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Banco Mundial diz que Brasil gasta mal e sugere cortes

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A reforma da Previdência, poderia levar a uma economia de gastos correspondente a 1,8% do PIB, de acordo com o relatório

Um país que gasta muito e mal e que precisará fazer escolhas duras para ajustar suas contas, sob pena de mergulhar novamente na espiral da inflação e do baixo crescimento. Esse é o retrato que emerge de estudo elaborado pelo Banco Mundial, intitulado “Um ajuste justo – propostas para aumentar eficiência e equidade do gasto público no Brasil”. Entre as conclusões do levantamento está a de que a reforma da Previdência terá alto impacto, de que há programas sociais que beneficiam os mais ricos e que o gasto com funcionários públicos é alto.

O documento sugere um conjunto de medidas que poderiam aliviar a pressão sobre o caixa federal no equivalente a 7,07% do PIB até 2026, sem prejudicar os mais pobres e sem trazer perdas para a produtividade da economia. Algumas delas, porém, exigem contrariar grupos com forte influência no governo e no Congresso Nacional, como os servidores públicos, que ganham os salários mais altos. “Não queremos ser intrusivos”, disse o economista-chefe do Banco Mundial, Antonio Nucifora. “O papel do relatório é estimular o debate.”

Para não romper o limite do teto de gastos do governo federal, será necessário reduzi-los na proporção de 0,6% do PIB a cada ano, o equivalente a 9,834 bilhões de reais, a valores registrados no segundo trimestre deste ano pelo IBGE.

As sugestões envolvem também um enxugamento de 1,29% do PIB nos gastos de estados e municípios, elevando o potencial de economia a 8,36% do PIB.

O estudo foi encomendado pelo próprio governo, que tenta interromper o processo de crescimento acelerado das despesas e garantir o cumprimento do recém-criado teto de gastos em meio ao delicado quadro político do país às vésperas das eleições de 2018. O banco é taxativo no seu diagnóstico: os programas governamentais beneficiam os ricos mais do que os pobres. E apesar do alto volume de gastos públicos, a política fiscal tem tido pouco sucesso na redução da desigualdade e da pobreza.

Previdência

A medida com mais impacto é a reforma da Previdência, que poderia levar a uma economia de gastos correspondente a 1,8% do PIB. “A Previdência é o motor do desequilíbrio fiscal”, resumiu o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Martin Raiser.

Mantida a situação atual, aponta o estudo, daqui a treze anos os pagamentos com aposentadorias e pensões estarão ocupando todo o limite do teto de gastos do governo federal. Não vai sobrar dinheiro para salários, manutenção de escolas e hospitais e muito menos para investimentos. Em 2080, o rombo da Previdência corresponderá a 150% do PIB brasileiro.

Além disso, o banco diz que o sistema previdenciário atual é injusto, pois 35% dos subsídios previdenciários beneficiam os 20% mais ricos, enquanto 18% beneficiam os 40% da camada mais pobre da população.

O Banco Mundial defende a proposta do governo negociada com o Congresso em maio deste ano e que já foi desidratada para conseguir o apoio da base governista. Mas alerta que, mesmo se a proposta integral fosse aprovada, o problema não estaria resolvido. Seria preciso avançar e atacar, por exemplo, os privilégios da Previdência para os servidores, que custam caro e atendem à parcela mais rica da população.

“O conceito de direitos adquiridos deve ser revisto”, defende o relatório. Ele sugere também que o governo se articule com o Judiciário para evitar que os efeitos de uma reforma não sejam depois diluídos por decisões contrárias.

Servidores

De todos os países pesquisados pela instituição, o Brasil é onde os servidores públicos federais têm maior vantagem salarial em relação a pessoas que desempenham funções semelhantes na iniciativa privada: 67% a mais, ante uma média de 17% no mundo. A sugestão é reduzir esse prêmio pela metade, o que traria uma economia de 0,9% do PIB.

Depois da Previdência, a segunda maior economia calculada pelo Banco Mundial viria do ataque a outra “vaca sagrada” dos programas federais: o Simples Nacional, regime tributário diferenciado e simplificado. Segundo o relatório, não foram identificados impactos positivos do programa no mercado de trabalho ou no desempenho das empresas. Além disso, o programa inibe o crescimento das empresas e ajuda a manter vivos empreendimentos que não são eficientes. Finalmente, pelo diagnóstico traçado pela instituição, o Simples beneficia pessoas físicas de alta renda que recolhem impostos como se fossem empresas.

