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Mesmo com políticas públicas, casos de abuso sexual no transporte crescem 61% em 2017

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É preciso que a mulher quebre o silêncio e denuncie sempre que for vítima de abuso sexual - seja no transporte público ou em qualquer outro lugar

É preciso que a mulher quebre o silêncio e denuncie sempre que for vítima de abuso sexual – seja no transporte público ou em qualquer outro lugar

Você não está enganado(a), muito menos é impressão sua ao ver o noticiário. Casos relacionados a abuso sexual nos trens, metrôs e ônibus da cidade de São Paulo realmente tiveram um aumento em 2017 em relação ao mesmo período do ano passado. Entre os meses de janeiro até o dia 25 de setembro deste ano foram registrados 388 casos ante 240 no mesmo período de 2016.

O número representa uma alta expressiva de 61%. Nos casos citados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) estão importunação ofensiva ao pudor, ato obsceno, estupro, assédio sexual, violação sexual mediante fraude e corrupção de menores.

Em nota, a SSP-SP afirma que o Estado é “pioneiro no aprimoramento de políticas de segurança no combate à violência sexual e de gênero e adota medidas para o combate a esse tipo de crime”. A entidade afirma, também, que existem 133 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), sendo nove delas na capital paulista.

A promotora do Ministério Público, Fabíola Sucasas – que lançou, junto à jurista Tatiane Moreira Lima, a campanha “Juntos Podemos Parar o Abuso Sexual nos Transportes” -, afirma que é preciso “repensar e reavaliar, em termos de sociedade, qual valor se dá à dignidade da mulher”.

“Nós precisamos realmente repensar nossa legislação. Obviamente que agora, no ano de 2017, vivendo no Brasil, existe uma mulher muito diferente daquela que existia em 1940. A todo momento, quando falamos em violência de gênero, é como se a sociedade nos impusesse o padrão da ‘bela, recatada e do lar’”, diz. “E que se não seguir o padrão, ela merece ser violada, merece o assédio, o estupro, as cantadas de rua, o assédio sexual no espaço do trabalho. Ela é vista como alguém que pede para ser violada quando deve ou quando usa roupa curta, ou que não merece respeito porque se envolve com mais de um homem, ou eventualmente porque perdeu a virgindade merece ser espancada pelo próprio pai.”

Falta punição?

Um dos casos que gerou repercussão nacional no que trata da punição aos agressores foi com Cíntia Souza. Ela foi abusada sexualmente dentro de um ônibus em São Paulo. Um homem ejaculou em seu braço. A decisão da Justiça? Para ela, nula. O juiz José Eugenio do Amaral Souza Neto, do Tribunal de Justiça de São Paulo, do Foro Criminal da Barra Funda decidir por não indiciar e soltar o agressor Diego Ferreira de Novais, por não ter observado crime de estupro. Segundo o magistrado, não houve “constrangimento e tampouco violência” do acusado.

“O crime de estupro tem como núcleo típico constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. Na espécie, entendo que não houve o constrangimento, tampouco violência ou grave ameaça, pois a vítima estava sentada em um banco do ônibus cheio, em cima de uma passageira, que ficou, logicamente, bastante nervosa e traumatizada”, escreveu o juiz.

A decisão causou revolta da sociedade como um todo e até críticas por parte de famosos. A vítima afirmou à Jovem Pan Online, na época, ter “se sentido um lixo”. Após este episódio, mais casos passaram a ser noticiados quase que diariamente pela imprensa, muitos deles sem resolução.

A promotora Fabíola Sucasas ressalta que não é apenas a falta de punição que gera mais casos, mas sim a ausência de uma resposta imediata. “Nós sabemos que quando a Justiça tarda, ela falha. É preciso repensar não só na pena que se dará ao agressor, porque a pena tem o caráter preventivo, mas também temos que repensar as respostas processuais. Quando falo de resposta processual foco em eventual prisão, eventual impedimento de se colocar a vítima e agressor em mesma mesa para se reconciliar (…) É claro que nós precisamos nos aparelhar para que essa resposta seja uma que não cause revolta à sociedade civil, porque a sociedade tem visto que precisamos repensar quais são essas medidas”.

