Vitor Hugo Batista
São Paulo, SP (FolhaPress)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou em 2026 as opções de medicamentos injetáveis para diabetes tipo 2 e obesidade. Com o fim da patente do Ozempic (semaglutida da Novo Nordisk) em março, surgiram genéricos e similares, além de novos produtos com liraglutida.
Foram aprovadas 12 canetas para emagrecimento: 10 com semaglutida e 2 com liraglutida. No entanto, a variedade não garante que todos os remédios sejam iguais ou que o preço seja o único fator para escolha, que deve sempre passar por avaliação médica.
De acordo com Bruna Marinho, endocrinologista e coordenadora do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Felício Rocho, Ribeirão Preto, a seleção do medicamento depende do diagnóstico, necessidade de perda de peso, doenças associadas, evidência científica e possibilidade de continuidade do uso.
Tratando-se de doenças crônicas, como obesidade e diabetes, o tratamento muitas vezes precisa durar meses ou anos. Assim, remédios com maior efeito, como o Mounjaro (tirzepatida da Eli Lilly), podem não ser viáveis financeiramente para todos os pacientes.
Os efeitos colaterais, principalmente gastrointestinais — náusea, dor abdominal, refluxo e constipação — também influenciam a escolha.
Alana Rocha, professora de endocrinologia na Afya Educação Médica Vitória, reforça que o histórico do paciente e a tolerância ao medicamento devem ser considerados, pois nem sempre é possível trocar facilmente de tratamento.
Semaglutida
A principal novidade no Brasil envolve a semaglutida, popularmente conhecida pelas marcas Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk. Essa substância copia a ação do hormônio GLP-1, que ajuda a controlar o açúcar no sangue e a reduzir o apetite, promovendo a perda de peso.
Com a patente expirada em março, outras farmacêuticas entraram no mercado. Em maio, a Anvisa aprovou o Ozivy, da EMS, para diabetes tipo 2. Em julho, foram liberados cinco produtos à base de semaglutida de diferentes laboratórios.
Em agosto, dois genéricos e similares da EMS e Germed foram aprovados, além do Yluméc, também da EMS.
Confira as 9 canetas de semaglutida aprovadas em 2026: Ozivy (EMS), Semavy (Cosmed), Owozy (Ávita Care), Zempneo (Brainfarma), Seemasun (Sun Farmacêutica), Orsema (Ranbaxy), genéricos da EMS e Germed, Semaclique (Germed) e Yluméc (EMS).
O preço do Ozempic varia de R$ 975 a R$ 999, enquanto o Ozivy custa entre R$ 452 e R$ 498. Os genéricos devem custar no mínimo 35% menos, estimado entre R$ 293 e R$ 323.
Outros medicamentos ainda aguardam etapas como a definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Antes dessas aprovações, a Eurofarma já vendia desde outubro de 2025 o Extensior e o Poviztra, similares ao Ozempic e Wegovy, respectivamente.
Liraglutida
Outra substância com novos produtos em 2026 foi a liraglutida, que também atua nos receptores de GLP-1. A Anvisa liberou genéricos da EMS para obesidade e diabetes tipo 2, baseados nos medicamentos Olire (para obesidade) e Linux (para diabetes), vendidos a partir de R$ 84 na apresentação de 6 mg em canetas.
Diferentemente da semaglutida e tirzepatida, que geralmente são aplicadas uma vez por semana, a liraglutida pode exigir aplicação diária, o que reduz sua preferência, segundo o endocrinologista Júlio Américo Batatinha, doutorando na USP.
Ele destaca que a liraglutida tem efeito moderado na perda de peso, bom no controle do diabetes, mas seu uso diário é uma desvantagem em comparação às outras substâncias.
Tirzepatida
A tirzepatida é o ingrediente do Mounjaro, medicamento da Eli Lilly, que atua em dois hormônios, GLP-1 e GIP, considerado um agonista duplo. Ainda está sob patente, sendo o único remédio com esse princípio ativo aprovado pela Anvisa para diabetes tipo 2 e obesidade.
Dulaglutida
A dulaglutida é outro agonista do receptor GLP-1, com o Trulicity da Eli Lilly como referência no Brasil, usado para diabetes tipo 2. Não existem genéricos ou similares disponíveis devido à patente vigente.
Júlio Batatinha observa que a dulaglutida é menos potente na perda de peso comparada a semaglutida e tirzepatida, o que diminuiu seu uso para emagrecimento.
