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segunda-feira, 09/03/2026




Amor pela biologia começou na escola, diz pesquisadora que lidera projeto de pele 3d no Rio

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Ana Bottallo
São Paulo, SP (FolhaPress)

A vida da bióloga sérvia Vanja Dakic, 41 anos, teve um caminho interessante que a levou a ser gerente de métodos alternativos e parcerias da Episkin Brasil, uma empresa do Grupo L’Oréal. O foco principal da empresa é criar modelos tridimensionais de pele para testes de cosméticos e pesquisas, também usados pela indústria farmacêutica.

Mesmo separados por mais de 10 mil quilômetros, Brasil e Sérvia são muito diferentes, mas Vanja decidiu deixar seu país no leste europeu durante seu doutorado em ciências morfológicas. Ela veio para um intercâmbio de um ano e já está no Brasil há 14 anos, trabalhando no Instituto de Pesquisa e Inovação (Innova) da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro.

Casada com um brasileiro e mãe de gêmeos, Vanja conta que seu amor pela biologia começou na escola, graças a professores inspiradores, principalmente mulheres. Um professor apaixonado pela natureza despertou seu interesse ainda no ensino fundamental, levando-a a participar de olimpíadas de biologia.

No ensino médio, outra professora incentivou sua participação em competições científicas. Vanja terminou o último ano em primeiro lugar e entrou direto na Universidade de Novi Sad, na Sérvia, sem precisar fazer vestibular, o que aumentou sua confiança para seguir na ciência.

Graduada em ciências biológicas pela Universidade de Novi Sad, ela também fez pós-graduação em toxicologia e ecotoxicologia, estudando como substâncias do ambiente podem afetar hormônios no corpo humano.

Procurando novas experiências, ela se mudou para o Brasil no fim de 2011 com seu marido, e fez doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro sob orientação do neurocientista Stevens Rehen, pesquisando a transformação de células-tronco em neurônios. Isso a aproximou da área atual, que envolve a criação de modelos celulares e de tecidos em 3D usando sobras de pele de cirurgias plásticas.

Vanja entrou na Episkin em 2016, finalizando seu doutorado. Essa transição marcou a passagem da ciência básica para a aplicada em sua carreira.

Ela destaca que a ciência aplicada depende da ciência básica; o modelo de pele em laboratório foi criado entre o final dos anos 1970 e início dos 1980, levando quase uma década para ser produzido em massa. A tecnologia evoluiu e chegou ao Brasil em 2016, onde é fabricada por uma rede com mais de 40 laboratórios que usam métodos alternativos ao teste em animais.

O modelo de pele artificial é feito com pedaços de pele descartados em cirurgias plásticas, com permissão dos pacientes. No laboratório do Innova, as células são isoladas e cultivadas em pequenos recipientes plásticos especiais com nutrientes. Depois de 17 dias, os tecidos passam por avaliações para verificar a qualidade e saúde das células.

Apesar da automação em muitos processos, Vanja dedica segundas-feiras para verificar os modelos e preparar materiais para envio aos laboratórios interessados.

Atualmente, sua rotina é focada na gestão, coordenando equipe, oferecendo treinamentos e apoiando projetos de educação científica, além de desenvolver modelos de pele cada vez mais complexos.

Sua equipe é majoritariamente composta por mulheres, o que reforça um ambiente focado em diversidade e inclusão. Quando decidiu ter filhos, recebeu apoio da empresa, mas refletiu sobre o impacto da maternidade na carreira, um tema comum entre mulheres profissionais.

Olhando para sua trajetória, Vanja reconhece a influência crucial de outras mulheres, como sua orientadora na graduação e diversas líderes femininas que a inspiraram ao longo do caminho.




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