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Atentados do EI matam mais de 80 no Iraque e Paquistão

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Dois atentados jihadistas suicidas fizeram dezenas de vítimas em Bagdá e Sehwan Sharif

Voluntários trabalham no local onde carro-bomba explodiu na cidade de Peshawar, Paquistão - 16/02/2017 (Fayaz Aziz/Reuters)

Voluntários trabalham no local onde carro-bomba explodiu na cidade de Peshawar, Paquistão – 16/02/2017 (Fayaz Aziz/Reuters)

Mais de 80 pessoas morreram nesta quinta-feira em ataques terroristas do Estado Islâmico no Iraque e no Paquistão. Em Bagdá, capital do Iraque, ao menos 55 pessoas morreram em um atentado terrorista com carro-bomba, informou a emissora Al Jazeera. Mais de 70 ficaram feridas na explosão que ocorreu no sul da capital iraquiana.

A ação foi reivindicada pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI) e é a terceira em três dias. Nesta quarta, outras 18 pessoas morreram e na terça mais quatro perderam a vida em ataques semelhantes. No entanto, os jihadistas não assumiram a autoria desses dois atos.

As autoridades iraquianas acreditam que os frequentes atentados com kamikazes e carros-bomba no país sejam uma resposta dos extremistas aos avanços feitos pelos militares iraquianos, com a ajuda dos países ocidentais, na luta contra o EI. Em território iraquiano, eles perderam o controle de inúmeras cidades importantes desde o ano passado.

Paquistão — Ao menos 30 pessoas morreram e outras 100 ficaram feridas vítimas de um atentado suicida perpetrado pelo EI na entrada de um santuário na cidade de Sehwan Sharif, no sul do Paquistão. De acordo com a imprensa local, a mulher-bomba teria detonado o explosivo durante um ritual religioso no templo, que é construído em torno do túmulo do filósofo sufi Lal Shahbaz Qaladar.

O grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou o ataque em comunicado divulgado pela sua agência de notícias, a Amaq.

Carro-bomba explode em Hayy al-Shurta, sul de Bagdá, no Iraque

Carro-bomba explode em Hayy al-Shurta, sul de Bagdá, no Iraque – 16/02/2017 (Stringer/Reuters)

(Com agência ANSA)

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Erupção de vulcão em ilha de La Palma provoca fugas e destrói casas

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Já foram retiradas cerca de 5 mil pessoas, incluindo 500 turistas

© BORJA SUAREZ

A primeira erupção vulcânica das Ilhas Canárias em 50 anos obrigou a retirada de cerca de 5 mil pessoas, incluindo aproximadamente 500 turistas, e destruiu cerca de 100 casas, disseram autoridades nesta segunda-feira (20).

O vulcão entrou em erupção nesse domingo (19), lançando lava a centenas de metros de altura, atingindo casas e florestas e enviando rocha derretida rumo ao Oceano Atlântico, ao longo de uma área escassamente povoada de La Palma, ilha do extremo noroeste do arquipélago das Canárias.

Nenhuma morte foi registrada, mas o vulcão ainda estava ativo nesta segunda-feira. Um repórter da Reuters viu fumaça espessa saindo do vulcão e casas em chamas.

Autoridades disseram ter esperança de não ter que retirar mais ninguém.

“A lava está seguindo para o litoral e o dano será material. De acordo com especialistas, há cerca de 17 milhões a 20 milhões de metros cúbicos de lava”, disse o presidente regional, Ángel Victor Torres, à Rádio Cadena Ser.

O fluxo de lava já destruiu cerca de 100 casas, disse Mariano Hernández, presidente do conselho de La Palma.

Cerca de 20 moradias foram engolidas no vilarejo de El Paso, assim como trechos de ruas, disse o prefeito Sergio Rodríguez à emissora estatal TVE. A lava estava se espalhando por vilarejos vizinhos e colocando centenas em risco, acrescentou.

O vulcanólogo Nemesio Pérez disse que mortes são improváveis, contanto que ninguém se comporte irresponsavelmente. Agência Brasil

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Alemanha libera entrada de brasileiros vacinados com Coronavac

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A partir de domingo, 19, o Brasil vai deixar a lista de países de alto risco da pandemia do novo coronavírus, informou a agência governamental alemã para o controle e prevenção de doenças infecciosas

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A Alemanha anunciou nesta sexta-feira, 17, que a entrada de turistas brasileiros vacinados com a Coronavac ou que ainda não completaram a vacinação será liberada sem a necessidade de quarentena ou comprovação de extrema necessidade.

