Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, afirmou em pronunciamento na quinta-feira (4/12) que o país está preparado para todas as situações possíveis, porém ressaltou que a paz não pode envolver concessões territoriais.
“Vamos agir da maneira mais construtiva com todos os nossos aliados para garantir que a paz seja alcançada, e que essa seja, afinal, uma paz justa”, declarou.
O governo ucraniano continua em Washington para avançar nas negociações com representantes dos Estados Unidos sobre um possível acordo de paz. Zelensky destacou que a prioridade é compreender “o que exatamente foi discutido na Rússia” durante a reunião de Steve Witkoff com Vladimir Putin.
“Hoje, representantes da Ucrânia darão continuidade às conversas nos EUA com a equipe do Presidente Trump. Nosso objetivo é obter informações completas sobre os temas tratados na Rússia e identificar quais motivos Putin usa para prolongar o conflito e pressionar a Ucrânia — para tentar enfraquecer nossa independência”, afirmou.
As declarações do presidente ucraniano ocorreram logo após Putin fazer novas ameaças de tomar a região do Donbas pela força, caso as tropas ucranianas não se retirem voluntariamente. “Ou libertamos esses territórios pela força das armas, ou as tropas ucranianas deixam esses territórios”, disse o presidente russo.
Para Kiev, a retirada é inaceitável. A Ucrânia insiste que não entregará áreas que Moscou não conseguiu conquistar completamente no campo de batalha.
A Rússia controla atualmente cerca de 19,2% do território ucraniano, incluindo toda a região de Luhansk, mais de 80% de Donetsk e partes de Kherson, Zaporizhzhia, Kharkiv e Sumy. Aproximadamente 5 mil km² de Donetsk permanecem sob controle ucraniano.
Negociações lideradas por Washington
Zelensky também pediu transparência sobre o progresso das conversas, que acontecem exclusivamente entre Estados Unidos e Rússia. O Kremlin confirmou, em 3/12, que a União Europeia está excluída das negociações. De acordo com o assessor Yuri Ushakov, “a comunicação ocorre apenas entre Washington e Moscou”.
A reunião de quase cinco horas realizada em 2/12, entre Putin e os representantes norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, abordou exclusivamente o conflito. Moscou apresentou críticas e sugestões aos documentos apresentados pelos americanos, mas nenhum acordo foi firmado.
Durante o pronunciamento, o presidente ucraniano destacou que a adesão à União Europeia está entre as garantias de segurança que Kiev busca formalizar. “Apenas uma paz justa assegura uma verdadeira segurança, e entendemos plenamente que isso exige — e continuará a exigir — o apoio de nossos parceiros.”