Faltam políticas públicas?

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública esclarece que os policiais civis do Estado passam por aulas específicas para prestar um melhor atendimento às vítimas, além de cursos de atualização sobre o assunto através do Projeto Integrar – parceria entre o Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid) com a Secretaria.

Enquanto isso, a Procuradoria Geral de Justiça realizou comissão para discutir e apresentar projeto de lei sobre molestamento sexual, e apresentou a proposta definindo tal ato. “Neste sentido é preciso destacar que essa proposta é de um crime subsidiário, ou seja, se for adequado a um crime mais grave, aí apreciamos como crime mais grave”, explica a promotora.

É preciso repensar condutas

Quando falamos em políticas públicas há o foco em ações para diminuir, prevenir e reprimir tais atos, mas, além de olharmos para o perfil do agressor, é preciso que observemos o perfil da sociedade, da vítima, além da medição do problema, onde ele mais ocorre, quais mulheres que mais utilizam tal transporte, os horários em que os crimes são mais recorrentes, quem são as pessoas mais vulneráveis, entre outros pontos.

“Quando se trata da questão ampla de gênero estamos ainda sob o que chamamos da ‘cultura do estupro’. E o assédio, desde sua menor potencialidade ofensiva até o abuso sexual em sua maior potencialidade ofensiva, está inserido nesta cultura. Esta cultura é justamente aquela que aponta comportamentos que silenciam ou normalizam a violência sexual contra a mulher, porque essa violência é muitas vezes normalizada, romantizada, alvo de piadas”, aponta Sucasas.

É preciso, portanto, olhar a nossa cultura, e repensar as condutas que caracterizam essa cultura do estupro. Ou será que estamos ensinando mulheres a se comportarem de determinada forma e deixando de olhar a conduta do agressor? O questionamento é feito a todo momento, não só pela sociedade, mas por especialistas.

Por que as vítimas não denunciam?

Medo, vergonha, “isso não está acontecendo comigo”, “denunciar não vai levar a lugar nenhum”, “e se o agressor estiver armado?”. Esses são apenas alguns dos pensamentos que passam pela cabeça de uma mulher abusada sexual ou fisicamente – seja em casa, no trabalho ou no transporte público.

Por sua vez, o autor da violência não parece se intimidar e acredita que nada irá acontecer com ele, já que as penas, pelo menos aparentemente, são brandas. Além disso, muitas vezes ele é visto como alguém que tem um problema mental, o que patologiza a violência.

“Mesmo reconhecendo que o homem é agressor, ainda assim se coloca em dúvida a sua responsabilidade (…) Não é só a dignidade sexual da mulher que se viola, se viola o direito dela de utilizar o espaço público. A todo momento se força que ela se torne aquela mulher de 1940, bela, recatada e do lar”, explica Fabíola Sucasas.

A delegada de polícia titular da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo, Jacqueline Valadares, esclarece, entretanto, que as delegacias não possuem atendimento psicológico, e possuem como finalidade a investigação criminal. “O que a vítima tem que esperar da delegacia é investigação criminal. O que fazemos de fornecer subsídios para as vítimas é dar encaminhamentos para outros órgãos que podem dar assessoria psicológica”, aponta.

Mulheres, não fiquem em silêncio

Em torno de 52% das mulheres que são vítimas de assédio dentro do transporte público ficam em silêncio, segundo a promotora. Mas não é apenas o medo que inibe uma mulher de denunciar, existe uma série de situações que paralisam a vítima. Entre as já citadas, há ainda o medo de represália por parte de um “reencontro” com o agressor no transporte público.

“A mulher precisa denunciar. O silêncio é um aliado do agressor. O silêncio é irmão da impunidade e caminha junto com a impossibilidade de transformação das pessoas e da própria sociedade. Se o silêncio for mantido, nós não conseguimos agir e nem reagir. É preciso que ela quebre esse silêncio, fazer denúncia para a polícia, se estiver dentro do transporte público, chamar a atenção que aquele fato está acontecendo, para que o agressor pare o que está fazendo, para que as pessoas no entorno possam ajudá-la”, recomenda Sucasas.

