncepcionais orais, mesmo que o tempo total de exposição ao hormônio não mude muito, o atraso inicial pode ser suficiente para diminuir a segurança do método, especialmente nas primeiras semanas de uso da tirzepatida ou durante ajustes de dose.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomenda que mulheres que usam anticoncepcionais orais e tirzepatida adotem outros métodos contraceptivos, como os subcutâneos, transdérmicos, DIU ou métodos de barreira, como camisinha.

No caso da semaglutida, a orientação é manter o uso do anticoncepcional oral, mas a federação sugere, quando possível, optar por métodos que não dependam da absorção intestinal.

Ilza Maria Monteiro, presidente da Comissão de Anticoncepção da Febrasgo, afirma que revisão de seis estudos não encontrou interação entre semaglutida ou liraglutida e anticoncepcionais orais. No entanto, com tirzepatida, observou-se redução relevante nos hormônios contraceptivos.

Usuárias desses medicamentos também podem ter efeitos colaterais como vômitos e diarreia, principalmente no início do tratamento, o que pode atrapalhar a eficácia dos anticoncepcionais e de outros remédios orais.

Além disso, a perda de peso causada por essas medicações pode aumentar a fertilidade, especialmente em mulheres com obesidade ou síndrome dos ovários policísticos, devido à melhora em ciclos menstruais e ovulação, aumentando o risco de gravidez não planejada.

Ilza reforça a indicação de métodos contraceptivos eficazes, pois os efeitos dessas drogas na gravidez ainda não são completamente conhecidos. Por isso, recomenda a suspensão antes de tentar engravidar.

Eduardo Lima acrescenta que estudos com animais mostraram que esses medicamentos podem afetar o desenvolvimento do feto. A recomendação é suspender imediatamente o uso em caso de gravidez e interromper o tratamento de um a dois meses antes de uma gestação planejada, sempre com acompanhamento médico.

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