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Política

Canella espalhou aliados pelo RJ e é citado em investigação

Márcio Canella, deputado estadual eleito e presidente do União Brasil no Rio de Janeiro, foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15). Ele fortaleceu sua atuação política ao apoiar aliados que adotaram seu sobrenome, que hoje estão presentes em Câmaras Municipais e prefeituras da região metropolitana do Rio.

Aliados de Canella nos municípios de Rio de Janeiro, Belford Roxo e São Gonçalo também utilizam o sobrenome em suas assinaturas. A prefeita de Belford Roxo, Mariana Malta, passou a assinar como Mariana Canella após assumir o cargo, posição que antes ocupava como vice-prefeita.

Secretários e candidatos não eleitos na Baixada Fluminense também adotaram o sobrenome político do deputado, ampliando sua influência regional.

Márcio Canella foi detido sob suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis, sendo classificado pela Polícia Federal como líder político do grupo criminoso, que movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões.

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Segundo as investigações, ele seria o elo entre o poder público, a rede econômica e grupos armados relacionados à organização. A defesa do deputado declarou que não teve acesso à decisão judicial e afirmou que Canella confia na justiça e espera que tudo seja esclarecido.

Nas últimas eleições, Canella foi o segundo deputado estadual mais votado no Rio de Janeiro, com 197.178 votos. Antes da prisão, ele já era reconhecido como um dos políticos mais articulados do estado.

Aliado do senador Flávio Bolsonaro, Canella chegou a ser pré-candidato ao Senado, mas desistiu após sua primeira prisão em flagrante no mês de julho, relacionada à posse de arma de fogo encontrada em um veículo.

Dois aliados que usam o sobrenome também estão citados no inquérito: Hugo Correia da Cruz, conhecido como Hugo Canelão, e Jorge Canella. Hugo exerce papel de liderança política em São Gonçalo e é suplente de vereador. Já Jorge Canella, vereador do Rio de Janeiro e ex-tenente-coronel da Polícia Militar, foi preso em setembro por posse irregular de armas e posteriormente libertado.

A investigação da Polícia Federal relaciona o assessor de Jorge Canella a sociedades em postos de combustíveis envolvidos no esquema criminal sem que haja ordem de prisão contra o vereador.

Márcio Canella começou sua trajetória política como secretário em Belford Roxo e foi eleito vereador e deputado estadual. Em 2016, assumiu como vice-prefeito, mas rompeu politicamente com seu principal aliado, Waguinho, em 2022, reorganizando sua base na Câmara Municipal.

Ao dividir apoio político entre presidenciáveis, Canella apoiou Jair Bolsonaro, enquanto Waguinho manifestou apoio a Lula no segundo turno. A adoção do sobrenome Canella por aliados reflete essa estratégia de fortalecimento político, semelhante à usada por Waguinho.

Em 2022, Canella assumiu a presidência estadual do União Brasil e consolidou laços com o presidente nacional do partido, Antonio Rueda, apelidado nas redes como ‘Rueda do Canella’.

Na semana da prisão de Márcio Canella, seu primo Sidney Canella foi eleito presidente da Câmara de Belford Roxo, em uma escolha realizada conforme entendimento dos vereadores, sem nenhum fato específico que a motivasse, segundo a assessoria da Casa.

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