Ex-governador do Distrito Federal, ex-ministro e ex-deputado federal disputa uma das oito vagas do DF na Câmara dos Deputados pelo PT e aposta no reconhecimento acumulado ao longo de décadas de vida pública
O ex-governador Agnelo Queiroz está de volta ao cenário eleitoral do Distrito Federal. Em 2026, o petista disputa uma vaga de deputado federal pelo PT, com o número 1310, buscando retornar à Câmara dos Deputados, onde já exerceu três mandatos.
Agnelo chega à eleição com um diferencial evidente em relação a boa parte dos concorrentes: poucos candidatos carregam um currículo político tão amplo no Distrito Federal. Médico de formação, ele já foi deputado distrital, deputado federal, ministro do Esporte e governador do DF.
Esse histórico faz do reconhecimento do nome um dos principais ativos de sua campanha.
Uma trajetória construída entre o Legislativo e o Executivo
Agnelo iniciou sua trajetória parlamentar como deputado distrital, entre 1991 e 1994. Depois, conquistou três mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, nas legislaturas iniciadas em 1995, 1999 e 2003.
Na eleição de 1998, recebeu 65.752 votos para deputado federal. Quatro anos depois, ampliou o desempenho para 95.879 votos e conquistou novo mandato.
Durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, licenciou-se da Câmara para assumir o Ministério do Esporte, função que exerceu entre 2003 e 2006. Sua trajetória no Congresso também ficou ligada à legislação esportiva, com seu nome associado à chamada Lei Agnelo/Piva, que estabeleceu novas fontes permanentes de financiamento para o esporte olímpico e paralímpico brasileiro.
O ponto mais alto de sua carreira eleitoral ocorreu em 2010.
Naquele ano, Agnelo venceu a eleição para o Governo do Distrito Federal. Recebeu 676.394 votos no primeiro turno e chegou a 875.612 votos no segundo, tornando-se governador para o período de 2011 a 2014.
Gestão do DF volta ao centro da narrativa
Na campanha atual, Agnelo tem recorrido à experiência de governador como parte central de seu discurso.
Entre os temas que procura resgatar estão saúde pública, infraestrutura, capacidade de captar recursos federais e investimentos nas regiões administrativas.
Médico e ex-servidor da rede pública de saúde, Agnelo coloca o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) entre suas principais bandeiras. Também tem destacado o Hospital da Criança de Brasília como uma das realizações mais importantes de sua passagem pelo Palácio do Buriti.
Para uma eventual volta ao Congresso, outra proposta destacada pelo ex-governador é a ampliação da oferta de creches, vinculando a política de primeira infância à possibilidade de maior autonomia profissional e financeira das mães.
Agnelo também voltou ao debate político local ao se posicionar sobre temas atuais do DF, entre eles a situação do Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad). Em março, defendeu a ocupação do complexo e criticou alternativas discutidas para o imóvel.
Recall eleitoral pode ser um dos maiores ativos
A principal questão em torno da candidatura é saber quanto da memória eleitoral construída durante décadas de atuação política ainda pode ser transformada em votos.
Um levantamento da Exata, realizado em agosto de 2025 e divulgado pelo Correio Braziliense, apresentou Agnelo com 2,6% das intenções de voto em cenário estimulado para deputado federal. Ele aparecia entre os dez nomes mais citados no levantamento.
A pesquisa é anterior à configuração definitiva da eleição de 2026 e, portanto, não deve ser interpretada como uma projeção do resultado atual. Ainda assim, oferece um indicativo importante: mesmo após um longo período sem mandato eletivo, Agnelo continuava sendo lembrado espontaneamente quando seu nome era apresentado ao eleitor.
Para uma eleição proporcional, em que o DF escolhe apenas oito deputados federais, esse reconhecimento pode fazer diferença.
Quais são as chances de Agnelo Queiroz em 2026?
A candidatura pode ser considerada competitiva, principalmente pelo peso do nome e pelo histórico eleitoral.
Agnelo já venceu eleições para deputado federal três vezes e chegou ao Governo do Distrito Federal com mais de 875 mil votos no segundo turno de 2010. Poucos candidatos à Câmara em 2026 possuem trajetória comparável.
Outro fator favorável é a associação direta com o PT e com o presidente Lula, especialmente entre segmentos do eleitorado de esquerda e centro-esquerda do Distrito Federal.
Há, entretanto, uma disputa interna relevante. O PT montou uma chapa federal com outros nomes conhecidos e, na definição inicial de prioridades para distribuição de recursos eleitorais, Agnelo apareceu no segundo grupo estabelecido pela direção regional.
Isso torna a capacidade de mobilizar seu próprio eleitorado ainda mais importante.
O cenário sugere que o maior patrimônio eleitoral de Agnelo em 2026 não é a novidade, mas justamente o contrário: é a memória política construída durante mais de três décadas.
Se conseguir converter o reconhecimento como ex-governador, ex-ministro e ex-deputado em voto proporcional, Agnelo Queiroz entra na campanha como um dos nomes do campo progressista que merecem ser acompanhados na disputa pelas oito cadeiras do Distrito Federal na Câmara dos Deputados.
