Os investimentos no Brasil tiveram um dia de queda nesta terça-feira (3), com os investidores ficando mais cautelosos devido às dúvidas sobre a política econômica do novo governo Lula.
A expectativa surgiu após o economista André Lara Resende, conhecido por sua participação no Plano Real, sugerir a redução da taxa Selic por meio de uma nova coordenação entre as políticas fiscal e monetária. Além disso, o mercado reagiu às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que aconteceram no mesmo dia, onde se espera o avanço do Partido Democrata, que é oposição ao presidente Donald Trump.
A Bolsa encerrou o dia em baixa de 1,42%, aos 165.528 pontos, o menor fechamento desde janeiro, acumulando seis sessões seguidas de queda. Durante o pregão, o índice Ibovespa chegou a cair 2,07%, alcançando 164.446 pontos.
Os juros futuros também subiram, com os contratos de dívida para 2031 e 2035 avançando mais de 9 pontos-base. Esse aumento torna os investimentos em renda fixa mais atrativos em comparação à renda variável.
O dólar fechou em alta contra o real, cotado a R$ 5,486, registrando o maior valor do ano.
Investidores estão preocupados com as discussões sobre as novas políticas econômicas do governo. Recentemente, houve rumores de que André Lara Resende apresentaria uma proposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para equilibrar a dívida pública por meio de políticas fiscais e monetárias alinhadas, o que foi negado oficialmente.
André Lara Resende acredita que o problema fiscal do Brasil está nos juros elevados, não nos gastos do governo. A taxa Selic alta faz com que o custo da dívida cresça mais rápido do que a economia consegue gerar riqueza.
A dívida bruta do país está em 82,9% do PIB, o maior nível desde 2021. Para equilibrar as contas, seria necessário um ajuste próximo a R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos.
A proposta do economista seria a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para definir metas de médio prazo, mantendo a Selic entre a meta de inflação (3%) e o crescimento nominal do PIB (em torno de 5,5%). A ideia seria reduzir a Selic gradualmente para 7,5% ao ano, com uma margem de segurança.
Contudo, a ideia de controlar a taxa Selic e unir as políticas fiscal e monetária gerou preocupações no mercado financeiro, pois poderia aumentar o dólar, provocar saída de investidores estrangeiros, pressionar os preços internos e aumentar os juros futuros.
Fernando Saad Benatti, estrategista global, alerta que uma redução rápida da Selic sem melhora nos riscos fiscais pode afastar investidores e aumentar a saída de capital.
Devido a esses riscos, os investimentos em títulos públicos tiveram aumento nas taxas, refletindo a necessidade de maior retorno para atrair compradores.
No exterior, a atenção esteve nas eleições parlamentares americanas, que podem alterar o controle das duas casas legislativas. Uma vitória dos democratas poderia intensificar investigações contra figuras associadas ao governo Trump e políticas tarifárias que afetaram o Brasil.
Desde a reeleição de Lula, a Bolsa acumulou queda significativa e o dólar valorizou-se fortemente, refletindo o medo de que o governo não implemente medidas eficazes para o equilíbrio fiscal, elevando o prêmio de risco e pressionando os juros no mercado.

