O governo federal do Brasil demonstrou grande preocupação com a decisão da União Europeia (UE) de parar temporariamente a compra de carne brasileira até que o país comprove que atende às normas sanitárias exigidas.
A UE proibiu a entrada de carne bovina, aves e outros produtos de origem animal do Brasil, após o país ser retirado, em maio, da lista de nações que seguem corretamente as regras sobre o uso de antimicrobianos na criação de animais.
Essa decisão foi tomada em meio a pressões da indústria da pecuária europeia, após a assinatura do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou que pode tomar medidas de retaliação caso não se encontre uma solução adequada, segundo nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura e Pecuária.
Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que, uma vez que o Brasil comprove que cumpre as normas exigidas, as exportações para a UE poderão ser retomadas.
O governo brasileiro respondeu que já implementou as medidas necessárias e apresentou toda a documentação e informações solicitadas pelas autoridades europeias sobre os produtos destinados à exportação.
Na sexta-feira (4), a UE reforçou que suas regras contra o uso incorreto de antibióticos são conhecidas há muito tempo e destacou que sua abordagem é justa e não discriminatória, dando tempo suficiente e todas as informações para que seus parceiros se adaptem, declarou Olof Gill, porta-voz de Comércio da Comissão Europeia.
A UE afirmou que continuará trabalhando de perto com as autoridades brasileiras para garantir que todas as exigências sejam cumpridas corretamente.
Além da carne, a suspensão também atinge a compra de ovos, mel e outros produtos.
Em 2025, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina para a UE, enviando mais de 92 mil toneladas, que representaram um valor superior a 713 milhões de euros (cerca de R$ 4,2 bilhões).
O acordo comercial entre UE e Mercosul, assinado em janeiro deste ano, começou a valer provisoriamente em maio.