A partir de domingo, 19, o Brasil vai deixar a lista de países de alto risco da pandemia do novo coronavírus, informou o Instituto Robert Koch (RKI), a agência governamental alemã para o controle e prevenção de doenças infecciosas.

Na prática, quem se vacinou com a Coronavac — que ainda não tem a aprovação da Agência Europeia de Medicamentos — ou não se vacinou pode apresentar teste negativo para o coronavírus ou comprovar que se recuperou da doença para entrar no território alemão. No caso do teste, pode ser um exame de PCR (com coleta de até 72 horas) ou um de antígeno (com coleta de até 48 horas).

Também não será mais necessário realizar quarentena obrigatória de dez dias para quem chega do Brasil nem obrigação de apresentação de motivo de “extrema necessidade” para entrar no país. Desde 22 de agosto, brasileiro vacinados com imunizantes aprovados pela União Europeia — Pfizer, AstraZeneca, Moderna e Janssen — podem entrar na Alemanha.

Crianças menores de 12 anos estão dispensadas da obrigação de apresentar comprovantes e podem entrar no país sem restrições, acompanhadas de um responsável legal.

Países europeus que liberaram brasileiros

Além da Alemanha, Portugal, França, Suíça, Croácia e Espanha são outros países da Europa que passaram a aceitar viajantes do Brasil, desde que estejam com esquema vacinal completo contra a covid-19. O único país que não aceita vacinados com a Coronavac é a França. Em todos, a entrada também é liberada sem a necessidade de quarentena com a apresentação de um teste negativo para o coronavírus.

A comissão da União Europeia também disponibiliza site com informações atualizadas sobre os requisitos para viajantes nos 27 países-membros do bloco e nos quatro integrantes da zona Schengen (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein).

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Seis ministros ligados a Kirchner decidem deixar governo Fernández

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A manobra evidencia ainda mais a divisão entre os aliados de Fernández e o grupo ligado à vice-presidente, Cristina Kirchner

Governo Fernandez sofreu uma dura derrota nas primárias de domingo (Amilcar Orfali/Getty Images)

Seis ministros do governo da Argentina, vários secretários e diretores de agências colocaram na quarta-feira, 15, seus cargos à disposição do presidente, Alberto Fernández, após a contundente derrota do partido governista nas primárias de domingo, que definiram os candidatos para a eleição legislativa de novembro. Os nomes que pediram demissão são todos ligados à vice-presidente, Cristina Kirchner.

A manobra evidencia ainda mais a divisão entre os aliados de Fernández e o grupo de Cristina. Segundo o jornal Clarín, o núcleo duro do kirchnerismo defende a radicalização do governo e pretende forçar a queda do chefe de gabinete, Santiago Cafiero, e dos ministros Matías Kulfas, do Desenvolvimento Produtivo, e Martín Guzmán, da Economia, que ontem estiveram reunidos com o presidente para demonstrar lealdade.

Segundo a imprensa argentina, Fernández e Cristina conversaram por telefone, na segunda-feira, e se reuniram na noite de terça-feira por mais de três horas na Casa Rosada – o encontro não teria terminado bem, de acordo com fontes do governo citadas pelos principais jornais argentinos.

Ontem, o primeiro a anunciar a renúncia foi Eduardo “Wado” de Pedro, ministro do Interior, que enviou uma carta a Fernández manifestando as razões de sua decisão. “Ouvindo suas palavras no domingo à noite, quando você declarou a necessidade de interpretar o veredicto dado pelo povo argentino, considerei que a melhor maneira de colaborar com esta tarefa é colocar minha renúncia a sua disposição”, escreveu o ministro.

Em seguida, Fernández recebeu a notícia das saídas dos ministros Martín Soria, da Justiça, Roberto Salvarezza, de Ciência e Tecnologia, Juan Cabandié, do Meio Ambiente, Jorge Ferraresi, do Desenvolvimento Territorial e Habitação, e Tristan Bauer, da Cultura. Secretários, diretores de agências e Fernanda Raverta, presidente da Aerolíneas Argentinas, também pediram para deixar o governo. “Conversamos com o presidente e, de uma forma ou de outra, todos renunciamos”, disse Ferraresi, em entrevista à rádio Con Vos.

