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domingo, 30/11/2025

Advogada e policial realizavam oração para dinheiro obtido com extorsão

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Em uma gravação que chocou até investigadores experientes da Polícia Civil de Goiás, a advogada Tatiane Meireles e o sargento da Polícia Militar de Goiás (PMGO) Hebert Póvoa foram flagrados realizando uma espécie de “oração da extorsão” diante de maços de dinheiro obtidos por meio das ações criminosas do grupo.

As imagens, captadas em Luziânia (GO), mostram os dois agradecendo e pedindo que os valores, frutos de cobranças violentas, fossem multiplicados. No vídeo, Tatiane conduz a prece, enquanto o sargento acompanha em silêncio com as mãos sobre o dinheiro.

“O Senhor nos faz grande e que todos tenham gratidão, e que o dinheiro retorne para nós. Um dinheiro abençoado… e que estamos abençoando essas pessoas. Pedimos a Deus que multiplique esse dinheiro. Pedimos ao Pai amado que nós possamos multiplicar esse dinheiro.”

Segundo os investigadores, o vídeo simboliza o grau de organização, frieza e a confiança do grupo na prática dos crimes. O dinheiro era arrecadado mediante humilhação, agressões físicas e ameaças armadas contra vítimas endividadas.

A Polícia Civil de Luziânia prendeu seis pessoas ligadas a essa organização criminosa, incluído o sargento Hebert Póvoa, ex-candidato a vereador pelo PL, a advogada Tatiane Meireles, sua esposa, dois outros policiais militares e dois civis. A investigação foi iniciada a partir de denúncias feitas pela própria Polícia Militar de Goiás.

Além da “oração do dinheiro”, foram descobertos vídeos que mostram a violência utilizada na cobrança das dívidas. Em uma gravação, o sargento Hebert Póvoa aparece armado dentro da casa de uma vítima, agredindo-a com tapas e proferindo insultos. A mulher, visivelmente amedrontada, implora para manter seu celular, explicando que o usa para trabalhar.

Outros vídeos revelam homens ajoelhados e sofrendo espancamentos com tacos de baseball, cassetetes e chutes. Numa dessas cenas, um agressor declara: “Aqui no Goiás você vai aprender como funciona.”

Tatiane Meireles também participava ativamente nas ações violentas, aparecendo em filmagens golpeando um homem com um cassetete enquanto ordenava que ele levantasse os braços.

Durante as operações policiais, foram apreendidos armas de fogo, objetos usados nas agressões e cerca de R$ 10 mil em dinheiro vivo, parte associada à oração dos criminosos.

A Polícia Civil informa que o grupo funcionava como uma organização criminosa bem estruturada. Hebert Póvoa já foi candidato a vereador pelo Partido Liberal (PL) e fez uso da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em sua campanha, posicionando-se como defensor da moralidade e da luta contra a corrupção. Ele havia estado afastado da corporação por questões psicológicas e havia retornado recentemente, mas ainda não estava atuando nas ruas.

Os envolvidos responderão por crimes como extorsão, tortura, agiotagem, lavagem de dinheiro, entre outros. As investigações seguem em andamento.

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