21.1 C
Brasília
sábado, 14/02/2026

Bloco Aparelhinho celebra 15 anos de carnaval inovador em Brasília

Brasília
nublado
21.1 ° C
21.1 °
21.1 °
82 %
2.5kmh
100 %
dom
26 °
seg
27 °
ter
26 °
qua
27 °
qui
20 °

Em Brasília

No último sábado (14), o Bloco Aparelhinho completou 15 anos em Brasília, firmando-se como um movimento cultural que redefine o carnaval de rua e o uso dos espaços públicos na capital federal. Inspirado nas aparelhagens do Pará, o bloco começou com um som eletrônico simples montado em um carrinho, percorrendo ruas onde o carnaval quase não existia.

Fundado por DJs como Rafael Ops e Rodrigo Barata, o Aparelhinho transformou-se de um objeto empurrável feito na oficina da Universidade de Brasília (UnB) em uma estrutura mais moderna, com cores azul e laranja. Rafael Ops falou ao programa Espaço Arte da Rádio Nacional FM de Brasília na sexta-feira (13), destacando o amor pela cidade e o desejo de ver o carnaval de rua acontecendo. “É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas coloridas e cheias de vida”, explicou, ressaltando que o carrinho foi criado para ocupar espaços como marquises, túneis e calçadas, sendo bem recebido desde seu início, em 2012.

Ao longo dos anos, o bloco passou por várias mudanças, incluindo versões em madeira, ferro, eventos online durante a pandemia, charrete, trio elétrico e carreta. A edição atual tem o apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e conta com cerca de 100 organizadores. Para 2026, o apoio financeiro continua, reforçando o movimento inclusivo que atrai foliões de todas as idades e incentiva a formação de novos públicos para o carnaval.

A publicitária Bruna Daibert, presente desde a primeira edição, ressaltou a importância de ocupar a cidade inteira durante o carnaval, mesmo que seja só uma vez por ano. “É fundamental criar um novo público de foliões para que o carnaval se espalhe e invada até o meio das quadras”, disse ela, defendendo a festa apesar das discussões sobre o barulho e sujeira. Em 2023, o bloco Galinho de Brasília, por exemplo, cancelou seu desfile devido a restrições em áreas residenciais da Asa Sul e se concentrou no Setor de Autarquias Sul.

O repertório musical, elaborado pelos DJs fundadores Pezão, Rafael Ops e Rodrigo Barata, junto com convidados como Biba, Mica e Pororoca DJs (Emidio e Leroy), é baseado na música eletrônica e inclui remixes de ritmos carnavalescos brasileiros, como frevos, axés, sambas-enredo, brega funk, piseiro, rock e outras vertentes eletrônicas. “Tocamos música do mundo”, explicou Rodrigo Barata à Rádio Nacional FM.

Para o cozinheiro Iago Roberto, que participou de seu primeiro carnaval, a energia do público no Setor Bancário Sul superou as expectativas. Depois de três anos fora do Brasil, ele voltou com vontade de conhecer o carnaval de rua local e se divertiu bastante, mesmo não sendo muito fã de música eletrônica.

O bloco se apresenta como um espaço democrático e inclusivo, recebendo crianças e pessoas com dificuldades de mobilidade. Porém, a dentista Fabiana Montandon, que frequenta o Aparelhinho há 10 anos e participou mesmo com a perna imobilizada, mencionou problemas de acessibilidade nas ruas do setor. “Há muitos buracos na pista, as calçadas não têm rampas adequadas e o banheiro é só pseudo-acessível”, criticou, embora tenha elogiado a diversidade musical e o caráter moderno do evento.

Com informações da Agência Brasil

Veja Também