Elisa Carrió, ex-deputada e ex-candidata presidencial, acusou Cristina de querer dar um “golpe de Estado” em Fernández. “A tentativa de esvaziar o presidente por parte de uma vice-presidente é um golpe de Estado”, declarou Carrió, que é ligada a Mauricio Macri, em entrevista à Rádio Mitre. “A vice-presidente não pode dizer ao presidente quem demitir, seja ele derrotado ou vitorioso. O presidente tem de exercer suas funções institucionais e resistir.”

No início da noite, Fernández promoveu uma nova reunião de emergência na Casa Rosada com os ministros que não haviam entregado o cargo. Segundo assessores, o governo analisa mudanças para melhorar seu desempenho nas urnas em novembro, quando os argentinos renovarão 127 dos 257 deputados e 24 dos 72 senadores – além de representantes eleitos nas províncias.

As prévias de domingo, a primeira votação enfrentada por Fernández no cargo de presidente, foram vistas por analistas políticos argentinos como um plebiscito sobre seu mandato, marcado por medidas de combate à pandemia de covid-19 e por uma recessão econômica que começou em 2018. O resultado acabou sendo uma demonstração de força da oposição, que se torna uma ameaça ainda maior o peronismo nas eleições presidenciais de 2023.

De acordo com a contagem provisória dos votos das primárias, as listas de pré-candidatos a deputado da coligação governista Frente de Todos, de Fernández e Cristina, foram as mais votadas em apenas 7 das 24 províncias. Os nomes da coalizão opositora Juntos pela Mudança, ligada ao ex-presidente Mauricio Macri, foram os mais votados em 14. Já em relação às listas para o Senado, os governistas ganharam apenas em duas das oito províncias onde houve votação.

Como o voto na Argentina é obrigatório, as primárias se tornam uma espécie de pesquisa em grande escala. Nesse caso, o resultado faz com que o governo tema perder a maioria no Senado e impossibilita sua consolidação na Câmara dos Deputados quando, em 14 de novembro, terão eleições para uma renovação parcial do Congresso.

Fernández, sem força política própria, assumiu o cargo em dezembro de 2019 com uma chapa promovida pela ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), agora vice.

Durante sua gestão, Fernández teve que enfrentar a pandemia de covid-19 e o aprofundamento da crise econômica que deixou quase metade da população na pobreza.

Com a popularidade em declínio, Cristina tem criticado no último ano a gestão de Fernández, revelando divergências internas e até referindo-se a “funcionários que não trabalham”.

A Argentina acumula até agosto um aumento da inflação de mais de 30%, entre as mais altas do mundo, e um índice de pobreza de 42% em meio a uma recessão que dura desde 2018.

O governo também deve negociar com o FMI um acordo de ampliação das facilidades para substituir o Stand-By assinado em 2018 durante o governo Macri e pelo qual deve US$ 44 bilhões. (Com agências internacionais)

 

 

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Vladimir Putin anuncia isolamento depois de testes positivos em sua equipe

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 Rússia foi o primeiro país a aplicar vacinas contra a covid-19, menos de 30% de sua população foi totalmente imunizada

Fotos Pública (foto Kremlin)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira 16, que dezenas de funcionários de seu gabinete foram infectados pela covid-19 e que ele permanecerá isolado por causa do surto.

Dias atrás, o Kremlin anunciou que Putin começaria um período de isolamento após alguém de seu círculo ter sido infectado, embora o presidente tenha testado negativo para a doença e sido totalmente vacinado com o imunizante Sputnik V, produzido localmente.

Nesta quinta, porém, Putin afirmou que há uma série de casos próximos.

“Casos de coronavírus foram identificados no meu ambiente imediato, e não se trata de uma ou duas pessoas, mas de várias dezenas. Agora, teremos de cumprir o regime de isolamento por vários dias”, afirmou o presidente russo em vídeo.

Embora a Rússia tenha sido o primeiro país a aplicar vacinas contra a covid-19, menos de 30% de sua população foi totalmente imunizada.

Segundo força-tarefa russa para o coronavírus, o país já registrou cerca de 7,2 milhões de casos da doença, com 195.835 mortes.

