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Anda estressado? Experimente 20 minutos de natureza por dia

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O caminho para o bem-estar pode ser tão fácil quanto um passeio no parque, mostra nova pesquisa

Pílula da natureza: estudo fornece parâmetro para medicina preventiva. (Florian Gaertner / Photothek/Getty Images)

São Paulo – Vida urbana e fadiga mental, uma dupla quase inseparável, concorda? Se você associa seu estresse à agitação da cidade, um passeio no parque em contato com a natureza pode dar um jeito rápido nesse problema.

E falta de tempo não é desculpa. Apenas 20 minutos são suficientes para reduzir significativamente os níveis de estresse, segundo uma nova pesquisa  publicada no periódico científico Frontiers in Psychology.

Cansado de ter que ficar constantemente alerta e consciente dos estímulos da correria cotidiana, o cérebro humano se recupera (e põe as ideias em ordem) ao percorrer um caminho repleto de árvores e estímulos naturais.

Não importa a hora do dia nem o local, o importante é procurar um lugar que lhe agrade e, ao seu ver, tenha “elementos naturais” suficientes para você contemplar. Pode ser o parque do bairro ou o jardim botânico da cidade.

Para o estudo, durante dois meses, 36 moradores urbanos foram solicitados a entrar em contato com a natureza pelo menos três vezes por semana por um período de 10 minutos ou mais.

A pesquisa é inédita na medida em que os participantes tinham liberdade para escolher a hora do dia (desde que à luz do dia) e o local em resposta à preferência pessoal e à sua agenda diária. Para a prática, o participante poderia se manter sentado ou realizar uma leve caminhada.

Algumas condições foram impostas para reduzir interferências externas, como evitar exercícios aeróbicos durante a atividade e o uso de mídia social, internet, telefone, conversas e leitura.

Os pesquisadores analisaram os níveis dos hormônios do estresse a partir de amostras de saliva coletadas antes e depois das experiências.

Eles descobriram que apenas vinte minutos de contato com o “verde” foi suficiente para reduzir significativamente os níveis de cortisol, hormônio diretamente envolvido na resposta ao estresse.

Melhor ainda, acima de 30 minutos de exposição, os níveis de cortisol caíram a um ritmo maior. Passado esse tempo, o corpo continua a desestreçar, mas de forma mais lenta, segundo o estudo.

Os resultados dão uma relevância prática à pesquisa, ao ajudar profissionais da saúde a recomendem  experiências de contato com a natureza para seus pacientes com base em parâmetros.

A chamada “pílula natural” já vem sendo utilizada em algumas aplicações de medicina preventiva, em meio à expansão da urbanização e do aumento dos custos com saúde.

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Excesso de exercícios físicos prejudica coração, fígado e sistema nervoso

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Estudos apontam que excesso de exercícios induzem a liberação de substâncias pró-inflamatórias, que desencadeariam os efeitos sistêmicos

O tecido musculoesquelético, coração, fígado e sistema nervoso são afetados pelo overtraining, diz pesquisa (FlamingoImages/Getty Images)

Atletas de elite costumam apresentar queda no rendimento quando submetidos a um treinamento muito intenso, sem período adequado de recuperação. O quadro é conhecido como síndrome do overtraining e pode incluir sintomas como perda de apetite e de peso, insônia, irritabilidade, queda na imunida de e depressão.

A explicação mais aceita para o fenômeno, até o momento, é a de que lesões no tecido musculoesquelético causadas pelo exercício excessivo induziriam a liberação na corrente sanguínea de substâncias pró-inflamatórias (proteínas produzidas por células de defesa e conhecidas como citocinas), que desencadeariam os efeitos sistêmicos. A teoria das citocinas, como ficou conhecida, foi formulada há duas décadas.

Recentemente, uma série de estudos conduzidos na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, demonstrou que as consequências do overtraining para o organismo vão muito além da queda no rendimento esportivo, havendo efeitos prejudiciais no tecido musculoesquelético, coração, fígado e sistema nervoso central.

