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segunda-feira, 16/02/2026

Brasil e Índia fecham acordo para reduzir dependência da China em terras raras

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VICTORIA DAMASCENO
NOVA DÉLI, ÍNDIA (FOLHAPRESS)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, estão prestes a firmar um acordo para trabalhar juntos na extração e no processamento de terras raras. Essa parceria tem o objetivo de diminuir a dependência desses minerais estratégicos da China, garantindo maior segurança para o futuro.

Os dois líderes se reúnem nesta semana em Nova Déli. Lula viajará com a missão de abrir novos mercados, especialmente para o agronegócio, discutir a regulamentação da inteligência artificial e assinar diversos acordos, incluindo os relacionados a minerais importantes como as terras raras.

Brasil e Índia possuem algumas das maiores reservas desses minérios, essenciais para tecnologias voltadas à energia renovável, ficando atrás apenas da China. No entanto, ambos os países ainda têm uma capacidade limitada de mineração e processamento, com o Brasil em situação ainda menos favorável que a Índia.

A China domina o mercado global, com cerca de 70% das reservas e 90% da capacidade de processamento, um processo complexo e que exige tecnologia avançada.

O acordo virá após a empresa indiana Altmin anunciar um investimento de aproximadamente R$ 220 milhões na Companhia Brasileira de Lítio, para explorar o lítio, outro mineral crucial para a transição energética.

Espera-se também que o tema seja parte das conversas entre Lula e Lee Jae-myung, presidente da Coreia do Sul, durante a visita brasileira ao país asiático.

Ampliar a cadeia de fornecimento de minerais críticos e terras raras é uma necessidade global, intensificada pela decisão da China, em outubro do ano passado, de controlar as exportações desses materiais. Essa medida exigia autorização chinesa para exportar qualquer produto que contivesse terras raras do país, impactando diversos setores como automotivo, semicondutores, aviação e defesa.

Essa decisão, que durou cerca de um mês, foi uma resposta à aplicação de tarifas americanas, gerando um desconforto internacional.

Desde então, líderes como o presidente dos EUA, Donald Trump, buscaram parcerias para reduzir essa dependência da China.

Segundo o geólogo Maurício Carvalho, vice-presidente da Associação Brasileira de Minerais Críticos e diretor da Meteoric, o interesse em diversificar essa cadeia é global, e o Brasil pode se destacar nessa nova fase, pois possui amplas reservas que podem ser exploradas de maneira sustentável.

“O Brasil já possui acordos avançados com a União Europeia para minerais críticos, especialmente terras raras, e também está ampliando suas relações com os Estados Unidos”, afirma. Ele acredita que o acordo entre Lula e Modi deve priorizar o processamento dos minerais brasileiros.

A Índia, por sua vez, mantém acordos de cooperação há anos com ao menos oito países ricos em minerais, trocando tecnologia e facilitando o crescimento de sua indústria nesse setor.

Em janeiro, o governo indiano lançou sua estratégia nacional para desenvolver o setor de minerais, que inclui criar um corredor para mineração, processamento, pesquisa e manufatura nas cidades que possuem reservas.

O governo aprovou um orçamento de cerca de US$ 870 milhões, buscando dobrar a demanda de terras raras da indústria até 2030. Este investimento inicial visa fortalecer o mercado interno do país.

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