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Brasil

Anac suspende quatro empresas de voos turísticos no Rio após acidentes

Foto: Divulgação

YURI EIRAS
FOLHAPRESS

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) decidiu suspender nesta terça-feira (18) quatro empresas que ofereciam voos turísticos no Rio de Janeiro. Nos últimos oito meses, ocorreram três acidentes com helicópteros na cidade, que resultaram na morte de 13 pessoas.

As empresas suspensas são VRP, Broad Fly, Nobre Turismo e Mr. Top Fly. Essa decisão alcança também nove helicópteros vinculados a essas companhias. A reportagem tentou contato com os responsáveis, mas não obteve resposta até o momento da publicação.

A VRP estava encarregada do voo próximo ao Cristo Redentor, contratado por uma família colombiana em 8 de agosto. A aeronave caiu em uma área de mata perto da Vista Chinesa, causando a morte de três membros da família e do piloto.

Em junho, uma colisão entre dois helicópteros na Barra da Tijuca provocou seis mortes, entre elas o cantor americano Oliver Tree, que estava em turnê, além de artistas, influenciadores estrangeiros e pilotos experientes. Na ocasião, as aeronaves estavam realizando transporte de passageiros para outras cidades do estado.

Outro acidente ocorreu em janeiro, quando um helicóptero caiu em Guaratiba, na zona oeste, resultando na morte de três pessoas, incluindo o piloto. Esse voo era de instrução.

Embora as empresas suspensas tivessem autorização para operar inicialmente, foram encontradas irregularidades nos dados de tempo de voo. Segundo o presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, havia registros que não condiziam com a realidade, como aeronaves registrando menos tempo de voo do que realmente tinham, o que impacta a manutenção.

A agência ainda não divulgou detalhes específicos que levaram à suspensão de cada empresa.

Antes da suspensão, o Rio de Janeiro contava com 12 empresas autorizadas a oferecer voos turísticos, utilizando um total de 46 aeronaves.

Revisão das regras para voos turísticos

A Anac anunciou que revisará até o fim do ano as normas que regulam os voos turísticos no país. Uma portaria de 2020 define os critérios para certificação e operação desse tipo de serviço.

Tiago Chagas Faierstein explicou que a revisão tem como objetivo aumentar a segurança da atividade, com participação social e consulta pública. A intenção é valorizar empresas corretas e combater aquelas que descumprem regulamentos.

Além disso, o setor de táxi aéreo também passará por fiscalização e atualização de regras.

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, alertou que os clientes devem verificar se as empresas que oferecem voos turísticos possuem autorização para operar, já que esse serviço não é tão simples quanto pegar um táxi no aeroporto.

A Anac e a prefeitura também cancelaram contratos com cinco empresas relacionadas ao uso do heliponto da Lagoa, devido a irregularidades no uso do local, que deveria ser exclusivo para decolagem e pouso, mas estava sendo usado como ponto de desembarque.

Crescimento dos voos e riscos no Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro concentrou 64% dos acidentes e incidentes envolvendo helicópteros no Brasil entre 2025 e 2026, de acordo com dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Esses dados abrangem todos os tipos de voos, não apenas os turísticos.

Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, ocorreram 317 incidentes no país, dos quais 204 foram no Rio, incluindo 62 neste ano.

O tráfego aéreo no estado é impulsionado pela operação petrolífera na costa e pela demanda do turismo, com 81 mil movimentações em 11 aeródromos de janeiro a maio deste ano.

O volume de voos com helicópteros no Brasil está em alta, com 160 mil pousos e decolagens nos cinco primeiros meses deste ano, um aumento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, evidenciando uma tendência de crescimento desde 2021.

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