Além disso, os resultados obtidos nos experimentos com camundongos contrariam a hipótese de que as citocinas pró-inflamatórias seriam o único fator responsável pela queda na performance, que, nos animais, se manteve prejudicada mesmo depois que o nível dessas substâncias no sangue se normalizou.

As pesquisas vêm sendo conduzidas nos últimos 10 anos, com apoio da FAPESP, sob a coordenação do professor Adelino Sanchez Ramos da Silva, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP-USP). Os principais resultados foram reunidos em um artigo publicado na revista Cytokine, que reúne também dados de estudos feitos por outros grupos de pesquisa.

“Essas informações devem servir de alerta para quem treina de forma excessiva. Os atletas de elite, muitas vezes, não têm opção devido à pressão de treinadores, patrocinadores e competições. Mas é fundamental que seja ao menos respeitado o tempo mínimo de recuperação”, disse Silva à Agência FAPESP.

Diferentes protocolos de overtraining – corrida no plano, na subida e na descida – foram testados em camundongos pela equipe de Silva com o objetivo de entender a ação das citocinas pró-inflamatórias induzidas pelo exercício físico excessivo em diferentes tecidos. Em todos os casos, a duração do treino foi de oito semanas – sendo as quatro primeiras uma fase de adaptação.

“Na sétima semana do protocolo, os roedores foram colocados para correr em uma esteira rolante com intensidade equivalente a 75% da capacidade máxima do animal – previamente mensurada. O treino foi feito durante 75 minutos, uma vez ao dia, de segunda a sexta-feira. Na oitava semana, os animais passavam a correr duas vezes ao dia, com intervalo de quatro horas entre as sessões”, disse Silva.

Os três diferentes protocolos de overtraining induziram um aumento no nível de três citocinas pró-inflamatórias no soro sanguíneo: interleucina-1-beta (IL-1β), interleucina-6 (IL-6) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). O aumento das moléculas pró-inflamatórias também foi observado no tecido musculoesquelético, com efeitos variados nos três protocolos.

Os animais submetidos ao overtraining na descida foram os mais prejudicados, pois apresentaram sinais de atrofia e de estresse de retículo endoplasmático [organela celular que, entre outras funções, faz com que as proteínas assumam sua forma funcional] nas amostras de tecido musculoesquelético.

“De forma simplificada, isso significa que as células da região passaram a ter proteínas malformadas em seu interior, o que pode comprometer seu funcionamento”, disse Silva.

Após duas semanas de repouso, o nível das citocinas pró-inflamatórias no soro e no tecido musculoesquelético retornou ao nível basal e houve um aumento no conteúdo de moléculas anti-inflamatórias. “No entanto, a performance dos animais na corrida permaneceu prejudicada, sugerindo haver outros mecanismos envolvidos nesse processo”, disse.

O protocolo de overtraining na descida também promoveu uma inflamação no hipotálamo – região do cérebro que regula diversos processos metabólicos –, acompanhada de perda de peso e de apetite. “No hipotálamo, todos os protocolos induziram o quadro de estresse de retículo endoplasmático. Não verificamos, porém, ocorrência de morte celular”, disse Silva.

Segundo o pesquisador, a inflamação observada no sistema nervoso central foi revertida após o descanso de duas semanas. O peso corporal e o apetite também foram normalizados.

Resistência à insulina e hipertrofia cardíaca

Todos os protocolos de overtraining provocaram prejuízo na via de sinalização da insulina no tecido musculoesquelético, ou seja, as células musculares ficaram com mais dificuldade de captar a glicose circulante no sangue. No entanto, os camundongos não apresentaram alteração negativa no teste de tolerância à glicose, que avalia se o açúcar está sendo metabolizado adequadamente pelo organismo.

“Suspeitamos que algum outro tecido estivesse atuando de forma compensatória para manter o equilíbrio. E as análises mostraram uma melhora na via de sinalização da insulina no fígado e um aumento no estoque de glicogênio hepático dos animais submetidos aos protocolos de overtraining na descida e na subida. Por outro lado, como adaptação negativa, observamos acúmulo de gordura e sinais de inflamação no tecido hepático”, disse Silva.

