A comunidade Sikamabiú, localizada na região do Baixo Mucajaí, na Terra Indígena Yanomami, inaugura uma nova Unidade Demonstrativa de Referência (UDR) para fortalecer a segurança alimentar, após enfrentar dificuldades causadas pelo garimpo ilegal. As famílias Ninam voltam a praticar atividades produtivas que respeitam seu modo de vida, focando na autonomia e no cuidado da terra.
Essa unidade conta com piscicultura, sistemas agroflorestais, banco de sementes tradicionais, viveiro de mudas, aviário comunitário e compostagem, tecnologias que ajudam a comunidade a cultivar alimentos de forma sustentável. A iniciativa também inclui treinamento técnico em manejo aquícola para os indígenas.
O projeto é fruto da colaboração entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Instituto Federal de Roraima (IFRR), o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), via Força-Tarefa Yanomami e Ye’kwana (FTYY). A Funai apoia na articulação institucional, logística, diálogo com lideranças e acompanhamento das ações.
Joenia Wapichana, presidenta da Funai, ressaltou a importância da segurança alimentar para melhorar a vida nas comunidades indígenas. “Segurança alimentar é garantir que as comunidades possam produzir alimentos sempre e de forma sustentável. Esses projetos precisam continuar e crescer”, afirmou. Ela destacou que proteger o território contra o garimpo é fundamental para a saúde, vida e alimentação dos povos indígenas.
Líderes locais relataram os benefícios da iniciativa. Luiza Xirixana, da comunidade Sikamabiú, contou que com o garimpo, os peixes ficaram escassos e inadequados para consumo. “Nos perguntamos onde conseguir alimento e esse projeto traz solução para isso”. Ela também falou que o projeto ajuda a fortalecer as plantações e ensina as crianças a produzir o próprio alimento. Gerson Xirixana, presidente da associação Texoli, explicou que o avanço é resultado do trabalho coletivo, com maior participação da comunidade.
Yanameyka Evangelista de Lima Primo, chefe-geral da Embrapa, informou que Sikamabiú é a primeira comunidade a receber o projeto, que será levado a outras áreas. As estruturas adotadas incluem tanque escavado, sistemas agroflorestais, bancos de sementes e cultivos de alimentos tradicionais como banana, mandioca e macaxeira. O foco é capacitar os indígenas para que possam produzir de forma independente e sustentável.
Na piscicultura, instalaram dez tanques elevados em geomembrana, um tanque escavado de 400 m³, dois açudes integrados, e entregaram 8 mil alevinos. A expectativa é produzir até uma tonelada de peixe em 2026, o que garantirá proteína para cerca de 400 indígenas. A água dos tanques é reaproveitada para irrigar as plantações.
Wellington Dias, ministro do MDS, afirmou que ações como essa fortalecem as comunidades para produzirem e gerarem renda. “O governo quer que cada comunidade produza seu alimento e tenha excedentes para vender, garantindo renda e independência. Programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) ajudam a manter o alimento dentro da comunidade”, destacou.
O IFRR oferece capacitação contínua em piscicultura e manejo sustentável, promovendo o protagonismo indígena. Rodrigo Barros, diretor do Campus Amajari, afirmou que a formação técnica assegura que a comunidade conduza e sustente essas atividades.
A inauguração reuniu mais de 200 indígenas Yanomami, membros da Força-Tarefa, autoridades, como a diretora de Gestão Territorial e Ambiental da Funai, Lúcia Alberta Baré, o governador de Roraima, Antônio Denarium, e representantes de vários órgãos.