 

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Forças francesas matam líder do EI no Grande Saara

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Segundo a ministra da Defesa francesa, Florence Parly, o líder do EIGS, “morreu após um ataque da força Barkhane”

(crédito: Ludovic MARIN / AFP)

 

As Forças Armadas francesas que atuam na região africana do Sahel mataram o líder do grupo Estado Islâmico no Grande Saara (EIGS), Adnan Abu Walid al-Sahraoui, procurado pelos Estados Unidos por ataques mortais contra seus soldados e trabalhadores humanitários estrangeiros.

“Adnan Abu Walid al-Sahraoui, chefe do grupo terrorista Estado Islâmico no Grande Saara, foi neutralizado pelas forças francesas”, anunciou o presidente francês Emmanuel Macron no Twitter na manhã desta quinta-feira (16).

“Este é um novo grande sucesso na luta contra grupos terroristas no Sahel”, acrescentou Macron.

Walid al-Sahraoui, ex-membro da Frente Polisario saaraui, fundou o EIGS em 2015 depois de deixar o movimento da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico e jurar lealdade ao EI, que na época controlava territórios no Iraque e na Síria.

Este grupo extremista foi identificado pela França como um “inimigo prioritário” no Sahel.

A operação em que morreu o líder do EIGS, considerado responsável pela maioria dos atentados cometidos no Mali, Níger e Burkina Faso, ocorreu “em meados de agosto” depois de uma “manobra de inteligência de longo prazo e graças a várias operações de captura de pessoas próximas a Al Sahraoui”, informou a ministra francesa da Defesa, Florence Parly, em coletiva de imprensa.

Walid al Sahraoui andava como passageiro em uma moto que foi atacada por um drone em uma área ao sul de Indelimane, no Mali, nas três fronteiras com Burkina Faso e Níger, detalhou o chefe de Estado Maior, Thierry Burkhard.

“Representa um golpe decisivo contra este grupo terrorista”, opinou a ministra no Twitter.

Walid al-Sahraoui era “quem procurávamos, visto que era o líder autoritário, indiscutível e sem rival” dentro do grupo islamita.

“Quando se elimina um elo fundamental da corrente, se interrompe e se enfraquece esses grupos terroristas”, frisou a ministro, que afirmou que o segundo e o terceiro no comando do EIGS já haviam sido “neutralizados” durante a primavera e o verão.

Série de assassinatos

Walid al-Sahraoui, que esteve por trás da morte de trabalhadores humanitários franceses em 2020, também estava sendo caçado pelos Estados Unidos por uma emboscada em outubro de 2017 no sudoeste do Níger, perto de Mali, na qual quatro soldados de suas forças especiais e quatro nigerianos foram mortos.

Esta área é palco habitual de ações de dois grupos terroristas islâmicos: o Estado Islâmico no Grande Sahara (EIGS) e o Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos, ligado à Al-Qaeda.

O EIGS realizou ataques particularmente mortais contra civis e militares na chamada “zona das três fronteiras”.

Os Estados Unidos até ofereceram uma recompensa de US $ 5 milhões por informações sobre o paradeiro de Sahraoui.

Em 9 de agosto de 2020, no Níger, o chefe do grupo ordenou pessoalmente o assassinato de seis trabalhadores humanitários franceses e do guia e motorista nigerianos que os acompanhavam.

No final de 2019, o grupo realizou uma série de ataques em grande escala contra bases militares no Mali e no Níger.

Ex-membro do movimento de independência da Frente Polisario do Saara Ocidental, Sahraoui juntou-se à Al-Qaeda no Magrebe Islâmico e também co-liderou o Mujao, um grupo islamita do Mali responsável pelo sequestro de trabalhadores humanitários espanhóis na Argélia e de um grupo de diplomatas argelinos no Mali em 2012.

O Exército francês matou vários membros do alto escalão do EIGS como parte de sua estratégia de atacar os líderes extremistas no âmbito de sua operação militar no Mali.

Após oito anos de ações no Sahel, Macron anunciou em junho uma redução da presença militar francesa na área e o fim da operação Barkhane.

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Polônia recorda a fome e o frio das deportações à Sibéria

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A União Soviética deportou do território polonês mais cerca de 100 mil pessoas – alemães, silesianos ou poloneses – muitas vezes membros da antiga resistência polonesa contra os nazistas.

