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Economia

Brasil cai para o 62º lugar no ranking mundial da indústria

Gabriel Lemes / Mdic

A indústria de transformação do Brasil enfrenta dificuldades e caiu do 28º para o 62º lugar no ranking global de crescimento industrial em dois anos. Essa queda ocorre após o aumento significativo da taxa básica de juros, que impactou os investimentos e o consumo.

Em 2024, o Brasil estava na metade superior da lista dos países com maior avanço na produção industrial. No entanto, a elevação dos juros básicos, que começou em setembro de 2024 e atingiu 15% ao ano no meio de 2025, dificultou o crescimento da indústria nacional.

Rafael Cagnin, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, explica que os juros altos afetam diretamente a produção, principalmente em setores que precisam de crédito e investimento, como os bens de capital (máquinas e equipamentos) e bens de consumo duráveis.

Além disso, os setores ligados à renda corrente, como alimentos, bebidas, vestuário e calçados, têm sido menos afetados, pois necessitam de menos financiamento.

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Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, destaca os desafios estruturais enfrentados pela indústria brasileira, incluindo custos elevados relacionados à burocracia, tributos, energia e mão de obra. Ele aponta que a indústria brasileira tem pouca participação nas cadeias globais de produção, com destaque para setores exportadores de commodities, mas a forte presença da China nas importações industriais também é um desafio.

Resiliência da indústria mundial

Enquanto isso, a indústria internacional tem mostrado força, mesmo diante de crises e conflitos globais. Os setores de alta tecnologia, que envolvem digitalização e energias renováveis, cresceram significativamente, impulsionando o dinamismo industrial mundial.

O Brasil, porém, não tem acompanhado esse ritmo, pois esses setores ainda são pouco representados em sua estrutura produtiva, o que limita seu crescimento frente ao restante do mundo.

Para os próximos meses, a expectativa é de manutenção de um cenário restritivo, com a redução dos juros acontecendo lentamente e a incerteza econômica e eleitoral afetando os investimentos na indústria. O mercado interno ajuda a evitar uma queda maior, mas não é suficiente para estimular uma expansão significativa.

Rafael Cagnin ressalta que o efeito da queda dos juros na atividade econômica demora a ser sentido e que o próximo ano tende a apresentar mais desaceleração, dependendo das estratégias do novo governo e da velocidade da redução dos juros.

Sergio Vale recomenda que o país busque acordos comerciais e reduza custos para melhorar a competitividade da indústria. Ele cita como exemplo o avanço nas negociações com a União Europeia.

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