A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento Xcopri (cenobamato), produzido pela Momenta Farmacêutica, para tratar crises focais em adultos que têm epilepsia resistente aos tratamentos convencionais. A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União em 9 de março.
A epilepsia resistente ao tratamento afeta cerca de 30% dos pacientes, que continuam a ter crises mesmo após usarem pelo menos dois medicamentos diferentes. O cenobamato é um remédio que ajuda a controlar a atividade elétrica anormal no cérebro, reduzindo a frequência das crises.
Estudos mostraram que o medicamento diminuiu significativamente a quantidade de crises. Pacientes que tomaram 100 mg por dia tiveram uma redução de ao menos 50% das crises em 40% dos casos. No grupo que tomou 400 mg por dia, essa redução atingiu 64%, enquanto apenas 26% dos que tomaram placebo melhoraram.
O remédio não é indicado para pessoas com uma condição genética rara chamada síndrome do QT curto, que pode causar problemas no ritmo do coração.
Apesar da aprovação, o Xcopri só poderá ser vendido após o preço máximo ser definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A disponibilidade gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e decisão do Ministério da Saúde.
A epilepsia é um problema neurológico caracterizado por crises repetidas causadas por alterações na atividade elétrica do cérebro. A doença aumenta o risco de acidentes, morte súbita e problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, além de impactar a vida pessoal e profissional dos pacientes. No mundo, cerca de 65 milhões de pessoas têm epilepsia, sendo mais de 2 milhões no Brasil.
A aprovação do medicamento acontece durante o Março Roxo, uma campanha para conscientizar sobre a epilepsia, que também inclui o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, em 26 de março. A campanha tem o objetivo de informar as pessoas, diminuir o preconceito e aumentar a empatia. De acordo com a neurologista Juliana Passos, membro da diretoria da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), o novo remédio representa um avanço importante para pacientes com epilepsia difícil de tratar, oferecendo melhores resultados que os medicamentos mais recentes disponíveis.
Com informações do Governo Federal