Jacqueline Valadares explica que as mulheres vítimas de abusos sexuais podem procurar as DDMs ou até mesmo delegacias “de bairro”, que possuem atribuições para investigar esse tipo de crime. “Vai ser feito boletim de ocorrência, oportunidade na qual ela vai receber as devidas orientações sobre procedimento naquele crime que ela está registrando. Alguns casos a vítima tem prazo de seis meses pra processar. Em outras hipóteses o inquérito é instaurado automaticamente e independentemente da vontade da vítima”, diz.

Caso seja necessário, a vítima é encaminhada para exames e tratamento no Hospital Pérola Byington, na região central da cidade. Em casos de denúncia pelo 180, a vítima será intimada e precisará comparecer à delegacia para corroborar o que foi denunciado.

Legítima defesa ou vingança?

Note: existe uma grande diferença entre o que se encaixa como uma legítima defesa da mulher e o que é caracterizado como uma vingança. Se a mulher comete uma agressão para repelir a agressão de quem a viola, está dentro da legítima defesa, desde que a agressão seja proporcional.

Entretanto, a recomendação é que a revolta não se transfigure em uma prática ilícita. “Se for para reagir, que se reaja em legítima defesa. Nós sabemos que a legítima defesa tem alguns requisitos, e quando a repulsa é realizada muito tempo depois deixa de ser repulsa e se torna vingança. Então é preciso cuidar para que não façamos justiça pelas próprias mãos”, destaca a promotora.

“A insegurança fica”

Jovem Pan Online teve uma conversa exclusiva com Cíntia, que foi abusada sexualmente dentro do ônibus que fazia a rota Metrô Ana Rosa – Morro Grande. O caso ocorreu no dia 29 de agosto e teve repercussão nacional, o que pode ter ajudado muitas mulheres que são assediadas diariamente a denunciarem mais casos.

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Motoristas de vans escolares fazem protestos em São Paulo

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Motoristas de vans escolares e pais de alunos da Rede Municipal de Ensino realizam protesto em São Paulo (SP), na manhã desta quinta-feira (7), contra atrasos no pagamento dos motoristas e também a falta de Transporte Escolar Gratuito (TEG)

Motoristas de vans escolares gratuitas da Prefeitura de São Paulo fazem manifestação, na manhã desta quinta-feira, 7, em vários locais da cidade. Os perueiros que atendem ao programa Transporte Escolar Gratuito (TEG) solicitam às autoridades nova licitação do serviço com contratação de carros por fretamentos e não por crianças.

Segundo Donay Neto, Presidente do Sindicato dos Transportes Escolares do Estado de São Paulo, houve queda no número de usuários do transporte escolar gratuito. “Na gestão passada o número de alunos que usavam o transporte escolar chegou a 100 mil, hoje temos 60 mil crianças”, disse.

Desde às 7h, grupos motoristas de vans escolares se dirigiam à Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, na zona oeste, onde pretendiam se concentrar.

As vans trafegam a 10 km/h em fila por avenidas como Radial Leste, Aricanduva, Dalila, Nações Unidas, Jornalista Roberto Marinho e Avenida senador Teotônio Vilela para chamar a atenção da população para a questão.

De acordo Donay Neto, após a concentração na Praça Charles Miller, os motoristas sairão em carreata para o Viaduto do Chá, no centro, sede da Prefeitura de São Paulo.

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PF investiga contratos de R$ 300 milhões da UFSC

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Dois dos servidores investigados teriam movimentado cerca de R$ 300 milhões em contratos na coordenação de projetos e convênios entre os anos de 2010 a 2017

A Polícia Federal, em trabalho com a Controladoria-Geral da União e o Tribunal de Contas da União, abriu nesta quinta-feira, 7, a Operação Torre de Marfim. A ação tem como objetivo apurar aplicação irregular de verbas públicas federais destinadas a projetos de pesquisa desenvolvidos por Fundações de Apoio da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Esta é a segunda vez este ano que os negócios da UFSC ficam sob suspeita. Em setembro, a PF esteve na Universidade, no âmbito da Operação Ouvidos Moucos, para apurar esquema que supostamente desviou recursos de cursos de Educação a Distância (EaD).

