Nossa rede

Ciência

Aquecimento de mais 2ºC na Terra deve provocar ondas de calor mortais

Publicado

dia

Estudo aponta que mudanças na duração de eventos climáticos podem ter fortes impactos na saúde humana, produção de alimentos, biodiversidade e economia

Calor: estudos apontam para verões cada vez mais quentes no planeta (Thilo Schmuelgen/Reuters)

Os verões do hemisfério norte trarão ondas de calor perigosamente mais longas, secas e chuvas fortes mesmo que a humanidade consiga limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius, disseram cientistas nesta segunda-feira, 19.

Com 1ºC de aquecimento dos tempos pré-industriais até agora, o clima extremo desse tipo já se tornou mais intenso, com uma única onda de calor em 2003 levando a 70.000 mortes somente na Europa.

Mas o novo estudo, publicado na revista Nature Climate Change, é o primeiro a quantificar quanto tempo a mais esses eventos durarão se as temperaturas subirem mais um grau Celsius.

“Nós pudemos ver uma mudança significativa nas condições climáticas do verão”, disse o autor principal do estudo, Peter Pfleiderer, pesquisador na Universidade Humboldt, em Berlim.

“O clima extremo se tornaria mais persistente – períodos quentes e secos, bem como dias consecutivos de chuva forte seriam mais longos”, acrescentou.

Mesmo pequenos aumentos na duração de eventos climáticos extremos podem ter impactos devastadores na saúde humana, produção de alimentos, biodiversidade e crescimento econômico.

Durante a onda de calor de 2018 na Europa, por exemplo, vários períodos quentes e secos levaram a perdas de 15% no rendimento do trigo na Alemanha.

Nos Estados Unidos, os últimos 12 meses foram os mais chuvosos já registrados, com grandes áreas paralisadas por chuvas contínuas e inundações.

O estudo analisou as mudanças no sistema climático do hemisfério norte que podem estar gerando um clima mais extremo.

“Os modelos climáticos mostram um enfraquecimento sistemático da circulação atmosférica em grande escala no verão – incluindo as correntes de jato e tempestades – à medida que o planeta aquece”, disse o coautor Dim Coumou, pesquisador da Universidade Livre de Amsterdã.

“O aumento da persistência do clima pode estar ligado a um enfraquecimento dessa circulação”, acrescentou.

À medida que ela desacelera, condições quentes e secas podem se desenvolver nos continentes. Ao mesmo tempo, furacões e tufões podem persistir por mais tempo em um lugar.

Ondas de calor de duas semanas

De acordo com as novas descobertas, a chance de períodos quentes prolongarem-se por mais de duas semanas em um mundo 2ºC mais quente aumentará em 4% em relação a hoje, com aumentos ainda maiores no leste da América do Norte, na Europa central e no norte da Ásia.

Condições similares à seca com mais de 14 dias de duração se tornarão 10% mais prováveis na região central da América do Norte.

E períodos de chuvas fortes sustentadas aumentarão mais de 25% em toda a zona temperada do norte.

Todos esses impactos seguiriam secas mais intensas, chuvas fortes e ondas de calor, como as temperaturas recorde que foram registradas em grande parte do hemisfério norte em junho e julho deste ano.

“Para um aquecimento acima de 2ºC, esperamos ainda mais extremos de persistência de calor”, disse o coautor Carl-Friedrich Schleussner, chefe de ciência climática e impactos na Climate Analytics, em Berlim, à AFP.

“Tendo em mente que o ritmo lento atual de redução de emissões coloca o mundo no caminho para +3ºC, nosso estudo ressalta a necessidade de uma ação urgente”.

Sob o Acordo de Paris de 2015, o mundo se comprometeu a limitar o aquecimento globa “bem abaixo” de 2ºC e, se possível, de 1,5ºC.

“Limitar o aquecimento a 1,5ºC reduziria consideravelmente os impactos do clima extremo do verão”, disse Schleussner.

Muitos cientistas, no entanto, dizem que a meta de 1,5ºC não está mais ao alcance – as emissões de CO2 subiram para novos recordes nos últimos dois anos e estão caminhando para fazer isso novamente em 2019.

