Após as eleições presidenciais no domingo (25), alguns apoiadores de Flávio Bolsonaro têm publicado nas redes sociais para demitir trabalhadores que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva. Também estão divulgando listas para boicotar empresas que apoiaram o candidato do PT.
Desde o início do ano até o domingo, foram registradas 1.937 denúncias de assédio eleitoral no Ministério Público do Trabalho. Entre segunda (26) e terça-feira (27), o número subiu para 2.364 denúncias.
A maioria das denúncias envolve postagens que incentivam a demissão de funcionários por causa do voto. Esse movimento ficou conhecido como “Demita um petista”.
Listas de pequenos comércios que teriam apoiado a reeleição de Lula estão sendo compartilhadas em aplicativos de mensagem, redes sociais e até em sites que organizam o boicote em vários estados.
Empresários nas capitais São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro, além do interior de São Paulo e Minas Gerais, relataram ameaças e medo de perder clientes após a divulgação dessas listas.
No Paraná, dois parlamentares aliados a Flávio Bolsonaro foram denunciados ao Ministério Público do Trabalho por incentivarem a demissão de trabalhadores.
O vereador Guilherme Kilter, eleito deputado federal, publicou em suas redes sociais mensagens que incentivam a demissão de apoiadores do PT e afirmou que empresários precisam se planejar diante da crise no Brasil.
O Ministério Público do Trabalho recomendou que Kilter faça uma retratação pública ressaltando que os trabalhadores têm o direito de votar livremente e que demissões motivadas por preferências políticas são ilegais.
A vereadora Jessicão, conhecida por suas posições bolsonaristas, também incentivou a demissão de petistas e está sendo investigada pelo Ministério Público do Trabalho.
Segundo especialistas, demitir funcionários por preferência política é uma prática ilegal no Brasil, conforme a lei 9.029/1995 e convenções internacionais das quais o país é signatário.
Advogados orientam que trabalhadores que sofrerem demissões por motivos políticos guardem provas, como mensagens e testemunhas, para recorrer na Justiça do Trabalho e possivelmente conseguir reintegração e indenização.
Embora a empresa possa ter regras para conduta política em certos casos, como funcionários que gerenciam redes sociais corporativas, essas regras devem ser claras e aplicáveis a todos os espectros políticos.
Centrais sindicais estão acompanhando os casos e incentivam os trabalhadores a denunciarem essas práticas ao sindicato, Ministério Público e, se necessário, à polícia.
O presidente do Fórum das Centrais Sindicais alertou que, embora uma minoria adote atitudes extremas, é importante desmobilizar esse movimento que promove discriminação política no ambiente de trabalho.


