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terça-feira, 24/02/2026

Câmara discute diagnóstico lento de autismo e longas esperas no SUS

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A Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública para discutir o atraso no diagnóstico de autismo em adultos e a falta de serviços específicos para esse grupo. A reunião aconteceu na Comissão Especial que analisa o Projeto de Lei 3080/20, que trata da Política Nacional para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Participantes relataram que o tempo de espera para avaliação no Sistema Único de Saúde (SUS) pode chegar a quatro anos. A deputada Maria Rosas (Republicanos-SP), que presidiu a sessão, ressaltou a importância de criar estatísticas para melhorar as políticas públicas. Segundo ela, sem dados precisos, não é possível saber quantas pessoas precisam de atendimento e onde existem falhas no sistema.

Artur Almeida Medeiros, coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, falou sobre a criação em setembro de uma Linha de Cuidado para pessoas com TEA, que organiza o atendimento no SUS, iniciando pela Atenção Primária. Ele explicou que, em adultos, os sinais de autismo podem ser confundidos ou não percebidos, por isso é fundamental que os profissionais estejam preparados. O ministério ainda trabalha para reunir dados sobre diagnósticos tardios e incluir informações de pessoas com deficiência e TEA nos sistemas do SUS.

Guilherme de Almeida, presidente da Associação Nacional para Inclusão de Pessoas Autistas, chamou atenção para a falta de dados sobre autistas adultos, especialmente os com mais de 45 anos. Ele mencionou que, segundo a ONU, cerca de 20% das pessoas com autismo estão empregadas formalmente e que apenas 0,8% completam curso superior no Brasil. Também destacou que a espera por avaliação no SUS pode durar até quatro anos.

Diagnosticado com autismo aos 36 anos, Guilherme de Almeida defende um protocolo específico para identificar autismo em adultos e a criação de um programa nacional de apoio ao emprego. Para ele, o diagnóstico tardio é uma libertação que ajuda a entender melhor a si mesmo, citando o relato de uma mulher que expressou sua experiência.

Viviane Pereira Guimarães, vice-presidente do movimento Orgulho Autista Brasil, criticou a interrupção do atendimento após os 18 anos, quando muitos perdem o apoio da rede e acompanhamento social. Ela também mencionou casos em que diagnósticos foram questionados durante perícias médicas para adaptarem jornadas de trabalho, apontando que profissionais sem formação específica desconsideram documentos e laudos de especialistas.

Ao final, a Comissão aprovou a realização de seminários em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte para aprofundar o debate sobre o Projeto de Lei 3080/20 e fortalecer a Política Nacional para Pessoas com Autismo.

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