Estado

Segundo Raiser, o Estado brasileiro é mais ou menos do tamanho de um estado europeu médio. Mas, no Velho Continente, os gastos governamentais com programas sociais ajudam a reduzir a desigualdade. Isso não ocorre no Brasil. “A realidade é que os pobres se beneficiam muito menos dos gastos públicos”, disse. Ele acrescenta que, por atender principalmente às pessoas de renda média e alta, esses programas são passíveis de ajuste.

Pelas projeções do relatório, o Brasil vai precisar de ajuste fiscal de 5% do PIB no resultado primário. Para chegar lá, o governo terá que fazer um corte cumulativo de quase 25% nas despesas primárias federais em proporção do PIB, o que reduziria o orçamento federal aos níveis do início dos anos 2000.

Se o Brasil não conseguir reverter a tendência, os resultados serão a perda de confiança dos investidores (nacionais e internacionais), a desvalorização da taxa de câmbio e o aumento da inflação, o que levaria o país de volta aos tempos críticos dos anos 1980 e início dos anos 1990.

Segundo o Banco Mundial, as reformas terão que abranger mais de um mandato presidencial e exigirão um diálogo extenso, incluindo estados, municípios, movimentos sociais, sindicatos, associações empresariais e muitos outros grupos.

Compras públicas

O governo brasileiro poderia economizar entre 24 bilhões de reais e 35 bilhões de reais nas compras públicas apenas com mudanças de procedimentos que hoje resultam em preços mais elevados e geram desperdício, segundo o relatório.

Ao analisarem compras de 155 bilhões de reais realizadas pelos diversos órgãos do governo federal entre 2012 e 2014, os técnicos constataram, por exemplo, que há uma concentração de 80% da compra de automóveis no último trimestre do ano. “No caso de veículos, por exemplo, o fim do ano coincide com o lançamento de novos modelos que são mais caros”, diz o estudo. Uma causa provável é a liberação de recursos no fim do ano.

Além de comprar no período menos favorável do ano, os órgãos da administração pública adquirem poucas unidades de forma isolada. A prática mais recomendável, no caso, seria fazer uma compra grande, para aumentar o poder de barganha e obter descontos.

Em vez disso, os preços dos automóveis sedan para cinco pessoas variaram de 55.000 reais a 120.000 reais. Um mesmo fornecedor chegou a cobrar 40% a mais pelo mesmo produto, dependendo do órgão comprador.

Informática

Também no caso dos equipamentos de informática, os técnicos acreditam que há espaço para uma forte economia se as compras forem concentradas. Principalmente porque a quantidade de fornecedores é grande e a competição tende a levar os preços para baixo.

Outra sugestão é que seja adotada a computação em nuvem (“cloud computing“) para os sistemas menos sensíveis da administração. Isso traria economia com infraestrutura, licenciamento de programas e mão de obra. Não seria desejável, porém, que essa solução fosse adotada para toda a administração pública.

O relatório propõe que a compra de automóveis, bens de informática e outros materiais menos complexos seja padronizada e a compra, realizada de uma só vez, de forma centralizada. Aquisições adicionais poderiam ser feitas depois, se devidamente justificadas.

O estudo ressalta que as mudanças independem de alterações na lei. A economia dependeria de planejamento e estratégia de compra.

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IGP-10 tem alta de 1,33% em janeiro com pressão menor no atacado e no varejo

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Em janeiro, a alta do IPA, que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, desacelerou a 1,60%, de 2,27% no mês anterior

Varejo; comércio (Andre Coelho / Correspondente/Getty Images)

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) apresentou em janeiro alta de 1,33% contra avanço de 1,97% em dezembro, uma vez que o aumento dos preços tanto no atacado quanto no varejo perderam força, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta sexta-feira.

O resultado, entretanto, ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,90%.

Em janeiro, a alta do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, desacelerou a 1,60%, de 2,27% no mês anterior.

No varejo a pressão também ficou menor, uma vez o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) subiu em janeiro 0,59%, de 1,27% em dezembro.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,76% no período, de alta de 1,12% em dezembro.

“Nesta apuração, os três índices componentes do IGP apresentaram recuo em suas taxas. O IPA foi influenciado por alimentos processados (3,47% para 0,66%), o IPC por passagens aéreas (36,45% para -27,93%) e o INCC por materiais e equipamentos (2,49% para 1,49%)”, explicou André Braz, coordenador dos índices de preços.

O IGP-10 calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.

