Celso Amorim, ex-chanceler e atual assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas serve como um pretexto para intervenção. Ele ressaltou que a segurança pública é essencial para o desenvolvimento socioeconômico, e que o crime organizado deve ser combatido com cooperação internacional, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas.
No entanto, Amorim defende que classificar essas organizações como terroristas pode facilitar intervenções externas, o que, segundo ele, é inaceitável. Durante discurso no Fórum Internacional de Segurança da Rússia, ele reforçou que essa classificação não ajuda no combate ao crime organizado, destacando que é fundamental entender as motivações para melhorar a eficácia das ações contra todas as formas de crime.
O governo brasileiro, representado por seu corpo diplomático, é contrário à medida dos Estados Unidos, que pode abrir precedentes para intervenções no território nacional, incluindo possíveis ações militares. Além disso, argumenta-se que essa decisão não oferece benefícios além das medidas já existentes para enfrentar essas organizações criminosas.
De acordo com Amorim, o governo do presidente Lula tem atuado de forma decisiva para desmantelar essas redes criminosas, mas alerta para os perigos do unilateralismo e da falta de regras internacionais. Ele é considerado um dos principais responsáveis pela política externa do atual governo e atualmente cumpre agenda na Rússia.
