O câncer de pulmão continua sendo uma das doenças que mais mata no mundo, tendo o tabagismo como a maior causa. Apesar de grande parte dos casos poderem ser evitados, muitos ainda utilizam produtos de tabaco. No Brasil, 11,5% dos adultos nas capitais fumam, segundo dados do Vigitel 2024, do Ministério da Saúde. No Distrito Federal, a taxa é menor, de 8%, mas ainda representa muitas pessoas expostas diariamente ao maior fator de risco.
Nos últimos anos, a preocupação cresceu com o aumento do uso dos cigarros eletrônicos, chamados de vapes, principalmente entre jovens e adolescentes. A campanha Agosto Branco tem como objetivo aumentar a conscientização sobre esta doença e lembrar que parar de fumar, seja qual for o tipo de cigarro, é uma das melhores formas de evitar o câncer de pulmão.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), entre 2026 e 2028, o Brasil deve ter cerca de 32 mil novos casos de câncer de pulmão por ano, sendo aproximadamente 18 mil em homens e 14 mil em mulheres. Mesmo com avanços no diagnóstico e tratamento, a doença ainda é uma das principais causas de morte por câncer no país.
Cigarro
Estudos mostram que o tabagismo é a principal causa do câncer de pulmão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que cerca de 85% dos casos estão ligados ao uso de produtos de tabaco.
O risco não é só para quem fuma; pessoas que respiram a fumaça do cigarro também podem desenvolver a doença. Exposição a substâncias como amianto, sílica, arsênio e radônio, além da poluição e histórico familiar, são outros fatores que aumentam o risco.
O Brasil é um exemplo mundial no controle do tabagismo, mas o problema ainda é grande. Segundo o Vigitel 2024, 11,5% dos adultos nas capitais brasileiras ainda fumam, e no Distrito Federal são 8%.
Vape
O crescimento dos cigarros eletrônicos trouxe um novo desafio para a saúde pública. Eles são vistos por muitos como uma opção menos prejudicial que o cigarro comum, mas isso não é confirmado por estudos científicos.
Dados do Vigitel 2024 mostram que 4,4% dos adultos nas capitais usam cigarros eletrônicos, e 8,4% já experimentaram o dispositivo. Entre pessoas de 25 a 34 anos, essa taxa de experimentação chega a 15,2%.
Apesar de proibidos pela Anvisa, os cigarros eletrônicos são facilmente encontrados no mercado brasileiro, especialmente entre jovens.
O vapor desses aparelhos contém nicotina, metais pesados e outras substâncias tóxicas que podem causar inflamação pulmonar, danos às vias respiratórias e dependência.
A oncologista da Rede Américas e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Gabrielle Scattolin, alerta sobre o perigo de pensar que os vapes são seguros.
“O maior perigo do vape é fazer as pessoas acreditarem que ele é inofensivo. Não é.”
Gabrielle Scattolin explica que o uso do cigarro eletrônico mantém a dependência da nicotina e expõe os pulmões a substâncias que podem causar doenças graves.
Câncer de pulmão
Um desafio importante do câncer de pulmão é que, no começo, pode não apresentar sintomas claros, dificultando a detecção precoce.
Sintomas como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, perda de peso sem motivo, cansaço excessivo e sangue no escarro são sinais que devem ser avaliados, principalmente em fumantes e ex-fumantes.
Para quem tem longo histórico de tabagismo, o diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento eficaz. A tomografia de baixa dose pode detectar pequenos tumores em pessoas de maior risco.
“O câncer de pulmão geralmente não mostra sinais no início. Em quem fuma há muito tempo, a tomografia de baixa dose pode detectar tumores pequenos, aumentando muito as chances de cura”, afirma Gabrielle Scattolin.
Prevenção
Avanços no tratamento do câncer de pulmão, como cirurgia, terapias-alvo e imunoterapia, ajudam no controle da doença e na qualidade de vida dos pacientes.
Mas a prevenção é a melhor estratégia. Parar de fumar diminui o risco de câncer de pulmão e também de doenças no coração e nos pulmões.
Hábitos saudáveis, exercícios regulares e procurar ajuda médica ao notar sintomas persistentes são medidas importantes para prevenção.
Gabrielle Scattolin conclui: “Sabemos qual é a principal causa do câncer de pulmão e que ela pode ser evitada. Não fumar, seja cigarro comum ou eletrônico, é uma das decisões mais importantes para proteger a saúde. A prevenção salva mais vidas que qualquer tratamento.”
