Brasília iniciou o mês de setembro destacando-se entre as grandes cidades do Brasil. A capital federal conquistou o primeiro lugar entre municípios com mais de 500 mil habitantes no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR) 2026, divulgado recentemente pelo Instituto Cidades Sustentáveis.
A cidade alcançou 61,71 pontos, superando Curitiba, que marcou 58,15, e São Paulo, com 58,01. Esse resultado representa um avanço significativo em relação à edição anterior, quando Brasília tinha 57,67 pontos, sendo a única cidade do grupo a atingir a faixa considerada de alto desenvolvimento sustentável, que vai de 60 a 79,99 pontos.
O IDSC-BR utiliza dados públicos de diversas áreas para avaliar os 5.570 municípios brasileiros através de 100 indicadores ligados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas.
Os indicadores consideram temas como saúde, educação, renda, pobreza, saneamento, moradia, mobilidade, igualdade, meio ambiente, segurança e emissões de carbono. A pontuação vai de zero a 100, sendo que quanto maior a nota, mais próxima está a cidade de alcançar as metas dos ODS.
Progressos e desafios
Brasília, com uma população estimada em 2,99 milhões de habitantes, mantém-se entre os maiores centros urbanos do país. A capital também apresenta destaque na renda, com um rendimento domiciliar per capita de R$ 4.538 em 2025 — o maior do país — segundo o IBGE, enquanto a média nacional é de R$ 2.316.
Em relação a saneamento, dados de 2025 mostram que a Caesb atende 99% da população com água e 95,95% com esgoto, indicadores que contribuem para o bom desempenho da cidade em infraestrutura urbana.
Porém, a liderança não significa excelência em todas as áreas. Na educação, por exemplo, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio no Distrito Federal caiu de 4,2 em 2023 para 4,1 em 2025. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o índice ficou em 6,4, enquanto nos anos finais houve uma leve melhora, subindo de 5 para 5,1.
Vantagem sobre outras cidades grandes
A diferença entre Brasília e suas concorrentes é clara: Curitiba, em segundo lugar, marcou 58,15 pontos, e São Paulo, em terceiro, obteve 58,01. Após elas, aparecem Ribeirão Preto, Londrina e São José dos Campos.
Segue a lista das dez cidades com mais de 500 mil habitantes mais bem colocadas no ranking:
- Brasília (DF) – 61,71
- Curitiba (PR) – 58,15
- São Paulo (SP) – 58,01
- Ribeirão Preto (SP) – 57,68
- Londrina (PR) – 57,59
- São José dos Campos (SP) – 56,27
- Contagem (MG) – 56,11
- Florianópolis (SC) – 55,89
- Uberlândia (MG) – 55,22
- Sorocaba (SP) – 55,07
O estado de São Paulo tem o maior número de cidades entre as dez primeiras, com quatro municípios, enquanto Paraná e Minas Gerais têm duas cada.
Um resultado que atrai atenção nacional
A melhoria de Brasília é parte de um avanço geral registrado no levantamento de 2026. Pela primeira vez desde 2015, a média dos municípios brasileiros ultrapassou 50 pontos, chegando a 51,22.
Dos municípios avaliados, sete em cada dez melhoraram suas pontuações em relação ao ano anterior, embora apenas 271 cidades, onde vivem cerca de 7,8 milhões de pessoas, tenham atingido o nível de alto desenvolvimento sustentável.
O primeiro lugar de Brasília destaca uma situação interessante: apesar dos avanços em renda, infraestrutura e sustentabilidade, existe ainda margem para melhorias, especialmente em setores como educação.
O resultado de 2026 não apenas representa um título, mas serve como um retrato dos progressos e desafios da capital, permitindo acompanhar anualmente se a cidade está se aproximando das metas estabelecidas para 2030.
Com quase três milhões de habitantes, diferenças socioeconômicas regionais e a responsabilidade de ser o centro político do país, estar no topo do ranking é uma conquista importante, mas aumenta também a expectativa para que o progresso chegue de forma mais justa a toda a população.
O que o ranking avalia
O IDSC-BR foi desenvolvido para acompanhar o progresso dos municípios brasileiros em direção à Agenda 2030 da ONU. Não se trata de um ranking baseado apenas em riqueza ou percepções populares.
Os 100 indicadores usados em 2026 cobrem os 17 ODS, incluindo erradicação da pobreza, saúde, educação, igualdade, energia, trabalho, cidades sustentáveis, consumo responsável, ação climática e instituições eficazes.
Os dados são coletados de fontes oficiais e públicas, como IBGE, DataSUS e Inep. A iniciativa é do Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com a Sustainable Development Solutions Network (SDSN) e com consultoria do Cebrap.
Resumo do índice:
- Índice: Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR)
- Edição: 2026
- Divulgação: 3 de setembro de 2026
- Abrangência: 5.570 municípios brasileiros
- Indicadores: 100
- Objetivos avaliados: 17 ODS da ONU
- Escala: 0 a 100 pontos
- Brasília: 61,71 pontos
- Classificação: alto desenvolvimento sustentável
- Edição anterior de Brasília: 57,67 pontos
- Média nacional em 2026: 51,22 pontos
- Municípios na faixa de alto desenvolvimento: 27