Em nota, a PF informou que cerca de 90 policiais federais e servidores do TCU e da CGU cumprem 20 mandados judiciais expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal em Florianópolis, sendo 14 mandados de busca e apreensão e 6 mandados de condução coercitiva. Os mandados estão sendo cumpridos em Florianópolis e Balneário Camboriú.

As investigações da Torre de Marfim tiveram início em 2014 a partir de uma comunicação feita pelo gabinete da reitoria da UFSC. Instruída com nota técnica e relatórios elaborados pela CGU, o documento analisava aparentes irregularidades em projetos de pesquisa desenvolvidos com uso verbas públicas federais firmados em 2003 e 2004.

Segundo a PF, dentre as irregularidades, os investigadores encontraram indícios de contratações de serviços sem licitação prévia, pagamentos realizados a empresas pertencentes a gestores de projetos, que estariam vinculadas a servidores da Universidade ou das Fundações de Apoio e até mesmo pagamentos efetuados a empresas fantasmas.

Dois dos servidores investigados teriam movimentado cerca de R$ 300 milhões em contratos na coordenação de projetos e convênios entre os anos de 2010 a 2017. Durante este período foram identificadas diversas irregularidades quanto à execução orçamentária apontando para o desvio de verbas públicas e para a prática de outros crimes licitatórios.

Também chamou atenção dos investigadores, de acordo com a PF, um contrato questionado pelo TCU, no qual um servidor aposentado da universidade, que também foi gestor do projeto e teve sua própria empresa contratada por cerca de R$ 20 milhões, sem licitação.

Os investigados responderão, na medida de suas participações, por crime licitatório, peculato, e lavagem de dinheiro, bem como por atos de improbidade administrativa.

A operação tem por objeto investigar um conjunto de irregularidades na administração de recursos educacionais com verbas federais. A PF informou que “antes de serem levadas à apreciação do Ministério Público e do Poder Judiciário, essas irregularidades foram auditadas pelos órgãos de controle CGU e TCU”.

“As auditorias geraram recomendações solicitando a correção de práticas administrativas que poderiam levar ao mau uso do dinheiro público, o que não foi atendido pelos administradores”, diz a nota.

A UFSC, segundo informações da CGU, é a entidade recordista em recomendações para correção de irregularidades no Estado de Santa Catarina, com cerca de 120 recomendações, quase o dobro do segundo colocado.

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Selfies de policiais com Rogério 157 serão investigadas

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Reprodução. Policial tira selfie ao lado de Rogério 157

Criaram polêmica nas redes sociais as selfies que policiais tiraram ao lado de Rogério 157. O próprio delegado da 12ª DP, Gabriel Ferrando, aparece em algumas, apesar de ter dito reprovar a atitude. Em outra foto, uma policial está quase apoiada no ombro do traficante. Ambos sorriem – é possível até ver as algemas nos pulsos do preso.

O secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, disse que os agentes serão investigados. “Houve euforia dos policiais, mas é possível que se tenha passado do ponto”, disse. Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, foi preso nesta quarta-feira, 6, em uma operação conjunta das forças de segurança que atuam no Rio. O traficante era um dos criminosos mais procurados no Estado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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UFMG tem dia de protestos após condução coercitiva de reitor

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A operação investiga se ocorreram desvios de recursos para o Memorial da Anistia Política do Brasil

Professores fizeram uma vigília de protesto contra a condução coercitiva, ocorrida quarta-feira, do reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Jaime Arturo Ramirez, pela Polícia Federal (PF) na Operação Esperança Equilibrista. O reitor deixou a delegacia e foi recebido pelos docentes. A operação investiga se ocorreram desvios de recursos para o Memorial da Anistia Política do Brasil.