Comentário

Ciência

Estudo confirma teoria sobre verdadeira causa do fim dos dinos

Publicado

dia

Análise geológica prova que problema não foi o impacto do asteroide, mas a liberação de enxofre na atmosfera

Asteroide (Foto: NASA/Don Davis)

Novas evidências geológicas corroboram para a comprovação de antigas teorias sobre como foram os dias após o impacto do asteroide que dizimou os dinossauros. O novo estudo contou com quase 25 pesquisadores e foi comandado pela Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

Cerca de 66 milhões de anos atrás, um enorme asteroide atingiu a Terra na região em que hoje está o Golfo do México. O choque foi tão grande que resultou na extinção de 75% da vida existente à época, incluindo os dinossauros. Para os pesquisadores, isso aconteceu porque o objeto extraterrestre provocou incêndios, tsunamis e lançou tanto enxofre na atmosfera que bloqueou o sol, o que causou um resfriamento global intenso — e mortal.

A teoria é antiga, mas a nova análise, publicada pelo periódico científico PNAS, encontrou evidências concretas de que os cientistas estão certos. Segundo os especialistas, a investigação começou em 2016, quando a equipe extraiu material equivalente a quase 130 metros de altura de detritos geológicos acumulados na região em que ocorreu o impacto.

Para o pesquisador e coautor do estudo Jens Olof Ormö, uma das vantagens de estudar crateras é que os eventos seguintes a um impacto são muito bem conhecidos: “Podemos reconstruir uma sequência de eventos [por exemplo, ver quais sedimentos seguem um acima do outro]. Pelo tipo de sedimento [tamanho dos clastos (fragmentos), tipo e classificação], podemos saber se eles foram depositados rápida ou lentamente, e o tempo que levou”, disse, segundo El País.

Parte dos fragmentos geológicos estudados pela equipe (Foto: International Ocean Discovery Program)

Dentro da cratera, os pesquisadores encontraram carvão e um biomarcador químico associado a fungos que, quando presentes dentro ou acima de camadas de areia, sinalizam a existência de água. Como explicaram em comunicado, o achado sugere que a paisagem carbonizada foi varrida para dentro da cratera criada pelo asteroide.

Só isso já seria o suficiente para mudar para sempre os ecossistemas próximos ao impacto, mas foi o que aconteceu a seguir que realmente mudou o mundo. Para compreenderem o que aconteceu depois, os cientistas descobriram uma pista que, na verdade, não estava na composição geológica estudada — e aí reside a maior evidência de que eles estão certos.

Embora a área ao redor da cratera esteja cheia de rochas geralmente ricas em enxofre, a substância não foi encontrada. O fato corrobora a teoria de que o impacto resultou na vaporização dos minerais que continham o elemento, liberando-os na atmosfera.

Resultado? O enxofre — ao menos 325 bilhões de toneladas — refletiu a luz solar para longe da Terra, causando o resfriamento do planeta, o que teve um efeito devastador. “O verdadeiro assassino deve ser atmosférico. A única maneira de obter uma extinção em massa global como essa é um efeito atmosférico”, afirmou Sean Gulick, membro do grupo, em comunicado.

Ver mais

Ciência

Estudo de estrela comprova (mais uma vez) Teoria da Relatividade de Albert Einstein

Publicado

dia

Cientistas observaram fenômeno situado a 25 mil anos-luz da Terra e notaram a “dobra no espaço-tempo” descrita pelo físico

Representação artística de um pulsar (Foto: Divulgação/NASA)

O estudo de um pulsar (nome dado às estrelas de nêutron) situado a 25 mil anos-luz da Terra comprovou mais uma vez a Teoria da Relatividade, desenvolvida pelo físico alemão Albert Einstein. A análise foi feita por cientistas do Instituto Max Planck de Radioastronomia em Bonn, na Alemanha, e publicado na revista Science.

Os pulsares são estrelas de nêutrons extremamente massivas: concentram 40% mais massa que o Sol em uma esfera de 20 quilômetros de diâmetro. Eles giram rapidamente em torno de si mesmos e têm campos magnéticos extremamente fortes que emitem feixes de ondas de rádio —, e podem ser detectados da Terra.

A Teoria da Relatividade Geral, formulada por Einstein pela primeira vez em 1915, descreve como a matéria e a energia distorcem o “tecido” do espaço-tempo, o que resulta na força da gravidade. Segundo os estudos do físico alemão, objetos astronômicos densos, como os pulsares, podem curvar o espaço-tempo consideravelmente.

Sendo assim, se dois pulsares orbitarem um ao outro, a relatividade geral prevê que eles criem uma leve oscilação à medida que giram, chamada de “rotação relativística”. De acordo com especialistas, se um pulsar gira em um ângulo desalinhado com a órbita e seu par, o objeto  mudará seu eixo de rotação.

