ANA PAULA BRANCO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O aplicativo do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que permite que investidores do Banco Master solicitem o reembolso, enfrentou instabilidade poucas horas após o início dos pagamentos na manhã deste sábado (17), segundo usuários nas redes sociais.
Até o momento, o FGC não fez nenhum comunicado oficial sobre o problema.
Investidores relatam dificuldades para acessar o sistema, completar o cadastro e avançar nas etapas para pedir o reembolso dos valores garantidos. A principal reclamação é sobre a impossibilidade de enviar os documentos necessários.
O FGC iniciou os pagamentos neste sábado para garantir os valores dos investidores do Banco Master, que teve a liquidação decretada em 18 de novembro de 2025 pelo Banco Central.
Podem pedir o ressarcimento aqueles que tinham investimentos como CDBs ou dinheiro em conta corrente no banco.
A operação envolve o pagamento de R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil investidores, tornando-se o maior resgate já feito pelo fundo. Segundo o FGC, o prazo maior de 60 dias entre a liquidação do banco e o início dos pagamentos foi devido à complexidade do caso.
O diretor-presidente do FGC, Daniel Lima, informou que a equipe trabalhou intensamente para disponibilizar os arquivos no menor tempo possível, apesar da operação ter sido excepcionalmente complexa. Inicialmente, esperava-se atender cerca de 1,6 milhão de investidores.
Nas redes sociais, investidores expressam frustração com falhas no aplicativo no momento em que tentam recuperar parte do dinheiro. Relatos incluem telas que não carregam, mensagens de erro e problemas de autenticação. Alguns temem atrasos após quase dois meses aguardando o início dos pagamentos.
O pagamento não é automático. Para receber os valores, os investidores devem se cadastrar no aplicativo do FGC e seguir os passos indicados pelo fundo, que fará os depósitos em contas com o mesmo titular cadastrado.
O FGC já alertou para possíveis golpes durante o processo e reforça que o pedido de ressarcimento deve ser feito somente pelos canais oficiais do fundo.
O valor máximo coberto pelo FGC é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo rendimentos até a data da liquidação do banco. Não há correção por inflação ou taxa Selic após 18 de novembro de 2025.
Especialistas afirmam que o caso não gera risco ao sistema financeiro, pois o fundo possui cerca de R$ 125 bilhões em caixa, segundo o relatório de novembro de 2025. Antes, o maior pagamento havia sido no caso Bamerindus, em 1997, com cerca de R$ 20 bilhões atualizados.
O Banco Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central devido a uma grave crise de liquidez e violação das normas do Sistema Financeiro Nacional. Investigações indicam que o banco pode ter usado operações simuladas, pessoas ‘laranjas’ e atribuição falsa de preços a ativos sem liquidez. O controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi preso ao tentar sair do país, mas foi liberado depois com tornozeleira eletrônica.