Os resultados sugerem ainda que o coração também atua de modo a compensar o prejuízo na captação de glicose pelas células musculoesqueléticas, pois foi observado acúmulo de glicogênio no tecido cardíaco em resposta a todos os tipos de overtraining.

Surpreendentemente, os três protocolos induziram sinais de fibrose no ventrículo esquerdo. Apenas os animais submetidos ao exercício excessivo na descida apresentaram sinais moleculares de hipertrofia patológica.

“Nos estudos realizados até o momento, não mensuramos os parâmetros funcionais do coração. Estamos agora reproduzindo os experimentos e faremos um ecocardiograma ao final do período de treinamento para avaliar se houve prejuízo funcional do ventrículo esquerdo”, disse o professor da EEFERP-USP.

O grupo ainda não avaliou se após o descanso de duas semanas as alterações moleculares observadas no coração e no fígado são revertidas. “Estimamos que isso deve ocorrer, mas ainda precisamos avaliar”, disse.

De modo geral, os prejuízos foram maiores para os animais submetidos ao protocolo de overtraining na descida. De acordo com Silva, isso está relacionado com a predominância de contrações excêntricas (quando o músculo alonga enquanto está sob tensão devido a uma força externa maior que a gerada pelo músculo) durante esse tipo de atividade.

Perspectivas futuras

Embora os resultados do grupo não suportem a hipótese de que as citocinas pró-inflamatórias sejam o único fator responsável pelo prejuízo do desempenho físico, uma dessas moléculas – a IL-6 – se mostrou envolvida na maioria dos efeitos observados nos diferentes órgãos e em todos os protocolos de overtraining.

Em experimentos recentes, os pesquisadores observaram que, em camundongos nocaute para IL-6 (modificados geneticamente para não expressar essa proteína), o estresse de retículo endoplasmático no tecido musculoesquelético induzido por uma única sessão de exercício exaustivo foi mais ameno que o observado em animais sem a alteração genética.

“Estudos futuros terão de investigar melhor o papel dessa citocina no metabolismo em condições de overtraining”, disse Silva.

Os trabalhos conduzidos pelo grupo da USP em Ribeirão Preto receberam apoio da FAPESP por meio de três projetos de Auxílio à Pesquisa – Regular concedidos a Silva em 2010, 2014 e 2018.

Também contaram com bolsas da FAPESP de: mestrado e doutorado para Ana Paula Pinto; iniciação científica, mestrado e doutorado para Alisson Luiz da Rocha; e iniciação científica e mestrado para Bruno Cesar Pereira.

O artigo The proinflammatory effects of chronic excessive exercise (doi: https://doi.org/10.1016/j.cyto.2019.02.016), de Alisson L. da Rocha, Ana P. Pinto, Eike B. Kohama, José R. Pauli, Leandro P. de Moura, Dennys E. Cintra, Eduardo R. Ropelle, Adelino S.R. da Silva, pode ser lido em www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1043466619300626?via%3Dihub.

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Ciência

Astronautas de EUA, Canadá e Rússia voltam à Terra

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Os três tocaram as planícies do Cazaquistão nesta segunda, concluindo a primeira viagem à Estação Espacial Internacional (ISS)

A astronauta da Nasa Anne McClain, o veterano cosmonauta Oleg Kononenko, da Roscosmos, e David Saint-Jacques, da Agência Espacial Canadense ficaram seis meses na Estação Espacial Internacioal (Bill Ingalls/Reprodução)

A astronauta da Nasa Anne McClain, o veterano cosmonauta Oleg Kononenko, da Roscosmos, e David Saint-Jacques, da Agência Espacial Canadense, pousaram nesta terça-feira nas estepes do Cazaquistão, ao final de uma missão de seis meses na ISS.

Os três tocaram a terra às 02H47 GMT (23H47 Brasília), concluindo a primeira viagem à Estação Espacial Internacional (ISS) após um lançamento fracassado em outubro, que gerou dúvidas sobre o programa espacial russo.

