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sábado, 10/01/2026

Banco Master criou fraude financeira com empresa de R$ 2 milhões

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Em Brasília

ADRIANA FERNANDES E LUCAS MARCHESINI
FOLHAPRESS

O Banco Master usou uma empresa chamada Brain Realty Consultoria e Participações, que tinha um capital social de R$ 2 milhões, para realizar uma fraude financeira complexa. Essa empresa recebeu um empréstimo de quase meio bilhão de reais do Banco Master, mas o dinheiro não foi utilizado para negócios reais. Em vez disso, foi investido em fundos da Reag, uma instituição financeira envolvida em fraudes, segundo o Banco Central.

Esta é a primeira vez que o nome de uma empresa aparece no esquema de fraude financeira conduzido pelo Banco Master para desviar recursos através de fundos de investimento. O Banco Central denunciou a situação ao Ministério Público Federal, conforme informado por investigadores do caso.

A Brain Realty tem como presidente Marisa Nassar, ex-funcionária da Reag. Ela indicou que qualquer informação deveria ser solicitada a Leonardo Donato, que foi executivo da Reag até 2023 e atualmente é administrador da Blum Capital Partners, empresa que possui participação na Reag Asset Management. Donato não quis comentar o assunto, e o Banco Master não respondeu aos contatos da reportagem.

O capital da Brain Realty subiu de R$ 100 mil para R$ 2,2 milhões em dezembro de 2023, pouco antes da empresa conseguir o empréstimo do Banco Master, numa reunião presidida por João Carlos Mansur, fundador da Reag. Mansur saiu da Reag após a operação da Receita Federal que investigou o uso de fundos da empresa pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Vários fundos ligados ao PCC estão sob investigação na fraude do Banco Master.

A Brain Realty tomou um empréstimo de R$ 459 milhões, que foi direcionado ao Brain Cash Fundo de Investimento Financeiro Multimercado, cujo único cotista é a própria empresa. Este fundo é administrado pela Reag. No mesmo dia do empréstimo, o dinheiro foi transferido para outro fundo, o D Mais, também da Reag. O principal ativo deste fundo eram certificados de ações do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), papéis que mostram a posse de ações reais.

Os gestores dos fundos adquiriram esses títulos de valor baixo como se valessem milhões, inflando assim o patrimônio dos fundos para justificar retiradas e transferências para outros fundos da Reag. A suspeita das autoridades é que esses recursos foram desviados para pessoas ligadas ao dono do Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Essas fraudes em fundos fazem parte de várias denúncias do Banco Central ao Ministério Público Federal que apontam irregularidades no Banco Master. Uma das primeiras denúncias envolveu a venda ao Banco de Brasília (BRB) de R$ 12,2 bilhões em créditos falsos. Investigações sugerem que fundos controlados por laranjas do banco foram usados para lavar pelo menos R$ 11,5 bilhões.

O dinheiro obtido pelo Banco Master via CDBs de investidores serviu para financiar os empréstimos feitos para empresas que alimentavam os fundos fraudulentos.

Como o esquema funcionava, segundo investigadores:

  1. O Banco Master emprestava dinheiro para uma empresa que, apesar de não ser ligada diretamente ao banco, participava do esquema fraudulento.
  2. A empresa aplicava o valor emprestado em fundos da Reag.
  3. O que aparecia para os sistemas do Banco Central era que o empréstimo estava dentro dos limites legais exigidos pela legislação bancária.
  4. O gestor do fundo comprava um ativo com pouco valor real por um preço muito alto, aumentando artificialmente o patrimônio do fundo.
  5. Quem vendeu o ativo ganhava um lucro alto, mesmo com o ativo tendo pouco valor real.
  6. Em seguida, o vendedor reinvestia o dinheiro em outro fundo, e os recursos iam passando de fundo em fundo até chegar a contas de laranjas associadas ao grupo do Banco Master.

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