Além de Ramirez, também foram encaminhados à delegacia a atual vice-reitora e reitora eleita para assumir em 2018, Sandra Goulart Almeida; a vice-reitora entre 2006 e 2010, Heloísa Starling; a vice-reitora entre 2010 e 2014, Rocksane Norton; e Alfredo Gontijo de Oliveira, presidente da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), que viabiliza e dá apoio a projetos da universidade.

Durante o dia, entidades representativas de estudantes, docentes e servidores técnicos-administrativos da UFMG se mobilizaram contra a operação. Uma manifestação teve início na entrada da delegacia. Os participantes classificaram a operação como “ataque à democracia” e “criminalização da educação”. Às 17h, membros da comunidade acadêmica também realizaram uma assembleia no gramado em frente ao edifício da reitoria, no campus Pampulha.

O Sindicato dos Professores da UFMG (ApuBH) disse em nota que as conduções coercitivas causam “estranhamento a forma como a operação foi conduzida pela Polícia Federal que, antes de notificar a UFMG, nos parece ter informado à imprensa, transformando a ação em um espetáculo midiático, a exemplo do que ocorreu em Santa Catarina”, em menção ao suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Ele se matou ao se atirar do quarto piso do Beiramar Shopping, em Florianópolis. O reitor estava afastado de suas funções e era alvo na Operação Ouvidos Moucos.

A ação da PF também foi criticada por 11 ex-reitores e ex-vice-reitores da UFMG que publicaram uma nota. “Repudiamos o uso de medida coercitiva quando sequer foi feita uma intimação para depoimento, em claro descumprimento ao disposto nos artigos 201, 218 e 260 do Código de Processo Penal. (…) A UFMG e seus dirigentes sempre se pautaram pelo respeito à lei e pelo cumprimento de decisões judiciais”.

A instituição recebeu ainda notas de apoio de reitores de outras universidades federais, como a de São João del Rei e do Paraná. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes) colocou sua assessoria jurídica à disposição da UFMG.

Operação

As ordens judiciais foram expedidas dentro da Operação Esperança Equilibrista, que apura possíveis desvios de recursos destinados às obras do Memorial da Anistia Política. De acordo com a PF, até o momento teriam sido gastos mais de R$ 19 milhões no projeto – tanto em pesquisas de conteúdo quanto em obras -, mas o único produto aparente é um dos prédios anexos ainda inacabado. “Do total repassado à UFMG, quase R$ 4 milhões teriam sido desviados por meio de fraudes em pagamentos realizados pela Fundep, contratada para pesquisas de conteúdo e produção de material para a exposição de longa duração. Os desvios até agora identificados teriam ocorrido por meio de pagamentos a fornecedores sem relação com o escopo do projeto e de bolsas de estágio e de extensão”, informou em nota.

Idealizada em 2008, a implantação do memorial envolve a reforma de um edifício da universidade e a construção de dois anexos, nos quais seriam estruturados um local adequado para armazenamento do acervo e uma sede para a Comissão da Anistia, vinculada ao Ministério da Justiça. O projeto envolve uma exposição voltada para a preservação e para a difusão da memória política dos períodos de repressão. A UFMG detém um vasto acervo científico e acadêmico sobre o tema da anistia, sobretudo por meio do Projeto República, grupo de pesquisa conduzido pela professora de história Heloisa Starling, que foi vice-reitora entre 2006 e 2010 e também foi alvo de condução coercitiva. O projeto obteve financiamento do Ministério da Justiça.

Nas investigações, a PF conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU). Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e oito de condução coercitiva. O nome da operação foi batizado com um trecho de O Bêbado e o Equilibrista, música de João Bosco e Aldir Blanc que faz referência aos anistiados.

UFMG

Em nota, a UFMG informou que não pode se manifestar sobre os fatos que motivam a investigação em curso por se tratar de apuração que tramita em sigilo. “Dada a transparência com que lida com as questões de natureza institucional, a UFMG torna público que contribuirá, como é sua tradição, para a correta, rápida e efetiva apuração do caso específico”, acrescenta o texto.