Representação artística do sistema binário de pulsares (Foto: Reprodução Youtube SciNews)

 

É exatamente isso o que acontece com o pulsar PSR J1906+0746, estudado pela equipe do instituto alemão. Em pulsares únicos, pode-se detectar as ondas enviadas pelos polos sul e norte sem dificuldade. Contudo, em sistemas binários, por conta da dobra do espaço-tempo, existem momentos em que apenas os sinais provenientes do sul ou do norte magnéticos podem ser encontrados.

Portanto, quando observaram que o pulsar em questão estava enviando ondas de apenas um deses polos, os cientistas decidiram avaliar dados coletados now últimos 14 anos. Não foi grande surpresa quando o grupo conseguiu prever as futuras polarizações do fenômeno, o que está em perfeita concordância com a teoria de Einstein.

“O experimento levou muito tempo para ser concluído”, disse Michael Kramer, um dos responsáveis pelo estudo, em comunicado. “Hoje em dia, infelizmente, os resultados precisam ser rápidos, enquanto esse pulsar nos ensina muito. Ser paciente e diligente realmente valeu a pena.”

 

Ver mais

Ciência

Pela primeira vez, água é detectada em um planeta que fica em “zona habitável”

Publicado

dia

Com oito vezes a massa da Terra, esse planeta é o primeiro encontrado pelos cientistas que possui indícios de água e está localizado para além do Sistema Solar

 

O planeta K2-18b (Foto: Divulgação/ NASA/ESA)

Onde há água, há vida? Graças a informações obtidas pelo telescópio espacial Hubble, pesquisadores constataram a presença de água em forma de vapor na atmosfera de um planeta que está localizado para além do Sistema Solar e fica em uma região conhecida como “zona habitável” — ou seja, possui algumas características que possibilitam condições mínimas para o possível desenvolvimento de formas de vida, como uma distância adequada em relação à sua estrela.

Publicada nesta quarta-feira (11 de setembro) no periódico científico Nature Astronomy, a pesquisa é considerada um marco na história da Astronomia. “Encontrar água em um planeta potencialmente habitável é incrivelmente animador. Isso nos traz a uma questão fundamental: a Terra é única?”, escreveu Angelos Tsiaras, principal autor do trabalho. Veja uma representação artística do planeta:

De acordo com os estudos, o planeta K2-18b possui oito vezes a massa da Terra e está localizado a 110 anos-luz de nosso planeta (cada ano-luz equivale a 9.461.000.000.000 quilômetros). Ao verificar os dados obtidos pelo Hubble, os pesquisadores afirmaram que o planeta orbita a estrela anã K2-18 e provavelmente possui uma atmosfera diferente da Terra, apresentando índices mais severos de radiação e sendo mais “hostil” ao possível desenvolvimento de vida.

Resultado de imagem para fotos de O satélite espacial Hubble

O satélite espacial Hubble (Foto: Divulgação/NASA)

O K2-18b foi descoberto pela primeira vez em 2015 e é um dos planetas chamados de “super-Terras”, que possui uma massa superior ao nosso planeta, mas não conta com características tão colossais como Júpiter ou Saturno. Para constatar a presença de vapor de água, os astrônomos utilizaram um algoritmo para processar as informações captadas pelo telescópio Hubble: de acordo com o estudo, também foram identificados os elementos hidrogênio e hélio na atmosfera do K2-18b.

Após a constatação da presença de água, os cientistas analisarão a possível presença de outras moléculas que fazem parte da composição química do planeta, além de estimar a porcentagem de presença de água na atmosfera.

Lançado em 2018, o telescópio espacial TESS é a aposta dos pesquisadores para que novos planetas potencialmente habitáveis sejam encontrados nos próximos anos. Nos últimos meses, o equipamento já detectou diferentes planetas localizados próximos a estrelas brilhantes. “Com tantas novas super-Terras previstas para serem encontradas nas próximas décadas, é provável que essa seja a primeira descoberta de muitos planetas potencialmente habitáveis”, afirmou Ingo Waldmann, co-autor do estudo, em comunicado.

Desde que foi lançado, em 24 de abril de 1990, o telescópio espacial Hubble contribuiu com descobertas incríveis para a comunidade científica internacional. Localizado a 600 quilômetros de distância da Terra, o equipamento será substituído a partir de 2021 pelo James Webb: os astrônomos afirmam que esse telescópio será cem vezes vezes mais sensível que o Hubble.

Ver mais
Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade