A Bolsa de Valores apresenta alta nesta quinta-feira (8), impulsionada pela valorização do petróleo no mercado internacional e pelas expectativas em torno de uma nova pesquisa do Datafolha sobre o segundo turno das eleições, a ser divulgada após o pregão.
Por volta das 11h30, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário, registrava crescimento de 0,86%, chegando aos 206.062 pontos, com destaque para o desempenho das ações do setor de petróleo.
Enquanto isso, o dólar permanecia praticamente estável, apresentando leve queda de 0,08%, cotado a R$ 5,009. No cenário internacional, o índice DXY, que compara o dólar a outras seis moedas fortes, também se mantinha perto da estabilidade, com queda de 0,02%.
O aumento no preço do petróleo está relacionado às tensões no Oriente Médio. Há preocupações sobre possíveis ataques dos Estados Unidos, conforme reportagem que indicou que o presidente Donald Trump estaria considerando ações contra o Irã antes das eleições legislativas de novembro.
Reportagens mencionam que a Casa Branca solicitou ao Pentágono opções para atacar instalações iranianas antes da votação, com planos mais amplos possivelmente previstos para o período posterior às eleições.
Na semana passada, ataques a petroleiros no estreito de Hormuz atingiram o maior número registrado desde o começo do conflito com o Irã, segundo dados do Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos Estados Unidos.
Esses acontecimentos reduziram o trânsito de embarcações na região ao menor nível em mais de dois meses, elevando os receios sobre uma possível interrupção do fluxo marítimo responsável por cerca de 20% do petróleo mundial antes do conflito.
Assim, o petróleo Brent subia 5,34%, cotado a US$ 105,61, o que impulsionou as ações da Petrobras, que avançaram 2,20% nas preferenciais.
O conflito tem impactado os ativos globais. No dia anterior, a expectativa pelo aumento das tensões influenciou os preços, com o rendimento dos títulos americanos de dez anos chegando ao maior nível desde março de 2002. Hoje, esse rendimento teve leve queda para 5,351%.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, explicou que esses eventos fortalecem o dólar, enfraquecem o ouro e afetam setores como o imobiliário e bancário, devido a preocupações com crédito diante de juros elevados.
Internamente, o mercado está focado no cenário eleitoral. Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno com 47,03% dos votos, seguido por Lula, com 45,16%. Eles disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Historicamente, nunca houve uma virada do segundo colocado no segundo turno para a Presidência da República.
Às 18h45, o Datafolha divulgará uma nova pesquisa sobre a intenção de voto.
Especialistas avaliam que uma possível vitória de Flávio Bolsonaro poderia fortalecer a política fiscal, diminuindo riscos para os investimentos brasileiros.
A equipe econômica do candidato estudaria medidas para ajustar o orçamento em cerca de 2% do PIB, limitado a cerca de R$ 250 bilhões, buscando controlar o crescimento da dívida pública.
O plano inclui ajustes nas principais áreas do orçamento, como a desvinculação dos reajustes da Previdência Social e do BPC em relação ao salário mínimo, e o fim dos pisos constitucionais que vinculam gastos em saúde e educação às receitas federais.
A expectativa de maior controle fiscal contribuiu para a valorização dos ativos domésticos no início da semana. Na segunda-feira, a Bolsa ultrapassou os 200 mil pontos pela primeira vez, alcançando 209.605 pontos, um recorde recente. O dólar caiu abaixo de R$ 5 e atingiu seu menor patamar desde maio na terça-feira.
Com uma dívida mais controlada, o governo poderia reduzir os custos de financiamento, o que tende a baixar a curva de juros. Isso diminui o custo do crédito para empresas e melhora as perspectivas de lucro, favorecendo a Bolsa.
Os juros futuros também respondem ao cenário eleitoral. Por volta das 12h40, a taxa para janeiro de 2028 estava em 12,555%, com leve queda, e a de janeiro de 2035 em 12,590%, também em recuo.
Entre os bancos, o JPMorgan projeta alta de 10% a 11% para as ações brasileiras, dólar entre R$ 4,95 e R$ 5, e fechamento da curva de juros favorável com uma vitória de Flávio. O BTG Pactual prevê valorização entre 11% e 20% para a Bolsa.
O Morgan Stanley acredita que ganhos maiores são possíveis se houver avanço na agenda fiscal, com projeção de dólar a R$ 4,50 e Ibovespa a 250 mil pontos no primeiro trimestre de 2027.
O UBS também espera valorização dos ativos, com dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,60 e alta superior a 30% para a Bolsa nos próximos meses.