 

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Economia

Vendas no varejo recuam 0,1% em novembro mesmo com Black Friday

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A expectativa era de alta de 0,40% das vendas no varejo. Setor foi uma das estrelas da retomada após quedas do começo da pandemia

Varejo (Paulo Whitaker/Reuters)

O varejo brasileiro ficou estável em novembro e interrompeu as altas seguidas dos meses anteriores. As vendas no varejo recuaram 0,1% em novembro na comparação com o mês anterior, segundo os números divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mesmo em mês de Black Friday, a alta ficou abaixo da expectativa dos analistas em pesquisa da Reuters, que apontavam alta de 0,40% na comparação mensal.

Em relação ao ano anterior, as vendas subiram 3,4% sobre um ano antes, também abaixo dos 4,9% de consenso na pesquisa da Reuters.

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Economia

Inflação para as famílias mais pobres deve ter chegado a 6,22% em 2020, diz Ipea

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No acumulado do ano, enquanto a inflação das famílias de renda mais baixa teve elevação de 6,22%, o segmento de renda alta registrou taxa menor: 2,74%

Ipea: segundo o estudo, os segmentos de habitação e alimentos e bebidas foram os que mais impactaram a inflação das famílias de menor renda (Amanda Perobelli/Reuters)

 

No acumulado do ano, enquanto a inflação das famílias de renda mais baixa teve elevação de 6,22%, o segmento de renda alta registrou taxa menor: 2,74%.

Os dados constam do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda referente a dezembro, divulgado hoje (15), no Rio de Janeiro, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

“Embora tenha se mantido em dezembro o padrão inflacionário presente nos últimos meses, caracterizado pela aceleração dos preços dos alimentos no domicílio, o reajuste da energia elétrica e a alta nos preços dos serviços livres se revelaram focos de pressão adicionais no orçamento das famílias”, informou o Ipea.

egundo o estudo, os segmentos de habitação e alimentos e bebidas foram os que mais impactaram a inflação das famílias de menor renda impulsionados pela alta de 9,3% nas tarifas de energia e pelos aumentos no preço do gás de botijão (2%), arroz (3,8%), feijão (3,3%), batata (7,3%) e carnes (5,6%).

Foco inflacionário

Já os reajustes das passagens aéreas (28,1%), dos transportes por aplicativo (13,2%) e da gasolina (1,5%) fizeram do grupo transporte o maior foco inflacionário para a classe de renda mais alta no mesmo período.

“Quando se observa a variação acumulada em 2020, se comparada com a de 2019, os dados mostram que, para as três faixas de renda mais baixa, houve uma aceleração da inflação, enquanto que, para as três classes de renda mais alta, o ano passado proporcionou um alívio inflacionário. A diferença entre essas pressões pode ser explicada pelo peso das despesas com alimentos, energia e gás: elas comprometem 37% dos orçamentos mensais nas famílias mais pobres e 15% nas mais ricas”, disse o Ipea.

Acrescentou que, no ano passado, os itens que mais pesaram na cesta de consumo dos mais pobres foram arroz (76%), feijão (45%), carnes (18%), leite (27%) e óleo de soja (104%), além das tarifas de energia (9,2%) e do gás de botijão (9,1%).

No mesmo período, a parcela com renda mais alta da sociedade sentiu uma alta moderada de serviços como mensalidades escolares (1,1%) e serviços médicos e hospitalares (14,8%), além de deflações em itens consumidos majoritariamente por esse grupo, como passagens aéreas (-17%), seguro de automóvel (-8%) e gasolina (-0,2%).

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Economia

Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentam mais do que o esperado

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Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego totalizaram 965 mil, contra 784 mil na semana anterior

Fila para solicitar seguro-desemprego no Arkansas, Estados Unidos: o mercado de trabalho entrou em crise com a covid-19 (Nick Oxford/Reuters)

O número de americanos que entrou com pedidos de auxílio-desemprego pela primeira vez saltou na semana passada, confirmando o enfraquecimento das condições do mercado de trabalho conforme a piora da pandemia de Covid-19 afeta as operações em restaurantes e outras empresas.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego totalizaram 965 mil, em dado ajustado sazonalmente para a semana encerrada em 9 de janeiro, contra 784 mil na semana anterior, informou o Departamento do Trabalho nesta quinta-feira.

Economistas consultados pela Reuters projetavam 795 mil pedidos na última semana.

