ADRIANA FERNANDES E ANDRÉ BORGES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
Uma lista de 36 empresas que conseguiram empréstimos suspeitos no Banco Master está sob investigação da Polícia Federal. A maioria dessas empresas está ligada ao setor imobiliário.
Os dados obtidos pela reportagem mostram que os empréstimos foram repassados aos fundos DMais e Bravo, administrados pela gestora Reag, e são suspeitos de serem usados para cobrir empréstimos ruins e manipular valores financeiros.
Das 36 empresas, pelo menos 23 atuam em imobiliário, hotelaria e construção, áreas relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e sua família, que têm forte histórico nesse ramo.
Daniel Vorcaro trabalhava na empresa de seu pai, o Grupo Multipar, antes de chegar ao Master. O grupo é tradicional em Belo Horizonte e atua há muitos anos na gestão e venda de ativos imobiliários e empresariais.
Na sexta-feira (17), cada empresa foi contatada para comentar a situação. Muitas delas não têm presença online, e o contato foi feito via e-mail cadastrado no CNPJ. Em alguns casos, os endereços de e-mail se repetiam entre diferentes empresas, indicando relação direta com a gestora Reag, como no caso da Revee e da Redevco.
A ação da Polícia Federal, que resultou na prisão de Vorcaro, aponta para uma fraude bilionária envolvendo recursos tomados dessas empresas junto ao banco, e depois repassados aos fundos geridos pela Reag.
Ao todo, essas 36 empresas tomaram R$ 10,405 bilhões destinados ao fundo DMais, e outros R$ 8,379 bilhões ao fundo Bravo.
Entre elas está a Brain Realty Consultoria e Participações, que recebeu quase meio bilhão de reais em empréstimo do Master, usado não na empresa, mas investido em fundos da Reag, em uma circulação financeira suspeita.
Algumas empresas do setor imobiliário e construção na lista são: Malibu Construtora e Incorporadora, R2 Holding, Revee Real Estate Venues & Entertainment Participações, RMEX Construtora e Incorporadora, S&J Consultoria e Incorporação, Resort do Lago Caldas Novas, SI 02 Empreendimentos e Incorporações Imobiliárias, Mirante Investimentos Imobiliários, Super Empreendimentos e Participações, Tavira Empreendimentos Imobiliários e W 50 Empreendimentos Imobiliários.
A lista inclui também: Bloko CP, Bloko Urbanismo, Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias, BTG empreendimentos e locações e serviços, CRL SPE I Empreendimentos e Participações, CRl SPE X Empreendimentos e Participações, FDC Empreendimentos, Administração e Participação, Gran Viver Urbanismo, WAM Hotéis e Resorts, WAM Hotéis Multipropriedade e Resort do Lago Caldas Novas e Lever Securitizadora.
A Lever Securitizadora atua no mercado financeiro estruturando títulos para financiar o setor imobiliário e o agronegócio, como CRIs e CRAs. Embora esses instrumentos sejam legais e usados frequentemente, eles podem ser fraudados quando não são baseados em garantias sólidas.
As outras 13 empresas na lista são: BMQ Mirage Comercial Exportadora e Importadora, Calisto Empreendimentos e Participações, Daus Indústria de Alimentos, EBN Comércio, Importação e Exportação, Gran Carnes Indústria e Comércio de Carnes, Griffood Brasil Alimentos, Ifly Brazil Indoor Skydiving, Lorde Participações, MKS Soluções Integradas, Redevco Capital Partners, Renogrid Energia, Revolution do Brasil Adaptação Veicular e RKO Alimentos.
Algumas dessas 13 também podem atuar no setor imobiliário, já que têm negócios variados.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) afirmou que acompanha as informações e movimentações do mercado financeiro e age quando necessário. A CVM não comenta casos específicos, mas disponibiliza processos públicos no site da autarquia.
Algumas empresas responderam à reportagem. Seguem as respostas:
Daus
A Daus Alimentos declarou que manteve investimentos em fundos da Reag até outubro do ano passado e que encerrou as relações comerciais com a Reag após a divulgação da operação policial. A empresa está disponível para esclarecer dúvidas às autoridades e parceiros comerciais.
iFLY
A iFLY informa que não tem nenhuma relação comercial ou societária com o Banco Master, nem integra operações financeiras ligadas a ele. Desde sua fundação, financia suas atividades somente com recursos obtidos de forma regular e independente, dedicada ao esporte e entretenimento. A empresa desconhece quaisquer investigações envolvendo o banco.
Lever Securitizadora
A Lever Securitizadora, que só atua na emissão de CRIs e CRAs, esclarece que não concede nem toma empréstimos, nem administra fundos. Todas suas operações são reais, legais, bem estruturadas e registradas, voltadas para projetos sólidos e consolidados. A empresa não tem vínculo com fundos da Reag e está disponível para prestar esclarecimentos às autoridades.
Revolution do Brasil
A Revolution afirma que mantém relação com o mercado financeiro, mas não possui operação em aberto com o Banco Master. Toda captação de recursos é feita dentro das práticas normais de mercado, e a empresa está aberta a fornecer mais informações.
WAM
A WAM nega qualquer envolvimento em esquemas ilícitos. Atua há mais de 13 anos nos setores imobiliário, hotelaria e turismo, com faturamento superior a R$ 1 bilhão e mais de 3.000 empregados. Não é instituição financeira e não administra fundos, e não há investigação contra a empresa.
A WAM destaca que seus recursos financeiros são administrados por agentes independentes, com fiscalização dos órgãos competentes, e que nem a empresa nem seus administradores decidem sobre a alocação desses recursos.
