26.5 C
Brasília
quinta-feira, 05/02/2026

Apagão deixa milhares sem luz em Cuba

Brasília
nuvens dispersas
26.5 ° C
26.5 °
26.5 °
61 %
2.1kmh
40 %
qui
26 °
sex
26 °
sáb
24 °
dom
21 °
seg
22 °

Em Brasília

Uma falha significativa na rede elétrica do leste de Cuba causou um apagão que deixou milhares de habitantes sem eletricidade, atingindo completamente três províncias na quarta-feira, dia 4 de fevereiro. Essa interrupção evidencia a vulnerabilidade do sistema de energia cubano, que sofre com dificuldades persistentes, resultado de décadas de embargo econômico pelos Estados Unidos e falta de manutenção adequada.

Após mais de sessenta anos sob sanções dos EUA, a infraestrutura elétrica da ilha está deteriorada, resultando em apagões frequentes e duradouros. A tensão aumentou recentemente quando o ex-presidente Donald Trump ameaçou cortar o fornecimento de petróleo da Venezuela, recurso altamente subsidiado e vital para a geração de energia em Cuba.

As províncias afetadas incluem Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo, localizadas no leste do país, além de partes da província de Holguín. A estatal União Elétrica de Cuba confirmou que uma falha em uma subestação em Holguín provocou a desconexão do sistema, que impactou essas regiões. Santiago de Cuba, a segunda maior cidade da ilha, com mais de 400 mil habitantes, foi uma das áreas mais afetadas.

Moradores relataram ter perdido energia durante o final da tarde, sendo que alguns estavam acostumados aos cortes frequentes e inicialmente não perceberam que se tratava de um apagão generalizado. Cuba enfrenta problemas energéticos desde o final de 2024, com registros indicando que o país gerou apenas metade da eletricidade necessária no último ano.

A crise energética ocorre em meio a outros desafios, como escassez de alimentos, medicamentos e uma significativa migração da população. Enquanto funcionários apontam as sanções rigorosas dos EUA como principal causa, problemas internos, como má gestão econômica e o impacto da pandemia de Covid-19 sobre o turismo, também contribuíram para a situação.

Embora as usinas cubanas tenham sido construídas principalmente nas décadas de 1980 e 1990, recentemente foram instaladas usinas solares com ajuda da China, que infelizmente não foram suficientes para evitar os apagões.

O ex-presidente Trump afirmou desejar negociar com o governo cubano, sem entretanto detalhar os termos. Em dezembro do ano anterior, um grande apagão no oeste de Cuba deixou milhões sem eletricidade, afetando inclusive a capital, Havana.

Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, expressou profunda preocupação com a situação humanitária na ilha, alertando que a crise pode se agravar caso o fornecimento de petróleo não seja garantido.

Após a interrupção do fornecimento da Venezuela, os EUA anunciaram que poderiam aplicar tarifas a países que comercializam petróleo com Cuba, justificando a medida como resposta a uma suposta ameaça à segurança nacional americana.

O governo cubano acusou a administração Trump de tentar asfixiar a economia local, enquanto Carlos Fernandez de Cossio, vice-ministro das Relações Exteriores, negou que haja diálogo efetivo entre os dois países.

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum se comprometeu a enviar ajuda humanitária e buscar meios para continuar suprindo Cuba com petróleo, apesar das ameaças americanas de cessar esse fornecimento.

Dario Alvarez, representante da ONU para coordenação humanitária na América Latina e Caribe, ressaltou que a situação em Cuba é delicada, agravada por desastres naturais e pela dificuldade logística gerada pela falta de combustível.

A escassez de energia impacta serviços essenciais, como transporte, hospitais, sistemas de água e alimentação, tornando urgente uma resposta coordenada para estabilizar o sistema elétrico e minimizar os efeitos do apagão sobre a população.

Veja Também