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Brasil melhora em competitividade, mas ainda está em 71º lugar em ranking

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País ainda precisa progredir muito em itens como estabilidade econômica (115º lugar) e abertura comercial (125º), segundo dados do Fórum Econômico Mundial

Navio cargueiro: apesar da melhora, Brasil ainda precisa de progressos mais significativos em estabilidade econômica, abertura comercial, segurança e estabilidade governamental, segundo relatório do fórum (Rebeca Mello / Colaborador/Getty Images)

São Paulo — A simplificação das regras para abrir e fechar empresas, a inflação sob controle e uma melhora na eficiência do mercado de trabalho fizeram com que o Brasil subisse, neste ano, uma posição no ranking global de competitividade elaborado pelo Fórum Econômico Mundial.

O País ficou em 71.º lugar, com uma nota de 60,9 pontos (em escala de 0 a 100) – a média de 141 economias foi de 61 pontos. Na primeira posição, ficou Cingapura com 84,8 pontos.

Apesar da melhora, o Brasil ainda precisa de progressos mais significativos em estabilidade econômica (quesito em que ficou no 115.º lugar), abertura comercial (125.º), segurança (123.º) e estabilidade governamental (130.º), segundo relatório do fórum. A organização analisou 103 indicadores agrupados em 12 pilares.

Ainda de acordo com o documento, para líderes empresariais brasileiros, a burocracia (141.º) e a falta de visão de longo prazo do governo (129.º) são os principais entraves da competitividade no País.

O relatório aponta também que, no longo prazo, governantes brasileiros terão de estabelecer políticas mais inclusivas socialmente e responsáveis ambientalmente para o País conseguir competir em um mundo onde as principais economias têm se esforçado nessas frentes.

Por enquanto, o Brasil tem ganhado pontos no ranking graças ao tamanho de seu mercado (10.º lugar) e ao nível elevado de capacidade em inovação (40.º). Entre os países da América Latina e do Caribe, no entanto, o País ficou na oitava posição do ranking. Nessa região, Chile, México e Uruguai lideraram a lista dos mais competitivos, seguidos por Colômbia, Costa Rica, Peru e Panamá.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, as economias latino-americanas precisam avançar, principalmente, na qualidade das instituições (a média regional foi de 47,1 pontos) e na capacidade de inovação (34,3 pontos).

Globalmente, além de Cingapura, Estados Unidos, Hong Kong, Holanda e Suíça apareceram nos primeiros lugares. A região Ásia-Pacífico foi a que registrou uma maior média entre as analisadas, com Japão e Coreia do Sul também bem posicionados no ranking, no 6.º e no 13.º lugar, respectivamente. A China ficou na 28.ª posição.

Pós-2008

O documento do Fórum Econômico destaca que o crescimento da competitividade tem sido fraco nos últimos dez anos mesmo após os bancos centrais de todo o mundo terem injetado US$ 10 trilhões na economia global. Afirma ainda que a política monetária global expansionista, apesar de ter tido sucesso para evitar uma recessão mais profunda após 2008, não foi suficiente para alocar recursos em investimentos que aumentam a produtividade.

“À medida que as políticas monetárias começam a perder força, é crucial que as economias confiem na política fiscal e nos incentivos públicos para impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento, aprimorar as habilidades da força de trabalho, desenvolver novas infraestruturas e integrar novas tecnologias”, diz o relatório do Fórum

 

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Economia

Reforme e eles virão? Os dados de investimento estrangeiro

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UNCTAD mostrou que Brasil subiu em ranking internacional de destino para investimento; agora será a vez de o Banco Central confirmar melhora

Gasoduto: óleo e gás puxou a entrada de investimentos estrangeiros em 2019 (André Valentim/Divulgação)

São Paulo — O Brasil está na mira dos investidores? Mais um sinal será conhecido nesta segunda-feira (27) com a divulgação, pelo Banco Central, dos dados de conta corrente e de investimento estrangeiro direto para dezembro.

Os sinais são positivos. O Monitor de Tendências de Investimentos Globais, divulgado na última terça-feira (20) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), mostrou que o Brasil recebeu US$ 75 bilhões em investimentos de fora no ano passado.

Foi uma alta de 26% em relação aos US$ 60 bilhões recebidos em 2018, o suficiente para levar o país da nona para a quarta posição entre os principais destinos internacionais.

O Brasil ficou atrás apenas de Estados Unidos, com US$ 251 bilhões, China, com US$ 140 bilhões, e Cingapura, com US$ 110 bilhões. No balanço geral, o mundo teve um fluxo de investimento no mesmo nível do ano anterior.

Segundo o relatório da UNCTAD, parte da atratividade brasileira foi fruto do programa de privatizações, citando a venda da distribuidora de gás Transportadora Associada de Gás (TAG) por US$ 8,7 bilhões. Se as privatizações deslancharem é de se esperar números ainda mais vistosos quando chegar a hora do balanço de 2020.

Atrair mais investimentos é uma das prioridades da gestão de Jair Bolsonaro, num ambiente de crescentes preocupações sobre o ritmo de crescimento da economia global. Semana passada o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a focar sua participação no fórum econômico de Davos em mostrar que as reformas têm colocado a economia brasileira no caminho certo.

O desafio é mostrar que o país tem mais a oferecer que a lição de casa bem feita. Chamou a atenção, em Davos, a falta de uma agenda mais consistente para o país na área ambiental, foco do encontro deste ano na Suíça. Para atrair investidores de longo prazo, com taxas de juro no menor patamar da história, este é um dos pontos em que o governo tem a evoluir.