Por sua vez, a Fundep disse que gerencia os recursos dos projetos de acordo com as ordenações dos respectivos coordenadores e em conformidade com normas dos órgãos financiadores e com a legislação vigente. “No âmbito do projeto Memorial da Anistia, a Fundação desconhece as inconformidades apontadas e iniciou a apuração dos pontos questionados. A Fundep prestou informações e disponibilizou documentações requeridas pela Operação. Com experiência sólida de mais de 40 anos de atuação, a Fundep sempre manteve sua postura de transparência e colaboração e segue à disposição dos órgãos de fiscalização e controle”, registra.

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Lugar de palhaçada é no circo

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Nada mais autêntico, comovente e educativo do que o discurso de despedida de Tiririca: lugar de palhaçada é no circo, não no Congresso Nacional.

A comédia acabou! – assim termina a ópera Paggliaccio, de Ruggero Leoncavallo. Nada mais autêntico, comovente e educativo do que o discurso de despedida de Tiririca proferido neste último 6 de dezembro. Sua mensagem foi clara: lugar de palhaçada é no circo – não no Congresso Nacional. Em paz com sua consciência, ele volta para o circo. Mas diz claramente ao país que o Congresso Nacional está cheio de falsos palhaços. E que ele, um autêntico palhaço, nunca fez palhaçadas no Congresso.

Resumo da ópera: na sua primeira e última intervenção como deputado federal, Tiririca subiu ao microfone para externar sua decepção com os colegas. Ele não falou de decepção com o país. Não falou de decepção com as instituições. Falou de decepção com as pessoas. Que trabalham pouco. Que não comparecem ao trabalho. Que dão carteiradas. Que usam e abusam de mordomias. Que votam contra o povo. Que não andam de cabeça erguida em lugares públicos. Que têm vergonha de dizer qual é a sua profissão. E que, segundo ele, são a maioria na Câmara.

A decepção do palhaço nada tem de metafísico ou de abstrato: é a decepção com as pessoas de carne e osso que traem os seus compromissos e os seus princípios – como Nedda traiu Cânio. A vida imita a arte! Palhaços cativam as crianças pelo modo desajeitado com que eles realizam as acrobacias mais desafiadoras. Palhaço de verdade sabe fazer tudo melhor do que os melhores acrobatas e malabaristas – a diferença é que o fazem com graça. A despedida de Tiririca é uma peça de arte, um monumento à simplicidade, uma obra-prima que só um verdadeiro palhaço seria capaz de esculpir.

Numa das árias mais comoventes da ópera “Vesti la giubba”, o palhaço era ridicularizado por seu infortúnio: “Sê autêntico, palhaço! Vista sua máscara, maquie seu rosto, aqui as pessoas querer rir. E se Arlequim roubar sua Colombina, ri, Palhaço, e todos aplaudirão… Ri, Palhaço, no seu amor despedaçado, ri da dor que lhe envenena seu coração!”.

Tiririca não riu, nem se deixou envenenar pela dor. Mas na sua comovente simplicidade, denuncia os preconceitos de que foi vítima – o maior dos quais foi sua atitude de tratar bem a todos, mas especialmente os funcionários e serviçais mais humildes da Casa. E deixa sua marca profunda nos Anais do Congresso, ao denunciar sua decepção com os seus pares. Orgulhoso de sua profissão, ele se revolta, com linguagem simples e direta, contra parlamentares travestidos de palhaço. Palhaços que traem seus eleitores. Palhaços que votam contra os interesses do povo. Não! Não são esses os palhaços com quem quero conviver! – “A comédia acabou!”.

Tiririca deixa aos eleitores duas profundas reflexões. A primeira é a de que devem pensar duas vezes antes de votar em pessoas por desilusão ou apenas porque são populares ou famosas. Elas precisam ser honestas e ter uma folha de serviços para mostrar. Mas a segunda reflexão é ainda mais importante: onde queremos ver palhaçada? No circo? Ou no Congresso Nacional?

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Chega ao fim 1ª fase da reforma do Museu da Língua Portuguesa

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Fachada recuperada e o relógio que voltará a funcionar na manhã de hoje servem como recado público: o museu voltar

A fuligem nos corredores, o vazio nos espaços antes ocupados por exposições e o vaivém de operários são a intermitente cicatriz que remete ao incêndio de grandes proporções.

