VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS
Imagine tomar um remédio que previne o HIV apenas 12 vezes por ano, em vez de todos os dias. Essa é a promessa da nova PrEP mensal, que será testada no Brasil e em outros 15 países com 4.390 pessoas. O estudo internacional tem a participação de oito instituições brasileiras e é liderado pela farmacêutica americana MSD para avaliar a eficácia do medicamento.
Atualmente, a PrEP pode ser usada de duas formas: diariamente, com um comprimido por dia para proteção constante, ou sob demanda, com um esquema que inclui tomar comprimidos antes e depois da relação sexual.
O estudo de fase 3, chamado EXPrESSIVE, vai testar se um comprimido por mês do MK-8527 é suficiente para proteger contra o HIV. Testes anteriores mostraram que o remédio não causou efeitos colaterais, sendo bem tolerado, segundo especialistas.
O novo remédio é um inibidor que bloqueia uma etapa importante na replicação do HIV no corpo. Ele impede que o vírus copie seu material genético, parando a infecção antes de começar.
Os participantes vão receber dois tipos de medicamentos: o Truvada, usado atualmente e fornecido gratuitamente no SUS, e o novo MK-8527 mensal. Um dos medicamentos será real e o outro um placebo (sem efeito medicinal).
Serão feitas consultas mensais durante cerca de dois anos e meio, com acompanhamento médico, exames regulares e fornecimento gratuito dos medicamentos.
José Valdez Ramalho Madruga, médico infectologista e diretor da Casa da Pesquisa do CRT-DST/Aids-SP, destaca que a pílula mensal pode facilitar o uso e melhorar a adesão, ajudando no combate à epidemia de HIV.
Victor Soriano, participante do estudo, diz que quis contribuir para o avanço da saúde coletiva e que uma pílula mensal é prática e reduz o esquecimento.
Rico Vasconcelos, médico infectologista da USP e investigador do estudo, afirma que o sucesso depende do uso correto e que todos os estudos clínicos têm riscos:
- O estudo é aberto para maiores de 16 anos, sexualmente ativos e sem HIV, que façam parte dos grupos de risco indicados.
- É necessário não estar em relacionamento monogâmico e ter tido relações sexuais anais sem proteção recentemente, entre outros critérios.
A participação é voluntária, gratuita e confidencial, seguindo normas éticas.
Os participantes recebem acompanhamento médico, exames e medicamentos durante todo o estudo.