Sua partida rumo à ISS, no dia 3 de dezembro, se deu em meio à preocupação devido ao incidente de meados de outubro, quando o russo Alexéi Ovchinin e o americano Nick Hague realizaram um pouso de emergência após a explosão na nave Soyuz minutos depois do lançamento.

Os dois homens saíram ilesos do acidente, o primeiro desta magnitude na história da Rússia pós-soviética.

“Uma noite magnífica sobre a África minha última noite na ISS”, tuitou Anne McClain, 40 anos, que realizou duas saídas espaciais durante esta primeira missão.

David Saint-Jacques, 49, ficou maravilhado uma última vez com a visão do Canadá do espaço, antes de regressar à Terra. “Columbia Britânica, Nunavik… Vou ter saudades da visão destas grandiosas paisagens canadenses!” – tuitou o astronauta da Agência Espacial Canadense (ASC).

O astronauta Saint-Jacques, que também realizava sua primeira missão na ISS, bateu o recorde de permanência no espaço de um canadense com 204 dias, contra 187 para Robert Thirsk.

A americana Christina Koch, atualmente na ISS, permanecerá 11 meses na Estação Espacial, e com isso baterá o recorde de uma mulher no espaço, que atualmente pertence a Peggy Whitson.

Koch, 40 anos, permanecerá na ISS até fevereiro de 2020, quando completará uma estadia espacial mais longa que a de Whitson, que em 2016-2017 esteve 288 dias.

O americano Scott Kelly e o russo Mikhail Kornienko, que passaram 340 dias em 2015-2016, detêm o recorde de permanência na ISS.

O russo Valeri Poliakov ostenta o recorde absoluto de permanência no espaço: 14 meses a bordo da antiga estação espacial russa Mir entre 1994 e 1995.

 

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Ciência

Crescer sem culpa; o agronegócio pode ser uma atividade sustentável

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Estudo mostra que é possível triplicar a produtividade bovina brasileira sem aumentar o desmatamento

MALTRATADO – O cerrado: sem lei de proteção, a região já teve 51% de sua área devastada para pastagem ou lavoura (Nelson Almeida/AFP)

O Brasil tem mais de 240 milhões de hectares abertos para agricultura e pastagem — quase o equivalente ao território da Argentina. Restaurar e ampliar a capacidade produtiva do país sem que isso seja sinônimo de desmatamento é um grande desafio. Pesquisa desenvolvida ao longo dos três últimos anos pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) propõe uma engenhosa solução para o problema. Ela mostrou que adubar as ­áreas de pastagem com nitrogênio, obtido em insumos agrícolas compostos de ureia, pode triplicar a produtividade da bovinocultura brasileira.

“Precisamos pensar em uma solução para a produção animal que seja sustentável econômica e ecologicamente”, diz o zootecnista Ricardo Reis, coordenador do estudo. “Sem lucro, o produtor não vai fazer a conservação do solo. Sem floresta, não teremos agronegócio.” De acordo com o trabalho da Unesp, realizado no interior paulista, a fórmula ideal para melhorar a qualidade do pasto é a aplicação de 90 quilos de nitrogênio por hectare para cada 4,64 cabeças de gado. Com isso, os animais ficam bem nutridos — e de forma mais rápida. Os testes serão agora reproduzidos em outras regiões para que se entendam as necessidades específicas de cada local.

Em geral, o agronegócio chega a uma área preservada, desmata a vegetação para abrir campos de pastagem ou lavoura e, quando o solo se esgota, sai em busca de novas áreas, fazendo assim crescer o desmatamento. Segundo um relatório divulgado em 2016 pela FAO, entre 1990 e 2005, 71% do desmatamento na América do Sul foi motivado pela demanda por pastos. No Brasil, o índice chegou a 80%. Em decorrência sobretudo da expansão do agronegócio, o cerrado já registra devastação em 51% de sua área. Ao contrário da Amazônia, o cerrado não possui leis específicas de proteção, o que o deixa mais vulnerável. Daí a importância de pesquisas como a da Unesp, capazes de provar que crescimento não precisa, necessariamente, rimar com desmatamento.

 

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