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Economia

Mercado reduz perspectiva para Selic e para inflação neste ano

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Boletim Focus, do Banco Central, mostra que mercado financeiro prevê mais um corte, de 0,25%, na taxa de juros e inflação mais baixa, em 3,47%

Comércio: preços devem ficar mais comportados em 2020 do que em 2019, quando sofreram pressões devido à alta da carne (Cris Faga/Getty Images)

São Paulo — O mercado passou a ver a taxa básica de juros ainda mais baixa neste ano, com arrefecimento da alta dos preços, mostrou a pesquisa Focus que o Banco Central divulgou nesta segunda-feira.

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou que a expectativa é de que a Selic termine 2020 a 4,25%, de 4,50% esperados antes, com um corte de 0,25 ponto percentual esperado para fevereiro. Para 2021 permanece a perspectiva de juros básicos a 6,25%

A Selic terminou 2019 a 4,5%, nova mínima histórica, após novo corte de 0,5 ponto percentual em dezembro. Recentemente o mercado fortaleceu apostas de corte de juro diante de expectativa de alívio da inflação dado o ritmo mais fraco da economia no fim do ano passado.

Com isso, o cenário geral se alinha ao do Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, que continua vendo a Selic a 4,25% este ano e a 6,25% no próximo.

O levantamento semanal apontou ainda que a expectativa para a alta do IPCA caiu a 3,47% este ano, de 3,56% antes, permanecendo em 3,75% para 2021.

O centro da meta oficial de 2020 é de 4% e, de 2021, de 3,75%, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), os economistas continuam vendo crescimento de 2,31% este ano e de 2,50% em 2021.

Veja abaixo as principais projeções do mercado para a economia brasileira, de acordo com a pesquisa semanal do BC com cerca de 100 instituições financeiras:

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Economia

Brasil fecha 2019 com o maior rombo nas contas externas em quatro anos

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Déficit chegou a US$ 50,762 bilhões no ano passado, alta de 22,2% sobre 2018; investimento estrangeiro registra alta no período

Dólar e real: resultado para as contas externas foi o pior desde 2015 (NurPhoto/Getty Images)

Brasília — O déficit em transações correntes do Brasil fechou 2019 a 50,762 bilhões de dólares, alta de 22,2% sobre 2018 e no pior dado em quatro anos, afetado pela piora da balança comercial, divulgou o Banco Central nesta segunda-feira.

O maior rombo das contas externas antes disso havia sido registrado em 2015, quando o déficit foi de 54,472 bilhões de dólares.

O buraco nas transações correntes em 2019 passou a 2,76% do Produto Interno Bruto (PIB), sobre 2,20% em dezembro do ano anterior.

A expectativa do BC era de um déficit em transações correntes de 51,1 bilhões de dólares em 2019, mas com IDP um pouco melhor, de 80 bilhões de dólares.

A autoridade monetária já havia justificado que as transações correntes foram prejudicadas em 2019 pelo pior desempenho da balança comercial, num ano marcado pela desaceleração da economia na Argentina, peste suína afetando a China e a demanda por soja brasileira, além da dinâmica envolta em incertezas do comércio mundial em meio às tensões protagonizadas por Estados Unidos e China.

O ano passado também foi afetado por ruídos em relação aos números das transações correntes.

No início de dezembro, o governo anunciou uma correção para cima no registro das exportações de setembro a novembro, atribuindo a uma falha humana uma subnotificação de 6,488 bilhões de dólares que havia ajudado a piorar o resultado da balança comercial brasileira divulgado originalmente.

Ao fim, o superávit da balança comercial encerrou 2019 em 39,404 bilhões de dólares, recuo de 25,7% sobre 2018, diante de uma queda de 6,3% nas exportações e diminuição de 0,8% nas importações, apontou o BC.

Em 2019, as remessas de lucros e dividendos de multinacionais instaladas no Brasil caíram 14,8% sobre o ano anterior, a 31,126 bilhões de dólares. Esse foi o principal fator a guiar a retração de 4,8% no déficit em renda primária, a 55,989 bilhões de dólares.

Na conta de serviços, houve redução no ano tanto nos gastos líquidos de brasileiros no exterior, com recuo de 5,4% frente a 2018, a 11,681 bilhões de dólares, quanto nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos, que caíram 8,2%, a 14,483 bilhões de dólares.

Fundamentalmente por conta desses dois movimentos, o déficit em serviços diminuiu a 1,7% em 2019, a 35,141 bilhões de dólares, apontou o BC.

Investimento estrangeiro

Apesar da piora, ele seguiu coberto com folga pelos investimentos diretos no país (IDP), que alcançaram 78,559 bilhões de dólares no ano passado.

Na última terça-feira (20), o Monitor de Tendências de Investimentos Globais, divulgado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), mostrou que o Brasil recebeu US$ 75 bilhões em investimentos de fora no ano passado. Foi uma alta de 26% em relação aos US$ 60 bilhões recebidos em 2018, o suficiente para levar o país da nona para a quarta posição entre os principais destinos internacionais.

No relatório, o Brasil ficou atrás apenas de Estados Unidos, com US$ 251 bilhões, China, com US$ 140 bilhões, e Cingapura, com US$ 110 bilhões. No balanço geral, o mundo teve um fluxo de investimento no mesmo nível do ano anterior.

Dezembro

Em dezembro somente, o déficit em transações correntes foi de 5,691 bilhões de dólares, pior que a expectativa de um déficit de 4,5 bilhões de dólares, conforme pesquisa Reuters com analistas. A conta de IDP alcançou 9,434 bilhões de dólares, abaixo da projeção de 11 bilhões de dólares.

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