Fábio Pupo
Nathalia Garcia
Brasília, FOLHAPRESS
O Banco de Brasília (BRB) está considerando vender pequenas participações em algumas de suas subsidiárias para levantar dinheiro e melhorar seus recursos financeiros, após enfrentar perdas em negócios com o Banco Master.
Fontes próximas ao banco indicam que há intenção de vender pedaços de pelo menos três das suas empresas controladas: a financeira, a de cartões e a de serviços.
Segundo um representante do BRB, há propostas em análise, principalmente para a Financeira BRB, que oferece crédito consignado e financiamento de veículos.
Essa subsidiária atende 1,6 milhão de clientes, conforme o balanço do primeiro semestre de 2025, número que cresceu 316% em comparação ao mesmo período do ano anterior, principalmente devido à expansão do crédito consignado.
O tema foi discutido recentemente com o Banco Central. Uma fonte ligada ao processo afirma que a venda de participações minoritárias é econômica e viável, mas depende do valor de mercado oferecido e não resolve sozinha os problemas financeiros do banco do Distrito Federal.
O BRB não considera vender essas subsidiárias por completo, mas apenas até 49% de cada uma, mantendo o controle majoritário.
Internamente, o banco avalia que essas empresas são saudáveis e geram receita, podendo contribuir para melhorar a situação financeira do BRB.
A BRB Card, subsidiária de cartões, administra transações de pagamento e saques com cartões pré e pós-pagos, além de credenciar estabelecimentos para aceitar seus cartões. Seu cartão de crédito Dux é muito valorizado no mercado premium brasileiro.
A BRB Serviços realiza cobranças, recupera créditos, aplica multas e gerencia dívidas para empresas e órgãos públicos, além de oferecer serviços de avaliação e leilão de bens e atendimento ao cliente.
No início de março, o BRB apresentou ao Banco Central várias alternativas para reforçar seu capital, incluindo venda de carteiras de crédito de qualidade do Banco Master, empréstimos com bancos e com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e a criação de um fundo imobiliário com ativos do governo do Distrito Federal, acionista controlador.
O banco tem até 180 dias para executar essas medidas. O Banco Central apoia essas soluções de mercado. Algumas instituições, como a Caixa Econômica Federal, veem as carteiras de crédito do BRB como boas oportunidades de negócio.
O presidente do conselho da Caixa e secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que a Caixa está monitorando a situação do BRB e analisando possíveis oportunidades de negócio, embora nada concreto tenha sido definido até o momento.
Recentemente, o BRB propôs aos acionistas um aporte de até R$ 8,86 bilhões para capitalizar o banco após prejuízos com ativos do Banco Master. Esta proposta será votada em assembleia extraordinária marcada para 18 de março.
A aprovação depende de um projeto de lei apresentado pelo governo do Distrito Federal, liderado por Ibaneis Rocha (MDB), que prevê medidas para reforçar o patrimônio e o capital social do banco.
A proposta inclui um limite de R$ 6,6 bilhões para operações de crédito com o FGC ou outras instituições financeiras.
O projeto também lista nove imóveis que poderão ser vendidos, transferidos ou usados como garantia em empréstimos, com alienação podendo ser feita pelo governo do Distrito Federal ou pelo próprio BRB.
Em nota, a Secretaria de Economia destacou que o BRB continua negociando no mercado e que o governo está comprometido em garantir a estabilidade e continuidade das atividades do banco.
Como acionista controlador, o Distrito Federal tem a responsabilidade de assegurar a solidez financeira e o cumprimento das regras prudenciais pelo BRB.
O Conselho de Administração convocou a assembleia para votação da proposta de aumento de capital, com expectativa de que o projeto de lei seja votado na Câmara Legislativa do Distrito Federal na próxima semana.