 Mas a fachada recuperada e o relógio que voltará a funcionar na manhã de hoje servem como recado público: o Museu da Língua Portuguesa vai voltar.

Quase dois anos após a tragédia de 21 de dezembro de 2015, quando o fogo destruiu suas instalações, deixou um morto e causou sua interdição, a instituição que ocupa parte do histórico prédio da Estação da Luz comemora o fim da primeira das três etapas previstas de recuperação. Fachadas e esquadrias estão novas em folha.

“Oitenta operários participaram dessa fase”, diz a arquiteta Ana Flávia Costa Rolim. Na tarde desta terça-feira, 5, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo teve acesso exclusivo ao local e conferiu os resultados. As 230 esquadrias estão todas recuperadas e já protegidas por um tapume de madeirite para que não sejam danificadas nos trabalhos de recuperação da cobertura.

“85% delas foram restauradas, em parte com madeiramento calcinado por causa do incêndio”, conta Ana Flávia. “O restante não pôde ser recuperado e precisou ser refeito.”

Restauro feito ali dentro mesmo. “Para este trabalho, montamos uma verdadeira oficina no canteiro de obras”, relata a engenheira Graciele Aniceto.

Apesar de a fachada estar pronta, os tapumes e a tela que protegem o prédio não serão retirados ainda. “É preciso manter a proteção no decorrer dos trabalhos”, diz Regina Ponte, coordenadora da unidade de Preservação do Patrimônio Museológico da Secretaria Estadual de Cultura.

Foi preocupação semelhante, aliás, que manteve o imponente relógio do alto da torre desligado desde a tarde do incêndio. O aparelho não foi danificado durante o incidente.

Optou-se, entretanto, pela sua retirada para que nenhum risco houvesse de que os trabalhos de recuperação da torre interferissem em seu funcionamento.

“Então aproveitamos para fazer manutenção e restauro”, conta Regina. Na manhã de hoje, seus ponteiros voltarão à ativa e poderão novamente ser vistos em seus mostradores de 4,4 metros de diâmetro.

A segunda etapa dos trabalhos de recuperação já começou em setembro. Cerca de 60 operários dedicam-se à recuperação dos torreões, restauro dos pátios e reconstrução da cobertura do edifício – que cedeu com o incêndio.

Para isso, uma oficina de carpintaria foi montada e é ali que toda a estrutura dessa cobertura vem sendo preparada.

Apesar de recuperar a mesma volumetria da construção anterior, será uma modernização. Isso porque, graças a uma combinação entre peças de madeira, cabos de aço e revestimento de zinco, a configuração interior será mais ampla e contemporânea.

Pelo organograma, os trabalhos desta fase só serão concluídos em julho. Aí deve ser iniciada a etapa final: o restauro do interior do prédio. “Em paralelo, o plano museológico já está sendo feito”, antecipa a coordenadora Regina.

Essa sincronia é necessária para que os planos sejam cumpridos, ou seja, o novo Museu da Língua Portuguesa abra suas portas, renascido das cinzas e modernizado, até o fim de 2019.

O custo total dessa reconstrução é de R$ 65 milhões. A iniciativa privada bancou R$ 36 milhões e o restante será custeado graças à indenização do seguro contra incêndio.

Sustentabilidade

A ideia de reaproveitar o madeiramento tem função histórica e ambiental. O material, peroba-do-campo rosa e amarela, era datado de 1946. Além disso, o museu quer obter o selo Leed, certificação internacional para construções sustentáveis.

Se o projeto for executado conforme previsto, a instituição receberá a classificação prata. Isso porque os trabalhos preveem reaproveitamento de material, uso de madeira certificada, redução de consumo de energia, coleta de água de chuva e gestão de resíduos.

Nos dez anos em que esteve em funcionamento, o Museu da Língua Portuguesa recebeu 4 milhões de visitantes. Em 2015, mesmo ano que houve o incêndio, havia sido eleito pelo site Trip Advisor como um dos três melhores da América Latina. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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