O dado também foi impulsionado pela reapresentação de pedidos de auxílio após a renovação de um suplemento de 300 dólares até 14 de março como parte de alívio adicional de 900 bilhões de dólares aprovado no fim de dezembro.

Autoridades em muitos Estados proibiram jantares em locais fechados para desacelerar a disseminação do coronavírus. A economia fechou vagas de trabalho em dezembro pela primeira vez em oito meses.

O Livro Bege –do Federal Reserve e que traz informações sobre a atividade empresarial coletadas com contatos nacionais– em janeiro mostrou na quarta-feira que os “contatos nos setores de lazer e hotelaria informaram novos cortes de emprego devido a medids mais rigorosas de restrição”.

Embora os pedidos de auxílio-desemprego tenham caído ante o recorde de 6,867 milhões em março, eles permanecem acima do pico de 665 mil visto durante a Grande Recessão de 2007-09. Economistas disseram que pode levar vários anos para que o mercado de trabalho se recupere da pandemia.

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Economia

PIB da Alemanha cai 5% em 2020, mostram dados preliminares

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Os únicos pontos positivos vieram dos gastos do governo, que elevaram o consumo estatal em 3,4%, e da construção, onde o investimento subiu 1,5%

Lockdown Alemanha; pandemia na Europa; coronavírus (Sean Gallup/Getty Images)

A economia da Alemanha encolheu 5% em 2020, menos do que o esperado, uma vez que forte resposta estatal ajudou a limitar os problemas causados pela pandemia de Covid-19, mostraram nesta quinta-feira dados preliminares da agência de estatísticas.

A contração do Produto Interno Bruto foi menor do que a expectativa de queda de 5,1% em pesquisa da Reuters e também em relação ao recuo recorde de 5,7% sofrido em 2009 durante a crise financeira global.

O governo de coalização da chanceler Angela Merkel adotou desde março uma série sem precedentes de medidas de resgate e estímulo para ajudar as empresas e os consumidores a superarem a pandemia.

Com ajuste para os efeitos do calendário, a economia contraiu 5,3%, mostraram os dados preliminares.

O consumo privado despencou 6% no ano, enquanto o investimento empresarial em novos equipamentos também caiu com força.

As exportações recuaram quase 10%, enquanto as importações caíram 8,6%, disse a agência. Os únicos pontos positivos vieram dos gastos do governo, que elevaram o consumo estatal em 3,4%, e da construção, onde o investimento subiu 1,5%.

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Economia

Ibovespa futuro abre em alta à espera de estímulos americanos

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Investidores esperam que Joe Biden anuncie pacote de 2 trilhões de dólares até o fim desta quinta-feira

Bolsa: Ibovespa futuro abre em alta, em linha com bolsas internacionais (Germano Lüders/Exame)

O Ibovespa futuro abriu em alta nesta quinta-feira, 14, em meio à expectativa de que o presidente eleito Joe Biden anuncie um novo pacote de econômico ainda hoje. Na última semana, Biden afirmou que o país ainda precisa de estímulos e falou “trilhões dólares” , sem mencionar exatamente a quantidade.

Segundo notícia da CNN americana, com base em duas fontes a par do assunto, o valor seria de 2 trilhões de dólares. O montante deve ser distribuído diretamente a famílias e a fundos locais e estaduais.

Com o otimismo por mais estímulos, os principais índices de ações internacionais sobem nesta manhã, enquanto o dólar perde força contra as principais moedas emergentes, incluindo o real.

Investidores também esperam pelos dados de pedidos de seguro desemprego, referente à primeira semana do ano. A estimativa é que o número de pedidos tenha ficado em 795.000, levemente acima dos 787.000 da última divulgação. Um número pior do que o esperado pode reforçar ainda mais a percepção de necessidade de estímulos. A divulgação está prevista para às 10h30 (de Brasília).

No radar do mercado ainda segue o andamento do processo de impeachment de Donald Trump, aprovado na véspera pela Câmara americana. A conclusão do processo ainda depende do apoio de dois terços do Senado. No entanto, o líder da maioria republicana do Senado, Mitch McConnell, sinalizou que não deve dar andamento ao processo até a posse de Biden, em 20 de janeiro – o que esfria os temores sobre protestos de apoiadores de Trump, como os da última semana.

No período da tarde, por volta das 14h30, as atenções devem se voltar para o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, que pode dar mais pistas sobre até quando vão os estímulos por meio de recompra de títulos no mercado. Também são esperados comentários sobre os efeitos da pandemia na maior economia do mundo.

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domingo, 17 de janeiro de 2021

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