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Brasil

Amor e beijo: a ciência e a cultura mostram como expressamos sentimentos

“Eros e Psiquê” Obra de Antonio Canova (1787–1793)

Por Rafael de Paula e Maria Eduarda Barreto
Agência de Notícias do CEUB

Quando uma pessoa se interessa romanticamente por outra, seu corpo passa por várias mudanças que nem sempre são completamente entendidas, gerando dúvidas.

O que é a paixão do ponto de vista biológico? Por que os seres humanos beijam? Áreas como psicologia e antropologia ajudam a explicar esses fenômenos.

A dopamina

No começo da paixão, idealizamos a pessoa e imaginamos situações com ela, o que libera dopamina, ligada ao sistema de recompensa, e serotonina, que regula o humor.

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Esses pensamentos trazem prazer e alegria relacionados a essa pessoa.

Hormônios como ocitocina e vasopressina também têm papel importante, relacionados à criação de vínculos afetivos e manutenção de relacionamentos duradouros.

A adrenalina e noradrenalina causam aquela sensação de nervosismo e excitação, conhecida como “borboletas no estômago”, enquanto a testosterona aumenta o desejo sexual.

Diferenças na atração entre homens e mulheres

Fernanda Sampaio, psicóloga e neuropsicóloga, explica que homens e mulheres se apaixonam de maneiras diferentes por causa dos hormônios.

Nos homens, a paixão está mais ligada ao desejo sexual por causa da testosterona, enquanto nas mulheres, o estrogênio influencia a parte emocional do apaixonamento.

Assim, mais frequentemente os homens são atraídos por aspectos visuais, e as mulheres por aspectos emocionais e sensoriais.

Apesar dessas diferenças, em geral, os mesmos hormônios e neurotransmissores atuam no sentimento de paixão em ambos os gêneros.

O instinto na atração

A atração vai além do consciente e é guiada pelo instinto, pela história e por uma busca automática pela sobrevivência.

Pesquisas indicam que os humanos se atraem por feromônios, que são odores naturais de cada pessoa e indicam compatibilidade química.

Fernanda Sampaio ressalta que essa “química” entre pessoas não é coincidência, pois nosso corpo sabe identificar o que combina geneticamente e rejeitar o que não combina.

Saúde mental e o amor

Problemas de saúde mental, como estresse, ansiedade e depressão, afetam os hormônios no corpo e dificultam o surgimento da paixão.

A depressão diminui a produção de hormônios importantes para o amor, como ocitocina e serotonina.

Também, traumas e transtornos podem afetar partes do cérebro ligadas a esses sentimentos.

Fernanda Sampaio alerta que às vezes pessoas procuram a paixão para fugir da depressão, o que pode levar a um apego excessivo.

A cultura do beijo

Por que os humanos beijam? Nem todas as culturas beijam, e o significado do beijo varia bastante.

Lourenço Cardoso, antropólogo, explica que muitas culturas não têm o beijo ou têm costumes diferentes, e o que é um beijo no Brasil pode ser diferente de um beijo no Japão ou de milhares de anos atrás.

O registro possivelmente mais antigo de um beijo está em uma pintura rupestre no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, mas seu significado pode ter sido diferente do que entendemos hoje.

O desejo de beijar

O desejo de beijar não é igual para todas as pessoas e é influenciado por diversos fatores psicológicos.

Fernanda Sampaio diz que a fase oral na infância, quando conhecemos o mundo pela boca, influencia como a pessoa verá o beijo no futuro.

Além disso, o beijo troca saliva e odores, que são únicos e ajudam a conhecer a outra pessoa de forma mais íntima.

O beijo também ativa o sistema de recompensa do cérebro e libera dopamina, fazendo com que a pessoa sinta prazer e queira beijar novamente.

A evolução do beijo

Um estudo da National Library of Medicine explica que o beijo evoluiu a partir de um comportamento dos primatas chamado “social grooming”, que é a limpeza mútua para eliminar parasitas, feita com as mãos e a boca.

Com o tempo, essa limpeza boca a boca diminuiu, sobrando o gesto do beijo, que se desenvolveu até o que conhecemos hoje.

Fernanda Sampaio conclui que a sobrevivência é o princípio básico de todos os mamíferos, e tudo que toca nessa memória instintiva afeta nossas vontades.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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