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quinta-feira, 15/01/2026

Bolsa bate novo recorde e chega a 165 mil pontos com foco em eleição e cenário internacional

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A Bolsa de Valores do Brasil fechou em alta de 1,91% nesta quarta-feira (14), atingindo um recorde histórico ao chegar a 165.074 pontos, conforme dados preliminares.

O recorde anterior era de 164.455 pontos, registrado em 4 de dezembro de 2025. Durante o pregão, o índice Ibovespa alcançou a máxima de 165.105 pontos. As ações da Vale e Petrobras, principais empresas do índice, subiram 4,88% e 2,56%, respectivamente, impulsionando o resultado positivo.

Nas operações do mercado, a nova pesquisa Genial/Quaest sobre a corrida presidencial ganhou destaque, assim como as notícias do exterior. Tensão geopolítica e a suspensão de emissão de vistos para os EUA pelo governo de Donald Trump geraram preocupação nos investidores.

Internamente, uma nova fase da operação envolvendo o Banco Master também foi um dos pontos de atenção no dia.

Enquanto isso, o dólar subiu 0,48%, encerrando o dia cotado a R$ 5,400.

A pesquisa Genial/Quaest divulgada pela manhã trouxe um cenário interessante para o mercado. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continue liderando a corrida eleitoral, sua vantagem diminuiu em um provável segundo turno contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou-se em segundo lugar.

A diferença de Lula para Tarcísio caiu de 10 para 5 pontos, e para Flávio, de 10 para 7 pontos.

O mercado está cada vez mais atento à eleição. Para os investidores, o principal é a política fiscal que será adotada a partir de 2027, mais do que o nome do candidato eleito.

Segundo Rubens Cittadin Neto, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, “o mercado é apolítico e precifica a taxa de juros e seu impacto nos ativos de risco. Hoje, a taxa restritiva de 15% está relacionada a um fiscal mais expansionista, e a expectativa é que a oposição adote uma postura fiscal mais austera”.

Tarcísio é visto como favorito pelo mercado financeiro devido à sua capacidade de atrair o eleitorado de direita sem o estigma ligado ao sobrenome Bolsonaro. Ele também tem uma agenda mais moderada em relação aos gastos públicos, o que traz mais segurança sobre o futuro da economia e pode evitar que a taxa Selic permaneça alta, já que altos gastos públicos poderiam alimentar a inflação.

Além das questões internas, os investidores acompanham as tensões internacionais. Escalada de conflitos entre os Estados Unidos, Groenlândia e Irã provocam receios de uma possível guerra.

O governo iraniano, enfrentando protestos há mais de duas semanas, intensificou a repressão e ameaça retaliação militar frente a uma possível ação dos EUA. A Dinamarca, por sua vez, anunciou o reforço militar na Groenlândia e mantém diálogo com a Otan.

Marcio Riauba, chefe de inteligência de mercado da StoneX, comenta que “a ausência de novos acontecimentos, mas a manutenção das tensões geopolíticas e a incerteza brasileira, fazem os ativos apresentarem maior volatilidade hoje”.

Essas tensões também impulsionaram a procura por investimentos considerados seguros, com o ouro operando perto de sua máxima histórica.

No campo macroeconômico, os dados de inflação ao produtor nos EUA indicaram aumento em novembro, principalmente devido à alta no custo da gasolina. As empresas, no entanto, parecem estar absorvendo parte dos custos para manter suas margens.

O avanço mensal de 0,2% reforça a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) dos EUA mantenha as taxas de juros estáveis na próxima reunião. A ferramenta CME FedWatch mostra que 95% dos operadores apostam na manutenção das taxas entre 3,5% e 3,75%, enquanto 5% esperam um corte de 0,25 ponto percentual.

Esta semana, o Fed também esteve no foco por uma investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do banco central dos EUA, sobre a reforma da sede da instituição. A Procuradoria de Colúmbia apura se Powell forneceu informações falsas ao Congresso.

Essa investigação gerou preocupações sobre a independência do Fed e acrescentou instabilidade aos mercados globais. A tensão entre Powell e o ex-presidente Donald Trump levou a que economistas não esperem cortes na taxa até o final do mandato do atual presidente do Fed, em maio.

Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, destaca que o mercado valoriza bancos centrais independentes. “A incerteza faz investidores venderem dólares e buscarem ativos alternativos como ouro e prata, que têm batido recordes”.

No cenário local, uma nova fase da operação da Polícia Federal contra Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, segue em curso. São 42 mandados de busca e apreensão, além de ordens para bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões.

As ações visam endereços ligados a Vorcaro, familiares e empresários, como João Carlos Mansur e Nelson Tanure. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi preso ao tentar deixar o país, mas liberado horas depois.

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