LUIS EDUARDO DE SOUSA
CAMPINAS, SP (FOLHAPRESS)
Após uma ação da Polícia Federal contra uma rede ilegal que fabricava canetas para emagrecer, cinco entidades pediram à Anvisa que proíba imediatamente a produção e venda desses produtos por farmácias que manipulam medicamentos.
As entidades SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e AMB (Associação Médica Brasileira) assinam o documento que alerta para o perigo à saúde e o descontrole na venda das canetas para emagrecer no Brasil.
A operação da Polícia Federal aconteceu na quinta-feira (28) e incluiu 24 mandados de busca em vários estados, como Bahia, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro. Foram apreendidos carros, um avião, embalagens e medicamentos.
A Anvisa, que participou da ação, foi procurada na sexta-feira (28) mas ainda não comentou o pedido das entidades.
O pedido das entidades se baseia em quatro principais riscos: produção irregular com perigo para a saúde; grande circulação desses produtos no mercado; falta de regulamentação; e esquema organizado de fabricação ilegal.
Na prática, laboratórios que manipulam medicamentos estariam usando sua estrutura para fabricar e vender produtos semelhantes ao tirzepatida – princípio ativo do medicamento Mounjaro – em grande quantidade.
Essa prática é irregular, pois farmácias de manipulação devem fabricar medicamentos em pequenas quantidades adequadas para o uso individual, e não em larga escala.
“As moléculas originais (como a tirzepatida) são complexas e precisam de processos industriais avançados, controle rigoroso de temperatura, testes detalhados, validação de dose e envase especial”, destaca o texto, explicando que essas etapas não podem ser feitas corretamente em farmácias comuns.
As entidades afirmam que redes de produção ilegais como a descoberta pela PF estão se espalhando no país, aproveitando a falta de fiscalização. Assim, aumenta a procura, e os produtores divulgam e vendem esses produtos pelas redes sociais e aplicativos de mensagem, sem controle.
Essa situação pode causar contaminação, infecções, alergias e até falsificação dos medicamentos. A concentração das substâncias pode variar, aumentando o risco de toxicidade. O transporte desses produtos, que precisa de refrigeração rigorosa, também é negligenciado, resultando em casos graves como pancreatite, vômitos contínuos, problemas metabólicos e internações hospitalares.
De acordo com as normas da Anvisa, para importar o ingrediente ativo dos medicamentos, as empresas devem fazer testes rigorosos e apresentar os resultados à agência, o que torna inviável a produção em grande quantidade por farmácias de manipulação.
“Isso está além do que farmácias de manipulação podem fazer, pois elas devem ajustar a dose para cada paciente, não fabricar em grande escala como uma indústria farmacêutica”, explica a ginecologista Lia Cruz da Costa Damásio, diretora da Febrasgo.