(crédito: Wojtek RADWANSKI / AFP)

Há quase uma vida, Elzbieta Smulkowa foi deportada da Polônia para a distante Sibéria, mas a memória ainda a comove: “O pior era a fome, a falta de aquecimento e a impossibilidade de ajudar mais a minha mãe”.

Ela tinha 10 anos quando, junto com sua irmã e mãe, deixou sua casa em Lviv (hoje Ucrânia), na época polonesa, mas ocupada pelo Exército Vermelho, para se juntar a milhões de deportados para a Sibéria Soviética, incluindo centenas de milhares de poloneses.

Seu pai, um guarda florestal, havia sido preso um ano antes pela polícia política soviética. Só meio século depois eles puderam confirmar sua morte no massacre de Katyn, onde mais de 20 mil oficiais e membros da elite social polonesa foram assassinados por ordem pessoal de Stálin.

As vítimas das deportações serão recordadas no Memorial da Sibéria em Bialystok (noroeste), a ser inaugurado em 17 de setembro, aniversário da invasão da Polônia pela União Soviética em 1939, pouco depois da entrada da Alemanha nazista pelo oeste.

O museu aborda não apenas as deportações soviéticas, mas também as da época em que parte da Polônia esteve sob o jugo dos czares.

Organizado em uma antiga instalação militar, o Memorial está “exatamente no local de onde partiam os comboios de deportados” durante a Segunda Guerra Mundial, disse à AFP Wojciech Sleszynski, diretor deste centro único na Europa.

As deportações para a Sibéria não afetaram apenas os poloneses, mas todos aqueles considerados hostis à Rússia dos czares e, posteriormente, à União Soviética.

Russos, ucranianos, alemães, italianos, bálticos, tártaros… representantes de até 60 nações diferentes estão entre as vítimas do Grande Expurgo de Stalin, dos trabalhos forçados nos gulags ou deportações.

“O museu apresenta a perspectiva polonesa porque estamos na Polônia”, mas “há muitos elementos da experiência universal, do sistema totalitário, do sofrimento e da migração forçada”, apontou Sleszynski.

Também há exemplos de alguns que aproveitaram a ocasião para desenvolver suas paixões e conhecer melhor a Sibéria, como o zoólogo Benedykt Dybowski ou Bronislaw Pilsudski que, em um fonógrafo de Thomas Edison, registrou testemunhos únicos dos povos indígenas recentemente restaurados.

As deportações soviéticas entre 1940 e 1941 cobriram todo o antigo território da Polônia, uma encruzilhada de nações.

Pelo menos 330 mil pessoas foram expulsas – poloneses, judeus, bielorrussos, ucranianos e outros – dos quais, 130 mil eram crianças.

No caso de Elzbieta, a jornada com sua irmã e sua mãe as levou de sua casa para um vilarejo 6.000 km a leste perto de Kargasok, no meio da taiga.

“Havia duas famílias polonesas, quatro ucranianas e seis letãs”, disse à AFP Smulkowa, que acabaria se tornando professora de línguas eslavas na Universidade de Varsóvia e a primeira embaixadora polonesa em Belarus.

Sua mãe trabalhava no campo e protegia suas filhas.

“Nós, as crianças, encontrávamos proteção e amor em nossas mães porque elas não tinham mais nada. Elas foram privadas de seus maridos, de suas casas, de tudo”, relata.

Vários objetos do Memorial lembram essa experiência de forma concisa e simbólica: uma imagem da Virgem que viajou três vezes à Sibéria com três gerações da mesma família, uma máquina de costura que permitiu sobreviver à miséria ou um violino oferecido a um policial por uma menina de dez anos para poder retornar à Polônia.

Depois da guerra, aos poucos, os deportados puderam retornar aos seus países. Em 1946, quando voltou para a Polônia, “tive realmente a sensação de que a relva era mais verde e o céu mais azul”, diz Elzbieta Smulkowa.

Mas o fim da guerra não terminou com as deportações.

A União Soviética deportou do território polonês mais cerca de 100 mil pessoas – alemães, silesianos ou poloneses – muitas vezes membros da antiga resistência polonesa contra os nazistas.

Na história europeia, “todos nós conhecemos episódios de deportações. Tentamos falar sobre isso, sem acusações mútuas, mas concentrando-nos nos temas universais do sofrimento e das experiências”, diz Sleszynski.

 

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